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Projeto de investigação
O IMPACTO DA FORMAÇÃO PÓS-GRADUADA DOS PROFESSORES NAS ESCOLAS
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A avaliação do impacto da formação pós-graduada nos professores e na escola : dois estudos de caso
Publication . Milheiro, Ana Rita Faria da Ponte, 1988-; Reis, Pedro, 1965-; Peralta, Maria Helena, 1947-
A presente investigação pretendeu estudar o impacto da frequência de cursos de pós-graduação – pós-graduação, mestrado e doutoramento – num conjunto de professores do ensino básico (EB) e do ensino secundário (ES) situados profissionalmente num agrupamento de escolas da rede pública e num Colégio privado. Este estudo emergiu na sequência de uma investigação mais ampla desenvolvida a nível nacional – Conhecimento profissional docente – construção e uso - com o objetivo de avaliar as implicações da formação pós-graduada (FPG) de professores nas escolas onde prestam serviço. Assim, dando seguimento a esta linha de investigação procurámos compreender o impacto da FPG a três níveis: nas salas de aula (micro-impacto), nas escolas (meso-impacto) e nas práticas investigativas e educativas na comunidade (macro-impacto), e apresentar recomendações para potenciar os efeitos da FPG nas escolas e da sua rentabilização pelos órgãos de gestão. A relevância, a pertinência e a atualidade deste estudo remetem-nos para o aumento, em Portugal, nos últimos anos, da frequência de cursos pós-graduados por professores (Araújo & Bento, 2008; GPEARI, 2011). No entanto são poucos os estudos realizados neste domínio, quer nacional quer internacionalmente (e.g. Kuenzer & Moraes, 2005; Cruz, Pombo & Costa, 2008; Araújo & Bento, 2008; White, Fox & Isenberg, 2011) e não há dados sobre o impacto desta formação nas escolas onde estes professores desempenham funções. A acompanhar todo o processo foi fundamental a construção de um quadro teórico de referência em torno de três grandes áreas: Currículo e Pedagogia no Ensino Superior, Formação Pós-Graduada e Avaliação do Impacto da Formação. Esta investigação, de natureza qualitativa, para a qual foi adotada uma abordagem interpretativa, contemplou cinco fases de desenvolvimento. A primeira fase implicou a leitura e análise dos questionários aplicados pela equipa do estudo mais abrangente, com o objetivo de compreender a distribuição, de caracterizar e de identificar as responsabilidades e as implicações das FPG frequentadas por professores a nível nacional. Esta fase remeteu-nos para um segundo momento com a descrição e análise dos perfis curriculares de alguns dos cursos de FPG mais frequentados pelos professores em Portugal, através da análise documental. A terceira fase destinou-se à investigação empírica com a realização de dois estudos de caso. Nesse momento foi aplicado um novo questionário e realizadas entrevistas semi-diretivas com o objetivo de caracterizar a população respondente, de sinalizar os docentes com FPG e de compreender as perceções dos professores pós-graduados e daqueles que ocupam cargos de liderança. Seguiu-se a descrição e análise de perfis curriculares, desta vez, de cursos pós-graduados frequentados por alguns dos professores participantes na investigação, após a qual se procedeu a uma análise de conteúdo de todos os dados recolhidos. A quarta fase da investigação foi dedicada a uma reflexão, articulação e integração dos resultados obtidos nos momentos anteriores, levando à apresentação de conclusões que possibilitaram compreender o impacto da FPG frequentada por professores ao nível micro, meso e macro. A estes níveis associou-se um novo nível, não previsto, que designámos por auto-impacto, enquanto impacto pessoal, reconhecido pelos entrevistados, tendo sido igualmente considerado no estudo. O impacto da FPG revelouse como uma mais-valia sobretudo no campo do desenvolvimento pessoal, profissional, comportamental, pedagógico e didático, na aquisição de conhecimentos, no desenvolvimento de competências e em mudança de atitudes com implicações nos diferentes níveis de análise e, em última instância, nas aprendizagens dos alunos. Tratase, sobretudo, de cursos pós-graduados inseridos na área educacional no domínio das Ciências da Educação e com efeitos implícitos na escola e nas práticas investigativas e educativas na comunidade. A quinta fase destinou-se à elaboração de propostas relativamente à gestão escolar e à gestão curricular para as escolas e para as Universidades de forma a potenciar o impacto da FPG. Estas sugestões têm o intuito de sustentar a reflexão aquando da conceção de cursos de FPG cujos destinatários são professores do EB e do ES, de modo a potenciar o impacto nas escolas e a sua rentabilização pelos órgãos de gestão. A investigação revelou que a FPG é assumida pelos docentes com cargos de gestão e liderança escolar como um contributo para a maior eficácia das escolas e para a melhoria do ensino e da aprendizagem. No entanto, esta formação nem sempre é considerada na atribuição de cargos ou funções, sendo priorizando o perfil e a experiência. Neste âmbito foi também evidenciada a falta de apoios e de rentabilização das FPG realizadas por docentes. A concretização desta investigação permitiu compreender e questionar diferentes dimensões do currículo (um conceito marcado por uma instabilidade conceptual por parte dos diferentes participantes) e das práticas profissionais dos professores. Possibilitou, ainda, aprofundar o conhecimento sobre a problemática, fundamentado por dados empíricos associados ao retorno do investimento em FPG e ao impacto destas formações nos diferentes níveis de análise.
Unidades organizacionais
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Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/87243/2012
