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Projeto de investigação

TRILOBITES DO ORDOVÍCICO SUPERIOR DA ZONA CENTRO-IBÉRICA PORTUGUESA

Autores

Publicações

Trilobites do ordovícico superior da zona centro-ibérica portuguesa
Publication . Pereira, Sofia Raquel Cardoso 1988-; Silva, Carlos Marques da, 1961-; Sá, Artur Abreu, 1969-
A abundância de fósseis de trilobites nos terrenos do Ordovícico Superior da Zona Centro-Ibérica (ZCI) portuguesa é conhecida há mais de 150 anos, desde os estudos pioneiros de Nery Delgado. Embora alvo de revisões pontuais, a imensa coleção existente, dispersa por vários museus portugueses e estrangeiros, carecia de estudo aprofundado e revisão. Este trabalho teve como objetivo principal o estudo paleontológico das associações de trilobites da ZCI portuguesa. Inicia-se pela análise bibliográfica crítica dos antecedentes, inventariação das coleções estratigráficas clássicas e novos dados que permitiram reconhecer 12 regiões geológicogeográficas onde ocorrem níveis atribuíveis ao Ordovícico Superior: Sinclinal de Buçaco, Sinclinal de Fajão-Moradal, Sinclinal de Amêndoa-Carvoeiro, Sinclinal de Vila Velha de Rodão, Sinclinal de Penha Garcia, Sinclinal de Portalegre, Anticlinal de Valongo, Sinclinal de Arouca-Castro Daire, Sinclinal de Marofa, Faixa Covelas-Viana do Castelo, Estrutura Marão-Alvão, Sinclinal de Moncorvo- Poiares e Trás-os-Montes. O Estado da Arte destas sequências é sumarizado, acrescentam-se novos dados litostratigráficos e é homogeneizada a nomenclatura das unidades. O estudo sistemático incluiu trilobites provenientes de seis das 12 regiões analisadas, não tendo sido encontrados registos do grupo nas restantes: sinclinais de Buçaco, Fajão-Moradal, Amêndoa-Carvoeiro, Vila Velha de Ródão, Portalegre e Moncorvo-Poiares (Trás-os-Montes). As jazidas clássicas de trilobites desta idade, a maioria de localização incerta, foram relocalizadas e catalogadas. Adicionalmente, foram encontradas novas jazidas que permitiram completar o conhecimento anterior e registar novas ocorrências. Estudaram-se, no total, mais de 2000 espécimes de trilobites provenientes do Ordovícico Superior de Portugal, Espanha, França, República Checa, Sardenha e Marrocos. Foram identificadas 73 espécies de trilobites do Ordovícico Superior da ZCI portuguesa, 32 em nomenclatura aberta, pertencentes a sete ordens, 15 famílias e 39 géneros distintos. Estes fazem parte de 15 coleções de domínio público e privado, das quais as coleções clássicas de trilobites portuguesas do Museu Geológico de Lisboa, Museu Nacional de História Natural e da Ciência e do National History Museum de Londres foram inventariadas. Os 73 taxa de categoria específica foram enquadrados taxonomicamente, tendo sido descritos e figurados espécimes representantes de todos eles. Foram definidos um género novo e 17 espécies novas: Armoricania n. gen., Cekovia piresi n. sp., Ulugtella? guedesi n. sp., Phillipsinela lusitanica n. sp., Lichas loredensis n. sp., Lichas lusitanica n. sp., Primaspis romanoi n. sp., Whittingtonia? collectorum n. sp., Eodalmanitina berouniana n. sp., Dalmanitina rabanoae n. sp., D. manfroi n. sp., Eudolatites queixoperra n. sp., Kloucekia youngi n.sp., Actinopeltis? henrotayi n. sp., Areia bussacensis n.sp., Plaesiacomia robardeti n. sp., Radnoria guyi Pereira, Silva, Pires & Sá e Nobiliasaphus katianus n. sp. Nove géneros foram pela primeira vez identificados em Portugal: ?Ulugtella, ?Parillaenus, Amphoriops, “Bumastus”, ?Whittingtonia, “Ceraurinus”, Ovalocephalus, Mucronaspis e Flexicalymene. A revisão de espécimes de trilobites do Ordovícico Superior da República Checa e de Marrocos permitiu a definição de duas novas espécies (Vysocania moraveci n. sp. e Vysocania marocana