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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O desenho de um molde, para lá de um desenho técnico catalisador entre tecido bidimensional e corpo tridimensional, é um desenho que projecta o corpo segundo concepções históricas, anatómicas, experienciais e artísticas. Esta investigação assume o design de moldes como uma prática que 1) afere e desenha a tridimensionalidade do corpo – como aliás a entenderam os alfaiates do século XIX que sistematizaram o ofício possibilitando o crescimento da indústria de vestuário.
Durante o século XX, a indústria de vestuário relegou a disciplina de Design de Moldes para um estatuto técnico, desprovido de criatividade. Esta investigação propõe resgatar a componente exploratória que motivou os alfaiates oitocentistas, entendendo o design de moldes como uma prática que 2) explora diferentes formas de representar o corpo numa superfície bidimensional. O objectivo não é o de sistematizar um novo processo, mas de devolver o cariz artístico e interpretativo da disciplina.
Entende-se que o desenho do molde – consequência do design de moldes – se insere numa categoria especial de desenhos, pois embora a sua materialidade seja distinta daquela da peça de roupa, a sua avaliação só é feita através do objecto tridimensional que constrói. Esta investigação explora uma abordagem artística e experimental para a aferição da tridimensionalidade do corpo, informada por trabalhos de artistas plásticos e performativos contemporâneos que assentam em vestígios visuais deixados pelo corpo num suporte bidimensional.
A investigação é teórico-prática, de cariz qualitativo e exploratória por natureza. A componente teórica apropria-se de conceitos que não sendo do âmbito do Design de Moldes ajudam a promover a disciplina enquanto área criativa que discursa sobre o corpo. Baseado no conceito de mimésis enquanto processo que depreende uma narrativa lógica intrínseca ao trabalho artístico e onde podem existir diferentes hierarquias relacionais entre sujeito, objecto e meio de representação de um trabalho (Rasmussen 2008), a componente teórica discorre sobre os conceitos de metonímia – entendida como um processo de representação simbólica por contiguidade (Stiles 1987; 1998) – e da relação mapa-território – para reflectir sobre a relação entre o corpo [território] e a sua representação [mapa] (Gombrich 1984 [1960]; Korzybsk 2000 [1933]).
A componente prática e experimental desta investigação é fundamentada pela componente teórica, e utiliza a impressão com tinta [metonímia] deixada pela pele [território] num suporte bidimensional como informação para a construção de um molde [mapa] e subsequente construção de um protótipo que materializa a relação mapa-território. Utilizou-se um único participante para explorar esta abordagem. Justifica-se a escolha de um único participante com o método ‘feito-à-medida’, amplamente utilizado no contexto do vestuário, ou com a relação artista-modelo (Altfest 2017). Porque o processo para obter o molde é tão importante como o molde em si, e porque o método utilizado para aferir a tridimensionalidade do corpo é inabitual em design de moldes, são materializados três momentos deste processo de modo a validar a investigação: 1) o processo, capturado através de vídeo; 2) os moldes obtidos através do processo metonímico; 3) o protótipo subsequente. A validação é tripartida: um primeiro momento onde o processo é auto-avaliado, utilizando o método auto-etnográfico (Schouwenberg e Kaethler 2021; Ellis et. al. 2011); um segundo, onde o processo e protótipo são avaliados pelo modelo, através de uma entrevista semi-estruturada, e que corresponde a uma avaliação interna; e um terceiro tempo onde os elementos são interpretados e discutidos por um grupo de especialistas e académicos, composto por artistas plásticos, performers e designers, através de entrevistas semi-estruturadas e correspondendo a uma avaliação externa. Todas as avaliações – auto, interna e externa – são entendidas à luz dos modelos relacionais da mimésis, apresentados por Rasmussen (2008).
Espera-se que esta investigação contribua para o entendimento do Design de Moldes enquanto disciplina criativa, cuja criatividade está [também] presente no processo de aferição da tridimensionalidade do corpo e cuja atitude artística desse processo é evidente na representação do corpo que produz. Espera-se ainda que ao utilizar um processo que imprime a superfície da pele num suporte bidimensional se alerte para a componente sensorial táctil que os artefactos produzidos em design de moldes têm.
Descrição
Tese de doutoramento. Design. Universidade de Lisboa. Faculdade de Arquitetura. 2024
Palavras-chave
Design de moldes Mimésis Metonímia Mapa-território Corpo Pattern Design Mimesis Metonymy Map-Territory Body
Contexto Educativo
Citação
NOGUEIRA, Nuno Lopes Mateus Pinto - Explorações artísticas em design de moldes : a impressão da pele num suporte bidimensional como processo para cartografar um corpo. – Lisboa : FA, 2024 – Tese de doutoramento
Editora
Universidade de Lisboa, Faculdade de Arquitetura
