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Diet and trophic relationships of top predators in the oceanic region of the archipelago of Madeira
Publication . Romero, Joana; Granadeiro, José Pedro; Catry, Paulo
Os estudos de dieta são um elemento importante na compreensão da ecologia de uma espécie, mas são muitas vezes negligenciados e a sua importância subestimada. A dieta de um organismo permite conhecer o habitat em que o animal vive e as suas adaptações ao meio ambiente, mas também permite saber sobre interações com outras espécies. É a combinação de estudos de dieta de várias espécies que permite construir cadeias alimentares e compreender a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas. A aplicação deste tipo de estudos no meio marinho tem importância acrescida, uma vez que estudos baseados em observação directa não são suficientes. Esta importância é ainda mais acentuada nas regiões oceânicas, onde as densidades de organismos são baixas e o seu estudo é um desafio.
Esta tese tem como objetivo estudar a dieta e as relações tróficas entre os predadores de topo e as suas presas na região oceânica do arquipélago da Madeira. A dieta e as áreas de alimentação de espécies de importância ecológica e económica, como atuns, aves marinhas e pequenos peixes pelágicos, foram estudadas na tentativa de compreender a sua posição e o seu papel na cadeia alimentar deste ambiente oceânico.
A dieta de duas espécies de peixes pelágicos, a cavala Scomber colias e o carapau-negrão Trachurus picturatus, foi analisada com base na identificação do conteúdo estomacal de indivíduos capturados ao longo de um ano, nas proximidades da ilha da Madeira. Ambas as espécies são planctívoras e piscívoras, alimentando-se sobretudo de copépodes calanóides e ciclopóides, e de pequenos agulhões Scomberesox saurus, clupeídeos, apara-lápis Macroramphosus scolopax e mictofídeos.
A dieta do patudo Thunnus obesus e do gaiado Katsuwonus pelamis, foi estudada identificando o conteúdo estomacal de indivíduos apanhados na Madeira e confirmada através da análise de mercúrio nos tecidos dos atuns e de outros dois peixes epipelágicos, a bicuda Sphyraena viridensis e o charuteiro Seriola rivoliana. A dieta de ambas as espécies de atum é composta principalmente por espécies epipelágicas, como a cavala e o peixe-rei Atherina sp., o que contrasta com o comportamento e dieta mesopelágicos do patudo em outras regiões do mundo.
Também investigámos a utilização de recursos marinhos pela gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis atlantis no arquipélago da Madeira. Esta ave costeira mostrou uma grande dependência antropogénica, com elevado uso de ambientes terrestres e associados ao homem. As poucas vezes que utilizou o meio marinho foi, principalmente, à noite e em associação com embarcações de cerco. A sua dieta refletiu este comportamento, sendo maioritariamente composta por resíduos e alguns peixes.
O estudo da variação na composição de espécies epipelágicas na vasta região da corrente das Canárias, foi realizado utilizando as aves marinhas como indicadores. Com recurso a viagens de alimentação e regurgitos de cagarras Calonectris borealis a nidificar nas Ilhas Selvagens, recolhidos por um período de sete anos, este estudo conseguiu detetar uma alteração na comunidade de peixes pelágicos, com um aumento acentuado da população de apara-lápis nos arredores das ilhas Selvagens, em 2017/2018.
Por fim, desenvolvemos um modelo baseado no equilíbrio de biomassas de espécies encontradas na Zona Económica Exclusiva do arquipélago da Madeira, utilizando o software Ecopath with Ecosim. Este capítulo reuniu as informações recolhidas nos outros capítulos e juntou-as aos dados disponíveis na literatura. O nosso modelo estimou uma elevada biomassa de produtores primários, zooplâncton, outros crustáceos e invertebrados, mas também de pequenos peixes pelágicos e mesopelágicos, que foram considerados o principal alimento de predadores de topo. O ecossistema caracterizou-se por um baixo número de ligações entre os níveis tróficos, que está relacionado com uma dieta mais especializada por parte de organismos como golfinhos, aves marinhas e grandes peixes pelágicos. Apesar de o ecossistema ter apresentado um nível trófico médio baixo, o nível trófico das pescas foi bastante alto por, na Madeira, predadores de topo como atuns e peixe-espada, serem os mais pescados. Os predadores de topo também foram considerados importantes modeladores do ecossistema, sendo designados por espécies-chave.
Unidades organizacionais
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Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
3599-PPCDT
Número da atribuição
139554
