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Exploring cellular mechanics in ARSACS : an AFM-based analysis of elasticity and viscoelasticity
Publication . Belo, João Augusto Antunes; Rodrigues, Mário; Herrera García, Federico
Studying cell mechanical properties is crucial for understanding various biological processes and disease mechanisms. Incorporating both elastic and viscoelastic properties into the analysis allows for a more complete understanding of cellular mechanics and supports biomedical applications. While measuring viscoelasticity in cells is challenging due to their complexity and current technological limitations, advances in measurement techniques are enhancing our ability to study these properties. This knowledge is essential for accurately modeling biological systems and has significant implications for understanding health and disease. This study explores the impact of cytoskeletal alterations on single-cell mechanical properties, including stiffness, elasticity, and viscoelasticity. These properties were studied by disrupting the cytoskeleton, particularly the intermediate filaments (IF). This disruption was achieved in two ways: first, using C6Sacs−/− cells, a cellular model for ARSACS (a disease known to impair intermediate filaments); and second, pharmacologically by incubating healthy C6 cells with Withaferin A, a naturally occurring steroidal lactone, that has also shown to cause intermediate filament disruption. To obtain the mechanical properties of the cells, cells were studied using Atomic Force Microscopy (AFM). The data was analysed using Hertz model to obtain the Young’s modulus for approach and retract curves. The Hertz model chosen was the parabolic approximation for a spherical indenter, which was compared to a more robust approximation of a spherical indenter obtained from the Sneddon solution to the contact problem. To obtain the viscoelastic properties, E1, E2, τ and η, the data was analysed using a modified SLS model. Average values for topography, Young’s modulus, and viscoelastic parameters were calculated for wild-type (WT), mutant (MT), WT treated with Withaferin A (WFA), and WT treated with Dimethyl sulfoxide (DMSO). Key differences in cellular mechanics were identified between these groups, providing insights into how cytoskeletal disruptions affect cellular behaviour, particularly in diseases like ARSACS.
Incorporating the genomic signature of environmental Mycobacterium bovis into transmission models of animal tuberculosis under a phylodynamics conceptual framework
Publication . Pereira, André C.; Cunha, Mónica Vieira; Salvador, Liliana
Animal tuberculosis (TB) remains an impacting animal and public health problem worldwide. This disease, affecting a wide range of mammal species, is primarily caused by Mycobacterium bovis. National authorities tackle animal TB mainly through culling programmes focused on cattle, overlooking transmission in wildlife and infection via the environment. This dissertation thus aimed at improving our understanding of the transmission processes of M. bovis/M. caprae at interfaces, via the development, application, and integration of novel tools to support data-driven intervention. We developed eco-phylodynamic frameworks informed by pathogen whole genome sequencing (WGS) data, representing a multi-host transmission system in Portugal, at the livestock-wildlife interface. We found evidence for the co-circulation of M. bovis Eu1, Eu2, and Eu3 clonal complexes, enlightening Eu2 emergence and spread processes, showing most host transitions are intraspecific, while interspecific transmission between wildlife species, and between wild boar and cattle, are highly supported. We report the first phylodynamic analysis of Eu3 in Iberia and, via ecological modelling, we show most host transitions occurred toward higher temperature and precipitation and lower agriculture, road, and host density. Phylogeographic reconstruction evidenced frequent transmission between two ecological clusters, representing an ecological corridor of unrecognised importance. Due to the historic inability to isolate environmental M. bovis, in this dissertation, an innovative single-cell workflow was developed, enabling quantification and sorting of viable and dormant M. bovis cells from natural substrates, showing widespread environmental contamination in animal aggregation spots. Whole genome enrichment and WGS enabled assessment, for the first time, of phylogenomic relatedness of environmental and animal M. bovis strains, showing these genomes are highly intertwined, with data supporting environmental contamination by shedding animals and pointing the environment as source of new infections. This dissertation offers ground-breaking insights, with implications for animal TB policy formulation, advocating the inclusion of genomic and environmental surveillance in control programmes.
Valorização, impactos e utilizações dos recursos florestais da província da Huíla (Angola)
Publication . Kissanga, Raquel; Catarino, Luís; Hanson, Cristina Máguas; Cabral, Ana I. R.
