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Projeto de investigação

A SALA DE AULA COMO EXPERIÊNCIA POSITIVA: A PRÁTICA DE MINDFULNESS NA PROMOÇÃO DE COMPETÊNCIAS SÓCIO-EMOCIONAIS E DO BEM-ESTAR

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Cultivar Mindfulness em contexto educacional : As abordagens baseadas em Mindfulness na promoção de competências socioemocionais e do bem-estar, nos alunos e nos professores
Publication . Sampaio de Carvalho, Joana; Pinto, Maria Alexandra Penedo Marques; Domingos, João Paulo Marôco
Dados recentes evidenciam um crescente número de crianças e jovens em idade escolar que, em Portugal, apresentam problemas emocionais, comportamentais e/ou de saúde mental comprometendo, entre outros fatores, o desempenho académico. Outros estudos têm alertado para o elevado risco de stress e burnout1 da classe docente com impacto negativo na sua saúde ocupacional e desempenho profissional. Várias décadas de investigação demonstraram que as intervenções precoces, focadas nos mais jovens, como a aprendizagem sócio-emocional, podem ser eficazes em atrasar ou prevenir o aparecimento de transtornos mentais, emocionais e comportamentais, com claros benefícios ao longo da vida. Relativamente aos professores, as competências socioemocionais têm também sido referidas como fator de proteção associado à promoção da sua saúde e do seu bem-estar. Recentemente, uma nova abordagem educacional, a educação contemplativa, tem vindo a ganhar relevo na promoção de competências socioemocionais dos alunos. Uma das práticas contemplativas mais estudadas em contexto educacional é a mindfulness. Em linha com os vários estudos realizados sobre a eficácia das abordagens baseadas em mindfulness, é importante avaliar o seu impacto no bemestar dos alunos, para além dos afetos positivos e negativos e de outras variáveis relativas aos problemas associados ao mal-estar tanto dos alunos como dos professores (e.g., afetos negativos, burnout). A presente dissertação pretendeu contribuir para o aprofundamento do conhecimento científico sobre a eficácia das abordagens de promoção de competências socioemocionais baseadas em mindfulness nos alunos e nos professores. Os seus objetivos são: (1) avaliar os efeitos do programa MindUp (desenvolvido especificamente para crianças) nos alunos e nos professores que o aplicaram; (2) avaliar os efeitos do programa Atentamente (desenvolvido especificamente para professores) nos professores, no clima de sala de aula, e nos seus alunos; (3) avaliar a estabilidade dos efeitos a médio prazo do programa Atentamente, nos professores e nos alunos; (4) explorar o papel mediador da mindfulness no impacto da intervenção no bem-estar, autoeficácia e burnout dos professores, em follow-up; (5) avaliar as qualidades psicométricas de um instrumento de avaliação do bem-estar (Mental Health Continuum - Short Form) em duas amostras independentes (crianças e pré-adolescentes). Estes objetivos foram operacionalizados em quatro estudos. O Estudo 1 teve como objetivo traduzir, adaptar, implementar e explorar os efeitos do programa MindUp, aplicado a alunos do 3º e 4º ano de escolaridade do 1º Ciclo do Ensino Básico pelos seus professores, num grupo piloto de alunos e professores. Os participantes deste estudo incluíram 363 alunos e os seus 19 professores. Os resultados indicaram um aumento significativo das competências socioemocionais dos alunos e uma diminuição dos seus comportamentos antissociais e uma melhoria significativa das competências de gestão de sala de aula dos professores. No Estudo 2 foram avaliados os efeitos do programa MindUp nos alunos e, de modo exploratório, os seus efeitos nos professore através de um desenho quase experimental com dois momentos de recolha de dados. O grupo experimental (GE) integrou 223 crianças, do 3º ano e do 4º ano de escolaridade e os seus 13 professoras. O grupo de controle (GC) incluiu 231 crianças, do 3º ano e do 4º ano de escolaridade e os seus 7 professores. Os resultados mostraram que no pós-teste 58% das crianças que integraram o programa MindUP pontuaram acima da média do grupo de controlo no afeto positivo e 57% no sentido de humanidade partilhada, enquanto 58% pontuaram abaixo no afeto negativo e na regulação emocional por supressão. Por seu lado, 91% dos professores que implementaram o MindUP obtiveram pontuação acima da média do grupo de controlo na observação, 86% na realização pessoal e 82% no calor/compreensão. O Estudo 3 avaliou as qualidades psicométricas da versão curta e adaptada para português do Mental Health Continuum-Short Form (MHC-SF) em duas amostras independentes de crianças e pré-adolescentes. A amostra 1 incluiu 208 crianças e da amostra 2 fizeram parte 216 pré-adolescentes. Os resultados confirmaram a estrutura tridimensional do bem-estar subjetivo nas duas amostras. As três subescalas do MHC – SF revelaram alta consistência interna e os resultados do HTMT85 indicaram validade discriminante. O teste de invariância entre três grupos de idades diferentes (7-8 anos, 9-10 anos e 11-14 anos) confirmou a invariância métrica completa e a invariância escalar parcial do MHC-SF. No Estudo 4 foram avaliados os efeitos do programa Atentamente, um programa baseado em mindfulness dirigido aos professores, nestes, no clima de sala de aula, e nos seus alunos, a estabilidade dos efeitos a médio prazo, e o papel mediador da mindfulness nos impactos da intervenção nos professores, através de um desenho experimental com três momentos de recolha de dados. Os participantes do GE incluíram 112 professores do 1º ciclo do ensino básico, os seus 1381 alunos e os pais dos mesmos (n = 1271), enquanto do GC fizeram parte 93 professores do 1º ciclo do ensino básico, os seus 1121 alunos e os respectivos pais (n = 914). Os resultados mostraram que após a intervenção os professores do GE, em comparação com os professores de GC, relataram um aumento significativo nas competências de mindfulness e regulação emocional, autoeficácia e bem-estar e uma diminuição significativa dos sintomas de burnout. Da mesma forma, foi encontrada uma melhoria significativa nos comportamentos em sala de aula dos professores do GE relacionados com o envolvimento dos alunos. Além disso, também foram encontradas melhorias significativas nas percepções dos alunos do GE sobre a qualidade do envolvimento dos seus professores nas relações em sala de aula, nas competências de regulação emocional, no bem-estar e nas competências sociais percebidas pelos pais. Por fim, a mindfulness mediou os efeitos da intervenção na despersonalização e no bem-estar dos professores evidenciados três meses após a intervenção (follow-up). Os resultados destes estudos dão um contributo para o aprofundamento do conhecimento sobre o papel desempenhado pelas intervenções baseadas em mindfulness na redução dos sintomas de stress dos professores e na promoção das suas competências socioemocionais e bem-estar, na promoção de um clima de sala de aula positivo e na promoção das competências socioemocionais e do bem-estar dos alunos. Adicionalmente, reforçam a importância de integrar na formação contínua dos professores e no currículo académico dos alunos do 1º ciclo do ensino básico intervenções baseadas em mindfulness tendo em vista a promoção das suas competências socioemocionais e do seu bem-estar.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

Número da atribuição

SFRH/BD/77542/2011

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