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Projeto de investigação
DO NATURALISMO AS CIÊNCIAS MODERNAS NOS AÇORES COM FRANCISCO AFONSO CHAVES 1857-1926
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Do naturalismo às ciências modernas nos Açores : ensaio biográfico de Francisco Afonso Chaves (1857-1926)
Publication . Tavares, Maria da Conceição da Silva, 1954-; Simões, Ana, 1958-
A vida e a obra de Francisco Afonso Chaves (1857-1926) são tratadas, nesta tese, de um ponto de vista biográfico, que abre espaço à compreensão articulada dos seus contextos científico, institucional, de relações internacionais e de génese política e cultural dos tempos modernos nos Açores. O percurso deste homem das ciências oitocentistas contribui para uma leitura inteligível da actualidade e para a construção da história dos Açores. O que passa por recuperar a memória de Afonso Chaves, construindo um discurso histórico fundamentado e regido pelos actuais padrões metodológicos da história das ciências. A emergência no século XIX das ciências da Terra e do Mar e o incremento científico da meteorologia entraram em fase decisiva na altura em que Afonso Chaves chegava à vida adulta e evidenciava uma forte vocação científica. Começando pela astronomia e pela história natural, tornou-se um perito em zoologia e colaborador internacional, ao mesmo tempo que cultivava o coleccionismo naturalista e a divulgação pública das ciências. Até que o seu caminho se cruzou com o das explorações oceanográficas do Príncipe do Mónaco. Este projectou para os Açores um serviço internacional de meteorologia, e escolheu Chaves para colaborador. Fundamental para o desenvolvimento das previsões meteorológicas na Europa, o programa derrapou nas tensões internacionais que então se viviam no Atlântico. O rei D. Carlos e o primeiro ministro Hintze Ribeiro decidiram, então, redireccionar o projecto para o plano nacional, criando o Serviço Meteorológico dos Açores. Afonso Chaves e o Príncipe do Mónaco tinham em comum a sua natureza de outsiders do sistema académico e científico, personificando um tipo de colaboração que não era amadora, nem formalmente profissional. Ambos se situaram num plano activo de mediação, que resolvia problemas, gerava sinergias e estimulava os interlocutores. Mediadores por excelência, activavam a circulação de pessoas, objectos e publicações, que forjava novos conhecimentos, e foram incansáveis negociadores e construtores de relações culturais, institucionais e científicas. Ao longo de trinta anos, Afonso Chaves foi implantando o Serviço Regional dos Açores numa dimensão espacial e geográfica que deixou para trás a lógica da fragmentação insular, por imperativo de escala das próprias ciências que trabalhava – a meteorologia, a sismografia e o geomagnetismo. Residindo na ilha de S. Miguel, Chaves viajava regularmente entre as várias ilhas e fazia largas permanências nas Flores e no Faial, fazendo de todo o arquipélago o seu espaço de trabalho – uma prática que estimulou uma percepção unitária e alargada do espaço geográfico. Chaves não se limitou a usar os instrumentos das ciências; ele foi construindo uma unidade visual da diversidade natural do arquipélago através da fotografia – uma ferramenta pioneira de reconhecimento entre as ilhas e de subtil integração espacial. Afonso Chaves não aparece no movimento político e social pela autonomia administrativa, que agitou a ilha de S. Miguel no final do século XIX, e que, mais tarde, se alargou ao arquipélago. Chaves não gostava de política, mas participou nesse momento histórico de afirmação insular, cultivando uma atitude de autonomia, quer pessoal como institucional, e abrindo caminhos técnico-científicos e visuais na senda da futura concepção unitária dos Açores.
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Número da atribuição
SFRH/BD/45609/2008