Na África Austral, mais da metade da sua superfície é ocupada por floresta aberta e savana arborizada. As florestas de Miombo e de Mopane são das mais representativas em África e cobrem mais de 80% do território angolano. Inúmeros produtos florestais lenhosos (i.e., madeira, carvão e lenha) e não lenhosos (i.e., medicamentos, alimentos, fibras, óleos e resinas) em diversos países africanos são extraídos e valorizados pelas comunidades rurais e urbanas, com um impacto socioecómico na economia e, sobretudo, na renda das famílias mais pobres. A população africana está a crescer exponencialmente, particularmente nas zonas urbanas, mas não acompanhado com o desenvolvimento económico, uma vez que aumenta o índice de desemprego, baixando o poder de compra. Grande parte das pessoas que vivem nas comunidades rurais recorrem à exploração de produtos florestais para subsistência, vendendo os mesmos aos habitantes das zonas urbanas, para a obtenção da renda familiar. Esses produtos são vendidos nos mercados dos centros urbanos, periferias e ao longo das estradas. A valorização dos produtos florestais, sobretudo em África, é uma mais-valia, mas a sustentabilidade e o impacto decorrente da utilização desses recursos tem sido palco para muitas discussões, ao nível global. Neste contexto, a presente tese, dividida em seis capítulos, abordou um conjunto de questões relacionadas com a valorização e impacto da utilização dos produtos florestais lenhosos e produtos florestais não lenhosos alimentares no sudoeste de Angola. O capítulo 1, introdutório, apresenta o estado da arte, caracterização da área de estudo e os objectivos da tese. Os capítulos 2 e 3, debruçaram-se sobre a dinâmica do uso do solo e do impacto da utilização dos produtos florestais lenhosos, na evolução das florestas, sobretudo do carvão. Analisaram-se as tendências das mudanças na cobertura do solo no sudoeste de Angola nas últimas décadas (1990-2019), que podem estar relacionadas com a dinâmica social e demográfica nesta região. As principais transições da cobertura do solo ocorreram no sentido de floresta (floresta de Miombo e floresta de Mopane) para savana, de savana para agricultura e solo nu, significando desflorestação e degradação florestal. A tendência inversa também ocorreu, principalmente no período da guerra civil (1990-2000). Taxas de desflorestação anual muito altas foram obtidas, em particular na última década (2009-2019) no município de Cacula. As cidades cresceram exponencialmente, triplicando a área urbana, principalmente a cidade do Lubango, enquanto o município de Cacula cresceu a área agrícola. Zonas reflorestadas, para além do êxodo rural durante o período de guerra, podem indicar maior fiscalização governamental e latifúndios, enquanto as zonas severamente desflorestadas podem estar ligadas a um aumento das vias de comunicção, infraestruturas e centros urbanos. O carvão é um dos produtos florestais mais consumidos pela população urbana na região, sendo que cada família rural produtora de carvão pode usar 17 a 26 hectares de floresta por ano. Outros resultados importantes obtidos foram em relação à evolução das florestas. A floresta de Mopane pode levar mais tempo para a regeneração quando comparada com a floresta de Miombo, uma vez que desenvolve em zonas de clima e solo menos favoráveis. No entanto, o corte selectivo das espécies carbonizáveis nas duas formações não afecta significativamente a biodiversidade, ao contrário da actividade agrícola, uma vez que uma parte do caule e da raiz das árvores abatidas permanece no solo e todas as espécies regeneram por toiças. Nos capítulos 4 e 5, são referidas alternativas de utilização dos produtos florestais mais sustentáveis, em particular através da valorização dos produtos florestais não lenhosos alimentares. Foram estudados dois tipos de produtos dentre os mais comercializados ao longo do ano na região sudoeste de Angola, nomeadamente folhas de plantas silvestres, denominadas “lombi” e cogumelos selvagens, respectivamente. Como resultado, foi possível caracterizar morfologicamente as espécies, as técnicas de colheitas, de armazenamento e de venda dos produtos alimentares pelas comunidades. Foi também possível identificar as propriedades nutricionais e bioativas importantes, inclusive o perfil molecular no caso dos cogumelos, quase todos pela primeira vez em Angola. Os estudos sobre as alterações do coberto do solo, e o efeito da exploração das espécies lenhosas na estrutura e composição das florestas, podem auxiliar nas medidas de gestão dos recursos florestais. Além disso, uma maior valorização dos recursos florestais não lenhosos pelas populações de Angola é uma mais-valia na mitigação dos impactos que advêm da exploração dos recursos florestais.
