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Orientador(es)
Resumo(s)
A Pertinência do Estudo
Hoje, a planificação é consensualmente aceite como fundamental para
uma boa condução da acção pedagógica e contribui para que o professor
clarifique os factores que influenciam o processo de ensino-aprendizagem,
permitindo-lhe exercer um maior controlo sobre essas variáveis.
O acto de planificar desenvolve no professor capacidades de estruturação
e de descoberta de diferentes estratégias para os contextos sócio-educativos
onde intervém, permitindo-lhe proporcionar ao aluno experiências de aprendizagem
significativas e integradoras com a incorporação dos seus interesses e
necessidades e, ao mesmo tempo, oferecer continuidade ao processo de
ensino-aprendizagem. Planificando, o professor prepara a sua prática e toma
decisões, atribuindo um sentido ao processo de ensino-aprendizagem, quer na
sua organização, quer nos seus objectivos e metas.
Como refere Huerta (citado por Zabalza, 1987), "fazer didáctica não é,
senão, tomar decisões. Todo o acto didáctico (objectivos, conteúdos, gestão da
aula, avaliação, construção ou manipulação de materiais...) constitui um complexo
e encadeado processo de tomada de decisões pré-instrutivas e/ou instrutivas,
por parte da comunidade escolar ou, no mínimo, por parte do professor". Na
verdade, ao professor, enquanto agente activo, cabe o papel de adaptar as
propostas curriculares, mais do que as adoptar. Dentro da sua margem de
autonomia, o professor toma decisões explicitas e realiza um processo que se
pode caracterizar como um dos mais conscientes do ensino - a planificação.
Ao fazê-lo o professor faz opções, faz escolhas que reflectem valorações epistemológicas e é na sala de aula que ele transforma o plano de estudos
escrito num plano de estudos activo, sendo a interpretação que faz do currículo
entendida como crucial na escolha do que é ensinado.
A planificação como fase prévia, explicitamente traçada como momento
em que se pensa e se decide, nem sempre é um hábito profissional que se
actualiza em cada momento ou período de ensino. Em muitos casos, trata-se
da simples continuidade de um estilo adquirido com o tempo que foi, talvez
num primeiro momento, objecto de reflexão e de contraste na prática.
Clark & Elmore (1979) referem que "boa parte da aprendizagem e da
interacção social que tem lugar nos meses seguintes ao inicio do curso podem-se
delinear, directa ou indirectamente, pela forma em que o sistema de instrução
e o sistema social da classe se traçaram na primeira semana do curso”.
Shavelson (1983) ressalta o efeito de continuidade dos primeiros desenhos
do professor, que têm uma influência importante no que ocorre depois, na aula.
Marx (1981) refere que o número de decisões que os professores tomam
decresce à medida que avança o desenvolvimento da unidade, o que explica
por que a prática fica regulada, de alguma forma, nas primeiras decisões.
Segundo Walker (1989) "a planificação que fazem os professores a
longo prazo, no começo do curso, tem um impacto importante sobre o que
decidem no resto do curso. Estas decisões afectam o conteúdo, as actividades,
o agrupamento dos alunos, os projectos gerais e as normas para os estudantes”.
A planificação parece ser um instrumento que estabiliza, de alguma
forma, os modelos gerais pelos quais decorre a acção, dando igualmente
coerência ao curso fluido dos acontecimentos que, à vista desarmada, parecem
ser espontâneos, por vezes anárquicos. (...)
Descrição
Tese de Mestrado em Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, 1998
Palavras-chave
Teses de mestrado - 1998 Organização curricular Desenvolvimento curricular Planeamento da educação Sistemas de ensino - Portugal
