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Inactivation of antibiotic-resistant bacteria present in water using light emitting diodes and a photocatalytic membrane reactor
Publication . Lopes, Lisandra Sofia Seixas; Pereira, Vanessa; Chambel, Lélia Mariana Marcão
O aumento de bactérias resistentes a antibióticos constitui um problema de saúde pública a nível global. Os microrganismos podem ser naturalmente resistentes ou adquirir resistência, facilitada pela transferência horizontal de genes. O uso generalizado de antimicrobianos, principalmente antibióticos, promove o aumento de bactérias resistentes, diminuindo a eficácia dos agentes no tratamento de infeções. Fatores como a presença de antibióticos na água, geram uma pressão seletiva que promove a aquisição dos genes que conferem resistência a diversos antibióticos. As águas residuais são um dos ambientes propícios à propagação de bactérias resistentes a antibióticos pelo meio ambiente. Deste modo, o desenvolvimento de sistemas de desinfeção eficientes, principalmente no tratamento de águas, é fundamental para controlar os riscos para a saúde que os microrganismos podem trazer. Ao mesmo tempo, a falta de acesso a água potável para consumo humano é também um problema mundial. Em diversos países em desenvolvimento ainda não existem sistemas de tratamento de águas, e por isso existe um grande consumo de água contaminada, que é um fator de risco para doenças infeciosas, como cólera e diarreia. Estes ambientes, além da propagação de doenças infeciosas, são propícios ao aparecimento de bactérias resistentes a antibióticos, que também contribuem para a propagação das mesmas doenças dificultando o seu tratamento. É por isso importante desenvolver sistemas capazes de reter e inativar microrganismos patogénicos, incluindo bactérias resistentes a antibióticos, e outros contaminantes, como pesticidas e metais pesados presentes na água, contribuindo assim para um consumo seguro. Neste trabalho, um tratamento com díodos emissores de luz ultravioleta foi testado na inativação de isolados de Escherichia coli resistentes a antibióticos provenientes de três matrizes de água reais: água do mar, água do rio e água residual tratada. As três matrizes de água foram analisadas em termos de coliformes totais, Escherichia coli e enterococcus. Os resultados demonstraram que a água residual tratada tem os valores mais altos para estes três parâmetros, revelando ter a maior diversidade microbiana. A análise em termos de microrganismos totais revelou também que, mais uma vez, a água residual tratada apresenta valores muito superiores aos obtidos para a água do mar e água do rio. Foi ainda realizada uma análise em termos de bactérias resistentes a seis antibióticos, representativos no total de seis classes. Um dos antibióticos testado foi o imipenemo, que normalmente é utilizado em ambiente hospitalar e em último recurso. A contagem de isolados resistentes estimada para este antibiótico revelou ser superior ao esperado, o que poderá dever-se à instabilidade do imipenemo. Dos isolados resistentes a cada um dos seis antibióticos, foram escolhidos 10 que foram previamente identificados como E. coli. Estes 10 isolados, cinco multirresistentes, foram posteriormente submetidos a um tratamento de inativação. Assim, díodos emissores de luz com comprimentos de onda de 255 nm e 265 nm foram escolhidos, pois 255 nm é próximo do comprimento de onda de emissão das lâmpadas de mercúrio (254 nm), e 265 nm é o comprimento de onda de absorção do DNA, podendo, por isso, provocar mais danos no DNA bacteriano. Estes dois comprimentos de onda foram utilizados quer para o tratamento por fotólise direta, quer para o tratamento utilizando reatores híbridos que combinam fotólise e filtração com díodos emissores de luz ultravioleta e membranas de carbeto de silício, respetivamente. Este tipo de membranas já foram testadas e comprovaram ser eficazes na retenção e inativação de microrganismos com a ajuda de díodos emissores de luz ultravioleta. Aplicando apenas o tratamento com díodos emissores de luz ultravioleta que emitem nos 255 nm foi possível obter uma redução logarítmica superior a 4. O tratamento com os díodos emissores