Grapevine subtilisin-like proteases and Plasmopara viticola serine protease inhibitors in the defence – offense interaction
Publication . Gouveia, Catarina; Figueiredo, Andreia; Malhó, Rui; Buchholz, Guenther
Grapevine (Vitis vinifera L. subsp. sativa) is one of the most cultivated fruit crops worldwide. However, is highly susceptible to several pathogens which poses a severe threat to production yields. One of the most devastating diseases is the grapevine downy mildew caused by the obligate biotrophic oomycete Plasmopara viticola (Berk. & M.A. Curtis) Berl. & De Toni. This pathogen was introduced in Europe in the mid19th century and led to the near-collapse of European viticulture only some years later. To manage this disease several preventive applications of pesticides are used but more sustainable approaches such as breeding for resistance are being conducted. As such, most of the research in the field of grapevine-pathogen interaction is still focused on increasing knowledge of how the plant activates defence pathways. However, the success of the breeding programs depends also on a deep knowledge of this pathosystem. Not only on the identification of strong resistance-associated candidate genes for introgression from the resistance carriers and hybrids, but as well as on the interacting players in the plant-pathogen offense-defence, as plant defence proteins/ enzymes and pathogen effectors. The activation of the defence pathways and therefore the establishment of an incompatible interaction depends on the early recognition of pathogens. Among the groups of molecules, that play a role in pathogen recognition and signalling cascades, we focused on plant proteases, particularly in serine proteases, or the subtilisin-like proteases (SBT, subtilases) family. In grapevine, some subtilases were observed to have an enhanced gene expression upon infection with P. viticola in the tolerant cultivar “Regent” and susceptible cultivar “Trincadeira”, as VviSBT4.19. Moreover, some subtilases, as VviSBT5.3, were found to have their expression induced not only in response to the pathogen but also by jasmonic acid, a phytohormone involved in the signalling pathway in biotic stress response. Focusing on the pathogen, apoplastic effectors such as protease inhibitors are necessary for a successful invasion and counter defence. In this context, one hypothesis is that P. viticola may secrete protease inhibitors to block host serine proteases. This doctoral project’s main aim is to understand the role of subtilases in grapevine resistance and the role of serine-protease inhibitors secreted by P. viticola as pathogenicity effectors, particularly to understand the potential crosstalk between grapevine and P. viticola focusing on host subtilases and pathogen serine proteases inhibitors. Several objectives were defined for the analysis of host serine proteases as the analysis of VviSBT4.19 and VviSBT5.3 gene expression in V. vinifera genotypes with different tolerance and Rpv background in a time-course inoculation with P. viticola. Stable transformation of Solanum lycopersicum with constructs for overexpression of VviSBT4.19 and SlSBT4.14, a tomato homolog of VviSBT4.19 to access gene function, and characterization of these Solanum lycopersicum transformed lines. For the analysis of serine protease inhibitors, we identified P. viticola protease inhibitors from the serine family, performed gene expression analysis of these inhibitors and analysis of their subcellular localization and their effect on plant defence mechanism by agroinfiltration in N. benthamiana. Gene expression analysis of two candidate subtilases, VviSBT4.19 and VviSBT5.3a, was performed in seven cultivars with different levels of susceptibility to P. viticola (Chapter II). Two Vitis vinifera susceptible genotypes: “Chardonnay” and “MuellerThurgau” and five tolerant genotypes “Calardis blanc” (Rpv3–1, Rpv3–2), “Cabernet blanc” (Rpv3–1), “Regent” (Rpv3–1), “Solaris” (Rpv10, Rpv3-3) and “Sauvignac” (Rpv12, Rpv 3 − 1) were analysed. Moreover, two P. viticola isolates with different degrees of virulence were tested, avrRpv3 + which is an isolate unable to overcome Rpv3-based resistance and NW-10/16 which was isolated from ‘Regent’ in October 2016 in Neustadt/Weinstr. (Germany). Not only NW-10/16 can overcome the resistance observed in Rpv3 genotypes when infected with the avirulent isolate avrRpv3+, in the susceptible cultivars, “Chardonnay” NW-10/16 also exhibits an increase in sporulation. This higher sporulation on susceptible cultivars might indicate that the isolate NW-10/16 presents a higher aggressiveness. The subtilases display different patterns of expression with the VviSBT4.19 exhibiting only one peak of expression, while VviSBT5.3a