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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O presente estudo baseia-se numa abordagem epidemiológica aplicada ao estudo da
depressão. Trata-se, pois, de uma aproximação a esta temática centrada na descrição do
problema do ponto de vista, nomeadamente, da prevalência da sintomatologia
depressiva e análise de possíveis associações com factores sócio-demográficos, factores
de saúde e variáveis psicossociais.
O estudo integra, assim, uma componente descritiva, centrada na caracterização da
prevalência e distribuição de sintomatologia depressiva em adultos residentes no
concelho de Palmeia, e uma componente analítica, orientada para o estabelecimento de
relações entre determinadas variáveis sócio-demográficas e biopsicossociais e a
presença de sintomas depressivos.
Trata-se de um estudo epidemiológico transversal de base populacional, realizado a
partir de uma amostra aleatória estratificada por freguesias, proporcional com selecção
sistemática, significativa e representativa dos adultos de ambos os sexos, com idades
compreendidas entre os 18 e 65 anos, residentes no Concelho de Palmeia em 2004,
recorrendo a uma metodologia quantitativa baseada na auto-resposta, voluntária e
confidencial, a uma escala de sintomatologia depressiva - Escala de Depressão do
Centro de Estudos Epidemiológicos (CES-D), aferida e adaptada para a população
portuguesa por Gonçalves & Fagulha (2003), construída para avaliar o nível actual de
sintomatologia depressiva e especificamente concebida para estudos epidemiológicos
sobre a população geral (Radloff, 1977), e a um questionário de avaliação de variáveis
sócio-demográficas, de saúde e de factores de stress psicossocial, elaborado pela autora
e destinado a responder aos objectivos mais específicos que foram delineados para esta
investigação.
A decisão de efectuar este estudo baseou-se em seis premissas fundamentais:
1) No Plano Nacional de Saúde 2004-2010, definido pela Direcção Geral de
Saúde, estima-se que a prevalência de perturbações psiquiátricas na
população geral portuguesa ronde os 30%, embora não existam actualmente
dados de morbilidade psiquiátrica nem de prevalência da Depressão, de
abrangência nacional ou local, que permitam uma melhor caracterização do
país. No Plano Nacional de Saúde definido até 2010 assume-se ainda como
premente actuar na promoção-da Saúde Mental e na detecção precoce dos
casos de doença mental existentes na comunidade, a fim de se alcançarem os ganhos de saúde desejados nesta área. A prevenção secundária em termos de
diagnóstico precoce da doença mental em adultos (actualmente
subdesenvolvido) constitui uma prioridade.
2) Considera-se hoje a Depressão como uma das perturbações psiquiátricas
mais comuns e recorrentes, sendo já considerada como o maior problema
actual de saúde pública, (OMS, 2001), em virtude do significativo
sofrimento psíquico que provoca e das quebras de produtividade, aumento
do absentismo e reformas antecipadas que envolve (Kessler, 2002; Aro,
Nyberg, Absetz, Henriksson & Lonnqvist, 2001).Estima-se que a
prevalência de sintomas depressivos varie entre 13% a 20% na população
mundial, sendo mais alta nas mulheres do que nos homens (Kessler, Zhao,
Blazer & Swartz, 1997), constituindo igualmente uma doença de elevada
morbilidade e a primeira causa de incapacidade, na carga global das
doenças, nos países desenvolvidos. A carga económica cumulativa causada
por esta perturbação em termos de perda da produtividade, faltas por doença,
mudanças frequentes de emprego, acidentes e cuidados médicos é, de facto,
enorme (Kessler & Frank, 1997) e sabe-se que, em conjunto com a
esquizofrenia, é responsável por 60% dos suicídios;
3) A Depressão, que frequentemente não é reconhecida nem tratada, tem um
prognóstico melhor se for detectada. Por isso, é crucial promover a sua
detecção e tratamento a fim de evitar as consequências da Depressão não
tratada, como por exemplo o risco de suicídio ou de parasuicídio (Blazer,
Flint, Hays & Meador, 1998), de ruptura conjugal e ainda de consideráveis
problemas a nível laboral, como faltas por doença, mudança frequente de
emprego, dificuldades de relacionamento com colegas, fraco desempenho
das funções e acidentes (Kessler & Frank, 1997);
4) As intervenções preventivas nesta área devem ser elaboradas com base na
especificidade que o fenómeno da depressão apresenta numa dada
comunidade;
5) A aplicação de quaisquer medidas preventivas deve ser precedida de uma
análise aprofundada do problema sobre o qual se pretende intervir;
6) O poder local pode desempenhar um papel crucial na mobilização dos
recursos da comunidade com vista à prevenção deste grave problema social
e de saúde pública. Do que foi dito, compreende-se que os estudos epidemiológicos que permitam
investigar a real prevalência da depressão e/ou sintomatologia depressiva nas
comunidades se revistam da maior pertinência. Em Portugal, para a Região da Península
de Setúbal e, em particular, para o concelho de Palmeia que conta já com 53352
habitantes, o que corresponde a 7,5% e 1,5% da população da Península de Setúbal e da
região de Lisboa e Vale do Tejo, respectivamente, não existem, contudo, até à data,
dados estatísticos de natureza epidemiológica sobre a sua prevalência nesta região.
Tendo em conta que a depressão é uma doença de elevada morbilidade, que é na sua
maior parte tratável (Hallstrom & Mcclure, 2002), os estudos de carácter
epidemiológico sobre esta patologia revelam-se cruciais. Nomeadamente, o seu estudo
na área geográfica referida revela-se de grande importância uma vez que não existem
quaisquer dados sobre a sua prevalência nesta região.(...)
Descrição
Tese de mestrado em Psicologia (Área de especialização em Psicologia Clínica) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 2005
Palavras-chave
Teses de mestrado - 2005 Psicologia clínica Depressão (psicologia) Epidemiologia
