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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Baseando-se num longo período de observação directa
e entrevistas, este artigo aponta como principal obstáculo
às pouco frutuosas tentativas de diálogo entre
biomedicina e “medicina tradicional”, em Moçambique,
o desconhecimento e/ou desvalorização das noções
locais acerca da doença, vertentes sociais da sua
etiologia e suas implicações para a noção e processo
de cura. Assim, a par da caracterização dos tinyanga
(terapeutas putativamente possuídos por espíritos)
e das terapias que utilizam, o artigo expõe o sistema
localmente dominante de interpretação dos infortúnios,
em que as causas materiais (como aconteceu) se
combinam com factores sociais ou espirituais (porque
aconteceu àquela pessoa). Daí decorre que o processo
de cura não se esgota no debelar da enfermidade, implicando
também a resolução do problema social do
qual ela é uma manifestação – o que constitui uma das
especialidades destes terapeutas. Por isso, nem o recurso
a tinyanga resulta sobretudo de falta de alternativas
de cuidados de saúde, nem é concebível, para estes
terapeutas, que o seu entrosamento com o sistema de
saúde oficial pudesse restringi-los à sua faceta de herbalistas.
Contudo, o debate e negociação do seu espaço,
papel e estatuto dentro de futuros quadros gerais de
prestação de cuidados de saúde não deverão ser feitos
através de “tradutores culturais” bem intencionados,
que lhes pretendam “dar voz”. Os próprios tinyanga
dispõem das capacidades e competência para o fazer,
assim tenham interlocutores.
Descrição
Palavras-chave
Contexto Educativo
Citação
Granjo, P. (2009). Saúde e Doença em Moçambique. Saúde e Sociedade Vol. 18, 4, 567-581