presents a bimodal behaviour. Nevertheless, both subtilases presented a more pronounced response to the more aggressive P. viticola isolate, with the difference in gene expression being also dependent on the grapevine cultivar. Our results support the hypothesis that the two subtilases are involved in the early events of the defence mechanisms, being their transcription highly activated in response to a more aggressive P. viticola isolate. The P. viticola isolates were further characterized in Chapter III. The interaction of these isolates with 5 grapevine genotypes with different Rpv loci was analysed. In this chapter, P. viticola development, aggressiveness and the expression of serine protease inhibitors was assessed. The aim was to distinguish two P. viticola isolates through their infection strategy and growth stages, and possible determine if a different gene expression of serine protease inhibitors could be a cause of one of the causes of the increased aggressiveness. The results showed that the isolate NW-10/16 was able to overcome Rpv3 resistance but not Rpv12 resistance. Moreover, it can be considered more aggressive with increased sporulation and increased hyphae growth, with an acceleration in hyphae growth after 36 hours post inoculation. P. viticola serine protease inhibitors gene family was characterized with eight genes encoding for five proteins. From these five serine protease inhibitors, two present highly dynamic pattern of expression depending on the isolate and cultivar. The Pvit020s, a serine protease inhibitor gene that has three identical copies in the genome, plus one containing a mutation which alters 1 aminoacid, present a later peak of expression in the susceptible cultivar but earlier in tolerant cultivars. While Pvit026 has an both a higher expression level and an earlier peak of expression for NW-10/16 compared to avrRpv3+. When comparing the gene expression of both isolates, NW-10/16 presented a higher expression for Pvit026 in all cultivars and Pvit544 in the tolerant and resistant cultivars. The expression patterns indicate a role of serine proteases inhibitors in the pathogen’s counterattack against plant defence. Moreover, we can hypothesize that Pvit026 may be involved in increased aggressiveness, while Pvit544 might have a role as a facilitator to overcome resistance. The function of subtilisin-like serine protease VviSBT4.19 was studied in Chapter IV with the stable transformation of Solanum lycopersicum to obtain transgenic plant lines overexpressing the grapevine VviSBT4.19. To compare, the homolog subtilisinlike serine protease gene from tomato, SlSBT4.14 was also cloned and used for stable transformation. Cotyledons of S. lycopersicum “Hellfrucht” were co-incubated with A. tumefaciens AGL1 for stable transformation. No difference in calli morphology was observed between constructs (T-DNA containing VviSBT4.19, SlSBT4.14 or none). However, calli transformed with the transgene VviSBT4.19 presented a slightly faster regeneration. Three generations of transgenic plant lines were analyzed. For each construct two transgenic plant lines were studied. Morphologically, the overexpression of VviSBT4.19 altered the angle of the tomato leaves, which tended to grow with a vertical orientation. And plants overexpressing SlSBT4.14 tended to be shorter. Another major difference was found in flowering and fruit development. Plants overexpressing VviSBT4.19 and SlSBT4.14 tended to flower later with some not producing fruits and seeds. The resistance to Phytophthora infestans was evaluated for the transgenic plant lines and plants overexpressing SlSBT4.14 were found to be more susceptible. And plants overexpressing VviSBT4.19 tend to present a lower pathogen sporulation, and therefore tend to be less susceptible to P. infestans infection. These results indicate that both subtilases have possible functions in biotic stress response as well as plant development and reproduction. Moreover, the overexpression of VviSBT4.19 and SlSBT4.14 resulted in very different phenotypes regarding growth and biotic stress response, further indicating that these subtilases may participate in different mechanisms. Though the exact mechanism of action remains uncertain. As it was possible to determine in which plant processes these subtilases have probable functions, new experiments can be design and carried out more specifically, and thus further elucidating the subtilases roles in these processes. This thesis is divided in four chapters. The first chapter was written as a review article and the 3 following chapters were written as scientific articles and each has its own abstract, introduction, materials and methods, results and discussion, conclusion, acknowledgments and references.
