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Projeto de investigação

CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA DE GÉNERO À LUZ DAS GRANDES MUDANÇAS SOCIAIS OCORRIDAS EM PORTUGAL NO ÚLTIMO QUARTEL DO SÉC. XX

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Trabalhadoras, domésticas, mães : uma análise critíca de construções discursivas de identidades femininas de duas gerações de mulheres portuguesas
Publication . Mestre, Maria Krebber; Gouveia, Carlos Alberto Marques
Só em 1974, depois da revolução de Abril derrotar o regime salazarista/marcelino, as mulheres portuguesas se tornaram cidadãs de pleno direito – relativamente tarde, em comparação com o que aconteceu noutros países europeus. Quarenta anos depois, a situação das mulheres em Portugal é caracterizada por uma ambiguidade. Por um lado, há um número elevado de mulheres a trabalhar a tempo inteiro, por outro, as mulheres ainda carregam a maior parte da responsabilidade com o cuidar das crianças e o trabalho doméstico. Esta tese pretende analisar criticamente as representações das identidades relacionadas com estas três áreas de ação feminina: trabalho fora e dentro de casa e maternidade. Para este propósito, entrevistei quarenta mulheres portuguesas de duas gerações, questionando-as sobre a sua experiência em relação a estas áreas. As transcrições das entrevistas foram submetidas a uma análise discursiva, seguindo os pressupostos teórico-metodológicos da Análise Crítica do Discurso e da Linguística Sistémico-Funcional, com um foco particular na análise da Transitividade, da Avaliatividade e da Modalidade. Os resultados destas análises foram postos em relação com as variáveis de caracterização social das entrevistadas, como idade e nível educacional. Em termos muito gerais, a análise demonstrou que ser trabalhadora e ser mãe são duas identidades fundamentais para as mulheres entrevistadas. As identidades relacionadas com o trabalho fora de casa estão ligadas à noção da mudança nas relações de género, no sentido da criação de igualdade de género, enquanto as identidades relacionadas com o trabalho doméstico e com a maternidade mostram traços evidentes de persistência de desigualdades. No que diz respeito às desigualdades no trabalho fora e dentro de casa, são construídas de forma explícita e crítica, enquanto as desigualdades relativamente à maternidade são mais frequentemente naturalizadas e aceites. As representações mostraram ser influenciadas pelas variáveis idade e nível educacional, embora não de uma forma muito clara e inequívoca.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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Número da atribuição

SFRH/BD/71242/2010

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