de luz ultravioleta que emitem no comprimento de onda dos 265 nm permitiu uma taxa de desinfeção mais elevada, cerca de 7 log, aplicando uma dose de ultravioleta de 4 mJ/cm2 . Estes valores correspondem a um tempo de exposição à radiação de 5 min. Comparativamente, utilizando díodos emissores de luz ultravioleta que emitem no comprimento de onda dos 255 nm, com o mesmo tempo de exposição de 5 min, o valor mais alto foi de 5 log correspondente a uma dose de ultravioleta de 2 mJ/cm2 . A suspensão bacteriana foi ainda exposta à mesma dose de ultravioleta de 2 mJ/cm2 para ambos os comprimentos de onda. Esta dose corresponde a 5 min de exposição ao comprimento de onda de 255 nm e 2,5 min de exposição a 265 nm. Estas amostras foram analisadas em termos de dímeros de ciclobutano de pirimidina. Os dímeros de pirimidina revelam o dano causado pela radiação ultravioleta no DNA bacteriano. Os resultados demonstraram que efetivamente a radiação aplicada causou danos no DNA das bactérias, incluindo as multirresistentes, sendo provável obter uma maior concentração de dímeros com maiores tempos de exposição. Uma amostra de água residual tratada foi também submetida a este tratamento com díodos emissores de luz, e os valores de desinfeção foram ligeiramente mais baixos uma vez que se trata de uma matriz real e por isso contém mais matéria orgânica que pode interferir com a penetração da radiação. Após submeter a suspensão bacteriana a um sistema de filtração utilizando membranas de carbeto de silício em combinação com díodos emissores de luz ultravioleta, uma rejeição superior a 99,845% foi atingida, revelando a capacidade das membranas para reter E. coli. Apenas a filtração, sem a aplicação de radiação ultravioleta, reteve 75,655% dos microrganismos. O sistema de díodos emissores de luz revelou-se também eficiente não só na capacidade de obter um permeado limpo, como também no tratamento do retentado. A aplicação do sistema de díodos emissores de luz permitiu assim efetuar filtração de uma amostra contaminada com E. coli e, ao mesmo tempo inativar as bactérias presentes na amostra que não é filtrada, com um tratamento superior a 99,985%. Bactérias bioluminescentes foram também testadas neste trabalho, utilizando a bioluminescência como um método alternativo para inativar bactérias resistentes a antibióticos. A bioluminescência pode ser observada em diversos organismos, mas os mais comuns são as bactérias bioluminescentes que atuam muitas vezes em relações de simbiose com outros organismos vivos, como o peixe-lanterna. As bactérias bioluminescentes já são exploradas em áreas da biotecnologia e recentemente têm vindo a ser estudadas no desenvolvimento de sistemas de iluminação independentes de energia. Neste trabalho, foi utilizada uma estirpe de E. coli geneticamente modificada. A bactéria foi previamente transformada com um vetor de expressão com vários elementos: gene de resistência à kanamicina como marcador, e o promotor do operão lac para controlar a expressão dos genes do operão lux. O operão lux proveio de Photobacterium leiognathi subsp. mandapamensis 27561. Adicionalmente tinha ainda um gene extra, luxF, que permite obter uma maior intensidade da bioluminescência. Assim, uma suspensão de bactérias bioluminescentes em conjunto com membranas fotocatalíticas modificadas com ureia foi utilizada para verificar se a bioluminescência é capaz de ativar as superfíciesfotocatalíticas e assim levar à inativação de bactérias resistentes a antibióticos. Os resultados mostraram que a bioluminescência, a uma intensidade de 10 u.a., não foi suficiente para induzir a inativação de bactérias resistentes a antibióticos. No entanto, este método deve ser novamente testado uma vez que pode ter um futuro promissor na criação de sistemas de tratamento de água independentes de energia. Díodos emissores de luz ultravioleta continuam a revelar ser altamente eficientes na inativação bacteriana, e devem continuar a ser estudados de forma a alcançar a inativação de genes de resistência a antibióticos.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

3599-PPCDT

Número da atribuição

PTDC/EAM-AMB/1561/2021

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