Characterizing the regulation of the CFTR protein by the kinase GRK5 in cystic fibrosis models
Publication . Caleiro, Mariana Ferreira; Botelho, Hugo Miguel Raposo Correia
A fibrose quística (FQ) é uma doença genética rara que afeta cerca de 160.000 pessoas em todo o mundo e cuja esperança média de vida ronda os 50 anos nos países desenvolvidos graças ao diagnóstico precoce e à disponibilidade de fármacos inovadores e eficazes. Esta doença afeta múltiplos órgãos, tais como as vias aéreas, os intestinos, o pâncreas, o fígado, e é causada pela herança de variantes patogénicas do gene do regulador de condutância transmembranar da fibrose quística (CFTR) em ambos os alelos. O gene CFTR codifica uma proteína com o mesmo nome e cuja função é conduzir iões cloreto (Cl- ) e bicarbonato (HCO3 - ) através da membrana plasmática (MP) das células epiteliais. A CFTR é um canal transmembranar composto por cinco domínios: dois domínios transmembranares (MSD1 e MSD2), dois domínios citosólicos de ligação de nucleótidos (NBD1 e NBD2) comuns entre os transportadores ATP-binding cassete (ABC), e um domínio regulador adicional (RD). Cada MSD é composto por 6 segmentos (TM1–TM6 e TM7–TM12) e forma o poro do canal que permite o fluxo transmembranar de Cle HCO3 - . NBD1 e NBD2 são essenciais para a regulação da CFTR, pois a sua dimerização dependente de adenosina trifosfato (ATP) é necessária à abertura (gating) do canal. Por fim, o RD consiste em uma região intrinsecamente desordenada cuja fosforilação por PKA leva à dimerização dos NBD. Aquando da síntese e enrolamento da CFTR no retículo endoplasmático, ocorre co-transducionalmente uma glicosilação que origina uma proteína imatura que será sujeita ao controlo de qualidade do retículo endoplasmático (ERQC). Encontrando-se corretamente enrolada, é transportada para o complexo de Golgi onde é concluída a glicosilação e alcançada a sua forma madura, que será depois transportada para a MP onde desempenhará a sua função. Até hoje, foram identificadas mais de 2100 variantes do gene CFTR, tanto patogénicas como não patogénicas. As variantes patogénicas podem comprometer o equilíbrio transepitelial de iões de diferentes formas. Atualmente, estas mutações estão agrupadas em 7 classes: Classe I inclui as mutações que prejudicam a produção de CFTR levando geralmente à degradação do mRNA (principalmente mutações nonsense); Classe II inclui mutações que resultam num enrolamento incorreto da CFTR e que levam à sua retenção pelo mecanismo de ERQC e subsequente degradação, reduzindo substancialmente o tráfego de CFTR para a membrana bem como a sua função. A p.Phe508del, a variante mais comum em indivíduos com FQ, é um exemplo de mutação de classe II; Classe III inclui as mutações que afetam o gating do canal; Classe IV inclui mutações que resultam na redução da condutância de Cle HCO3 - ; Classe V inclui mutações que levam à geração de mRNA aberrante por splicing alternativo; Classe VI inclui as mutações que resultam na destabilização da CFTR na MP, por aumento da endocitose ou diminuição da sua reciclagem de volta à MP; Classe VII inclui mutações conhecidas como irresgatáveis visto que inibem a síntese de mRNA e, consequentemente, de proteína CFTR. Quando a CFTR não se encontra funcional na MP, a absorção de fluidos e secreção de iões fica comprometida, o que leva á perda de homeostase transepitelial que resulta na produção de muco espesso. A presença de muco espesso e mais ácido que o normal compromete o normal funcionamento dos cílios resultando na obstrução das vias aéreas e no surgimento de infeções bacterianas recorrentes, capazes de desencadear respostas inflamatórias crónicas que levam à destruição progressiva do tecido pulmonar resultando eventualmente em insuficiência respiratória. A insuficiência respiratória é a principal causa de morbidade e mortalidade entre indivíduos com FQ. Só a partir de 2012, surgiram opções terapêuticas focadas não no controlo dos sintomas, mas sim na correção dos defeitos primários das variantes CFTR patogénicas – medicamentos chamados moduladores da CFTR. Os moduladores aprovados aumentam o enrolamento e o tráfego