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Orientador(es)
Resumo(s)
Pretendemos neste artigo dar conta de como da institucionalização da oncologia em Portugal
emergiu uma configuração moderna da relação entre medicina e risco, apoiada no uso de
informação estatística e no valor científico do caso clínico individual e da objectividade.
Desde finais do século XIX o cancro foi considerado uma enfermidade passível de cura, desde
que precocemente diagnosticada. O aparecimento das novas tecnologias médicas da radioterapia e
dos raios X transformou não só os métodos de diagnóstico mas também a acção terapêutica,
permitindo novas formas de percepção do corpo e uma nova compreensão do risco oncológico.
O arquivo hospitalar criado por Francisco Gentil em 1915 terá sido um dos mais eloquentes
testemunhos de uma primeira tentativa de lidar com o cancro e o risco oncológico a uma escala
nacional, com as suas colecções de patologia e os registos clínicos individuais. A partir de uma análise
socio-histórica dos vestígios que nos chegam hoje deste repositório médico, sustentamos que no
desenvolvimento do Estado sanitário moderno e da acção da medicina oncológica se desenharam
alguns dos elementos mais marcantes da institucionalização da medicina moderna, assente numa
acção simultaneamente individualizada, massificada e objectiva, sobre o corpo individual e colectivo.
As novas técnicas de diagnóstico e terapia, apoiadas na imagem radiográfica do corpo ou nas
inovações radioterapêuticas, permitiram o desenvolvimento de projectos hospitalares modernos
cujo objectivo era simultaneamente implementar formas de diagnóstico e terapia eficazes e
combater pela investigação e pela acção social o avanço do cancro nas populações. A partir do
estudo do surgimento dos estudos do cancro em Portugal, este artigo visa reflectir sobre a
emergência de uma forma moderna da relação entre corpo, risco e patologia, num contexto histórico
marcado pelo surgimento da medicina de base laboratorial e tecnológica.
Descrição
Palavras-chave
Antropologia da Ciência Oncologia Biopoder
Contexto Educativo
Citação
Moreira, R. G. (2016). Risco e medicina oncológica na primeira metade do séc XX: o caso Português. . ICS Working Papers, WP3. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