n. sp.). Foi reforçada a atribuição de Cekovia e Delgadoa a Illaenidae, rejeitando-se a proposta de alguns autores que anteriormente os incluíram em Styginidae. A revisão do género Lichas, conduziu à rejeição das tribos Lichini e Dicranopeltini. O género Actinopeltis foi atribuído a Cyrtometopinae, rejeitando-se as atribuições anteriores a Eccoptochilinae e Deiphoninae. Panderiidae é excluída de Illaenina e interpretada como um grupoirmão de Nileidae, incluindo-se na superfamília Cyclopygoidea. O estudo paleoecológico permitiu distinguir oito Biofácies de trilobites, paralelizadas com associações e comunidades definidas por outros autores, estabelecendo-se um esquema de distribuição paleoambiental das comunidades originais. Em termos paleoambientais, reconheceu-se a existência de uma plataforma essencialmente siliciclástica durante o Berouniano e Hirnantiano e uma plataforma mista a carbonatada durante o Kralodvoriano, tendo as biofácies diferenciadas sido enquadradas nestas e discutidas as condições ecológicas nas quais se estabeleceram as comunidades representadas pelas associações estudadas. Foi documentada preservação abrigada de Eoharpes macaoensis em câmaras de habitação de cefalópodes ortocónicos, interpretando-se um comportamento críptico destes organismos, propondo-se o termo Ocupismo para o designar. Foram também documentadas várias configurações de exúvias de trilobites do Ordovícico Superior português, discutindo-se vários aspetos da ecdise destes organismos. Do ponto de vista biostratigráfico, foi estabelecido um esquema de cinco horizontes que cobre a maioria da sequência do Ordovícico Superior estudada, com aplicação local e regional para a Iberoarmórica, os quais foram correlacionados com o esquema biozonal de trilobites desta região. Estes dados permitiram atualizar a escala biozonal de trilobites do domínio iberoarmoricano, sugerindo-se que a Biozona de Cekovia perplexa seja substituída pela biozona de associação Cekovia perplexa Parillaenus? creber, a extinção da Sub-Biozona “Stenopareia” cf. oblita e a substituição da Sub-Biozona Holdenia insculpta por uma biozona de conjunto Holdenia insculpta-Phillipsinella lusitanica. Adicionalmente, sugeriu-se a biozona de intervalo Eudolatites-Dalmanitina, restrita ao Berouniano e útil para definir o início e final do Berouniano na Província de Alta Latitude. Foram também identificadas pela primeira vez em Portugal associações representantes das faunas de Foliomena e de Hirnantia. Do ponto de vista paleobiogeográfico, as associações de trilobites do Ordovícico Superior da ZCI portuguesa enquadram-se na Província de Alta Latitude, a qual mantém uma assinatura endémica para o grupo até ao final do Berouniano. O registo de uma elevada diversidade (24 espécies) durante esta idade, coloca de parte as interpretações anteriores de que o Berouniano iberoarmoricano estaria caracterizado por uma baixa diversidade, resultado da sua localização subpolar. Para o Kralodvoriano, documentaram-se intercâmbios faunísticos em sentido inverso ao usualmente registado durante o Evento Boda. Assim, sugere-se que a redução de endemismo a nível global que marca o Katiano superior estará relacionada não apenas com a chegada a este biochorema de taxa de baixas latitudes, mas também com a expansão de vários géneros até então endémicos da Província de Alta Latitude para outros domínios, alguns dos quais se tornaram posteriormente taxa cosmopolitas e comuns nas associações pouco diversas e oportunistas que caracterizam os depósitos do Hirnantiano.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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Número da atribuição

SFRH/BD/73722/2010

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