da CFTR (corretores) ou a abertura dos canais já presentes na MP (potenciadores). Atualmente estão aprovados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA quatro moduladores da CFTR: os corretores lumacaftor (VX-809), tezacaftor (VX-661) e elexacaftor (VX-445), e o potenciador ivacaftor (VX-770). Em 2019, uma combinação de alta eficiência composta por elexacaftor, tezacaftor e ivacaftor, conhecida comercialmente como Kaftrio, foi aprovada para uso clínico. No entanto, estes medicamentos inovadores estão disponíveis apenas para indivíduos com um ou dois alelos p.Phe508del-CFTR. Mesmo para genótipos p.Phe508del-CFTR, estes medicamentos – a única terapêutica que visa a origem da patologia – têm custo bastante elevado, tornando necessário o desenvolvimento de novas terapias para indivíduos portadores de p.Phe508del-CFTR. Por outro lado, apesar de ser a variante mais comum, é de extrema importância o desenvolvimento de opções terapêuticas para indivíduos com FQ portadores de outras variantes. O nosso grupo identificou anteriormente a cinase 5 do receptor acoplado à proteína G (GRK5) como um novo regulador da p.Phe508del-CFTR. Nesse estudo, a regulação de p.Phe508del-CFTR pela GRK5 foi confirmada por meio de silenciamento com siRNAs e inibição com compostos inibitórios específicos. Foi observado que a inibição da GRK5 pode restaurar o tráfego de p.Phe508del-CFTR para a MP e apresenta um efeito aditivo a moduladores de CFTR usados atualmente. No entanto, a base molecular para a regulação de p.Phe508del-CFTR por meio de GRK5 é desconhecida. As cinases do recetor acoplado à proteína G (GRK) são serina/treonina cinases conhecidas por modularem a sinalização de recetores acoplados à proteína G (GPCR), através da sua dessensibilização. Este processo canónico é comum a todas as GRK (GRK1-7) e essencial para a proteção das células e tecidos contra a exposição prolongada a ligantes bem como sustentar a resposta fisiológica contínua a estímulos. A GRK5 está também envolvida noutros processos moleculares tais como: regulação da hipertrofia cardíaca por meio da fosforilação da histona desacetilase 5 (HDAC5), redução da inflamação pela fosforilação de NF-κB p105, aumento da polimerização e agregação de α-sinucleína pela fosforilação da mesma. Até recentemente, todos os inibidores de GRK5 disponíveis eram inespecíficos, inibindo também a GRK2. Alguns exemplos destes inibidores são o Sunitinib, um inibidor do recetor tirosina cinase aprovado pela FDA também capaz de inibir a GRK5, e o Ullrich 57, composto derivado da estrutura indolinona do Sunitinib. Os primeiros inibidores GRK5 seletivos e potentes foram desenvolvidos por Andrew D. White e pelo seu grupo, que geraram uma série de inibidores da GRK5 a partir do scaffold Ullrich 57. Dos inibidores gerados, os três mais seletivos e potentes foram CCG273463, CCG273441 e GRL018-21. Posto isto, o objetivo deste trabalho foi avaliar e caracterizar o resgate do tráfego e da função da p.Phe508del-CFTR aquando da inibição da GRK5, e verificar a existência de aditividade com os moduladores de CFTR VX-661 e VX-445. Para a inibição da GRK5, foi utilizado um inibidor seletivo, CCG273441, tanto sozinho como em combinação com os moduladores referidos. Os nossos resultados permitiram-nos entender melhor o funcionamento da via de sinalização de GRK5-CFTR e como a inibição de GRK5 é capaz de resgatar o tráfego e a função de p.Phe508delCFTR. Foi também possível confirmar a sinergia da inibição da GRK5 com moduladores de CFTR. Uma vez inibida a GRK5, a quantidade total de p.Phe508del-CFTR nas células aumenta, havendo assim mais CFTR disponível para ser corrigida pelos moduladores e consequentemente uma quantidade aumentada de CFTR funcional no MP. Em conclusão, os nossos resultados mostram que a GRK5 regula p.Phe508del-CFTR interferindo ao nível da produção e/ou degradação de CFTR.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

Concurso de avaliação no âmbito do Programa Plurianual de Financiamento de Unidades de I&D (2017/2018) - Financiamento Base

Número da atribuição

UIDB/04046/2020

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