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A acção política e o ideário social de José Relvas 1907 e 1919
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Uma biografia cosmopolita de José Relvas : um «Viajor» entre arte, colecionismo e ação política
Publication . Noras, José Raimundo; PRATES, Nuno; Mangas, Francisco; Polónia, Amélia
Vivências da família Relvas na "Grande Guerra": entre negócios, arte e a política
Publication . Noras, José Raimundo; Prates, Nuno
Nos alvores do que viria a ser a I Guerra Mundial, José Relvas fez o voto de abandonar os cargos públicos, recolhendo-se à sua Quinta dos Patudos, em Alpiarça. A sua atitude teve uma componente política, uma vez que com o seu prestígio de ético-moral de "velho republicano", bem como de reputado gestor e abastado lavrador, pretendia criar um “vácuo” político em torno dos “democráticos”, como confessara a Ramiro Guedes, médico republicano, em Abrantes. Pouco depois da declaração de guerra alemã, em 1916, Carlos Loureiro Relvas foi denunciado por críticas ao regime republicano, depois de criticar a subserviência de Portugal a Inglaterra, num comício público. Na realidade, em 1914, seu pai, ainda como senador, defendera uma política em relação à guerra concertada com Espanha, possivelmente sem necessidade de intervenção no cenário europeu. Simultaneamente, entre Alpiarça, Viseu e Lisboa a família Relvas foi mantendo a suas atividades empresariais (agrícola, imobiliário e financeira), com interesses comerciais fortemente ligados à exportação, tanto para mercados espanhóis e ingleses, como para franceses e mesmo alemães, de entre outros. O sentimento altruísta dos Relvas foi posto à prova antes e durante as crises correlacionadas com a Grande Guerra, como evidenciam as preocupações com os salários expressas na correspondência entre pai e filho. Em simultâneo, a coleção de arte da família diversifica-se, assumindo novas dinâmicas e oportunidades. Numa abordagem breve, partindo de uma sumária apresentação biográfica, pretendemos contextualizar a posição de José Relvas face a participação de Portugal na I Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, procurámos problematizar as várias dimensões (política, negócios e arte) das vivências da família Relvas neste período.
José Relvas (1858-1929) e a defesa do(s) património(s): múltiplas dimensões de um ativista cultural
Publication . Noras, José Raimundo
Salvar a República: entre idealismos e pragmatismos os 62 dias do “governo Relvas” em 1919
Publication . Noras, José Raimundo
José Relvas foi merecedor de grande “capital político” antes e durante a Revolução de 1910, como atestam diferentes fontes da época. Não obstante, as clivagens com o “grupo democrático”, e, em especial com Teófilo Braga, com Bernardino Machado e com Afonso Costa, conseguiu, grosso modo, manter o seu prestígio, quer no campo liberal e conservador, quer entre as chamadas “classes laboriosas”, nos primeiros anos do regime. Em 1914, abandona a política ativa em protesto contra a eleição presidencial de Teófilo e as opções democráticas nos campos diplomático e económico. Ainda antes disso, a João Chagas e a Bernardino Machado afirmava uma posição original para República perante a Guerra, fazendo depender a atuação portuguesa de uma posição (neutral ou beligerante no campo aliado) negociada previamente com Espanha (a “Entente Ibérica”). Tal como a generalidade dos “progressistas” do seu tempo, nunca escondeu simpatias pelo modelo desenvolvimento e pela cultura alemã, vindo em defesa do filho Carlos mediante acusação de “germanofilia” que este foi alvo em 1916.
Apesar de muito próximo dos chamados setores moderados do “sidonismo”, sobretudo no campo agrário, não aderiu ao novo regime. Segundo impressa dos anos 20 terá até recusado a pasta da agricultura. Poderá ter sido essa proximidade a homens como Tiago Sales ou Jorge Nunes a motivar o convite de Canto e Castro para líder do governo de “concentração republicana”, na sequência do fracasso de Tamagnini Barbosa em evitar na prática a guerra civil entre monárquicos, “velhos republicanos” e sidonistas no janeiro de 1919.
Relvas presidiu a um governo onde se reuniram todas as tendências republicanas (sidonistas, democráticos, centristas, evolucionistas, unionistas e socialistas) na sequência da “revolta de Santarém”. A “Monarquia do Norte” era o inimigo comum, mas que República restaurar, não era claro, nem para o próprio governo. Mascarenhas Relvas apresentava um programa audacioso: a dissolução dos partidos da “república velha” e formação de dois blocos (o radical e o conservador) para haver “eleições do ministério do reino”. A República sobreviveria às ameaças políticas e militares do norte, porém o governo de Relvas não chegou a organizar a nova eleição. A nossa pesquisa baseia-se em documentação do Arquivo Histórico da Casa dos Patudos (AHCP), incorporando “novos documentos” sobre o período, como as anotações pessoais de Relvas desse 62 dias em que foi “presidente de ministros”.
O foco principal da nossa análise, desenvolvido na tese biográfica em curso, será centrado nas motivações de Relvas para retomar à atividade governativa no contexto “pós-sidonista”. Entre janeiro e março de 1919, José Relvas tentou mudar o satu quo político, porém entre idealismos e pragmatismos, para "salvar a República" as suas posições parecem sempre ter claudicado. Em simultâneo, procuraremos apresentar uma súmula da legislação promulgada por Relvas neste período, como chefe do Governo e como Ministro do Interior.
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Fundação para a Ciência e a Tecnologia
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SFRH/BD/132222/2017
