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- Evaluating cortical transcriptomic differences between Alzheimer’s disease PSEN1- mutated mouse models and human patients, and their implications in drug developmentPublication . Mendes, Sara Rodrigues; Morais, Nuno Luís Barbosa; Rodrigues, Elsa Margarida TeixeiraA doença de Alzheimer (AD) é uma doença progressiva e irreversível do sistema nervoso central, sendo atualmente a demência mais prevalente a nível mundial, cuja incidência aumenta com o avançar da idade. Esta patologia caracteriza-se pela acumulação extracelular de placas insolúveis de péptido amiloide-beta (A), e pela acumulação intracelular de proteína tau irregularmente hiperfosforilada sob a forma de agregados fibrilares. Outras características patofisiológicas incluem morte neuronal e perda de sinapses, exacerbação do sistema imunitário e inflamação crónica, e atrofia cerebral. O presente rápido envelhecimento da população mundial prevê, com o aumento da proporção de população envelhecida, um igual aumento da prevalência e incidência de doenças neurodegenerativas associadas à idade, como é o caso das demências, categoria em que se inclui a AD. Atualmente não existe um tratamento eficaz que abrande ou impeça a progressão desta doença, o que, simultaneamente com a escassez de aprovação de novos medicamentos que se tem sentido na última década, constitui uma preocupação social, económica e de saúde pública. Adicionalmente, a maioria dos ensaios clínicos em doenças neurodegenerativas, inclusive em AD, apresenta elevadas taxas de insucesso, especialmente a nível dos ensaios de toxicidade e eficácia. O insucesso nesta fase dos ensaios reflete as dificuldades de transpor os resultados obtidos através dos modelos animais durante os estudos pré-clínicos para a doença humana, sugerindo que esta não será bem representada por estes modelos. Neste sentido, é imperativo avaliar as diferenças moleculares que distinguem os modelos animais e os doentes com Alzheimer em termos da fisiopatologia da doença, e também desenvolver diferentes abordagens que possam auxiliar a descoberta de modelos animais mais representativos da AD. Nesse sentido, este projeto propõe avaliar os perfis de alteração de expressão génica (também referenciadas como alterações transcritómicas) entre amostras de cérebro de controlos e doentes com AD, tanto para amostras humanas como para amostras obtidas a partir de modelos animais, sendo que em ambas as espécies as amostras relativas aos portadores de um fenótipo de doença apresentam mutações no gene da presenilina 1 (PSEN1). Com esta abordagem pretendeu-se comparar os perfis de alterações transcritómicas induzidos pela AD no cérebro obtidos para cada uma das espécies através de modelação linear de dados de microarrays, sendo que para essa análise foi considerada, para além da condição (controlo versus doente), outra informação sobre as amostras como a idade do dador. A interpretação biológica dessas alterações transcritómicas foi feita por análise de alguns genes encontrados diferencialmente expressos, e também com recurso a Gene Set Enrichment Analysis (GSEA), um método que identifica as vias metabólicas mais desreguladas, tendo por base o perfil das alterações transcritómicas entre as condições em estudo. As amostras de ratinhos com AD consideradas no presente estudo dividem-se em três categorias: (1) animais com mutações exclusivamente a nível do PSEN1, e animais que adicionalmente são portadores de mutações no gene APP, podendo estes ser (2) heterozigóticos ou (3) homozigóticos. Os três modelos mostraram inexistente ou fraca correlação com a doença humana, aquando da comparação dos perfis de alteração transcritómica. Adicionalmente, os dois primeiros modelos não apresentaram diferenças de expressão significativas entre as amostras controlo e as amostras doentes. Considerando que o modelo homozigótico com mutações em PSEN1 e APP foi o único a apresentar alterações a nível do perfil transcritómico, todas as análises e comparações descritas consideraram apenas estes ratinhos. Os resultados mostram que tanto em humano como em ratinho portadores de doença de Alzheimer existe uma sobre-expressão dos genes envolvidos nos mecanismos de regulação do sistema imunitário, nomeadamente a nível de inflamação crónica, e uma diminuição do transporte de neurotransmissores. As restantes vias mais alteradas com a AD diferem entre humano e ratinho, embora a maioria esteja alinhada com a bibliografia existente sobre a patologia. Algumas vias metabólicas também surgiram inversamente desreguladas entre as duas espécies. Genes envolvidos em vias metabólicas de diferenciação, proliferação e apoptose celular, processamento de DNA e RNA, e mecanismos relacionados com o sistema cardiovascular surgiram sobre-expressos na doença humana; enquanto genes envolvidos em vias associadas com atividade sináptica e neuronal, canais de transporte de membrana, e com a diabetes surgiram sub-expressos. Contrariamente, no caso do ratinho, verificou-se um exacerbar da diabetes, juntamente com o de vias metabólicas relacionadas com a colesterol e interações celulares; e sub-expressão de genes envolvidos na atividade mitocondrial e respiração celular, e em mecanismos de expressão génica, nomeadamente a nível do spliceossoma. Realizou-se também uma análise conjunta dos dados de humano e ratinho, com a qual se observou uma maior variância de expressão génica entre os controlos humanos e os indivíduos doentes humanos, comparativamente com os ratinhos controlo e doentes, reforçando a possibilidade de que o desenvolvimento e a progressão da doença em ratinho não sejam demarcados o suficiente para que, a nível do transcritoma, exista uma explícita diferenciação entre as condições de doença e de não-doença. As diferenças de expressão génica para os dados conjuntos foram modeladas linearmente, incorporando nos modelos, como variáveis, informação não só sobre a idade e condição das amostras, mas também sobre a espécie a que pertencem. Deste modo, foi possível isolar o efeito doença do efeito espécie e obter as diferenças transcritómicas ocorridas mais preponderantemente em humano e em ratinho, bem como as diferenças comuns às duas espécies, ou seja, independentes da espécie. Esta análise revelou que a diminuição da atividade neuronal e sináptica está associada à AD, mas que surge menos afetada nos modelos de ratinho comparativamente aos doentes humanos. Quanto aos genes envolvidos nos mecanismos de regulação do sistema imunitário que também se revelam sobre-expressos na doença geral, encontraram-se mais sobre-expressos na doença humana do que no modelo de ratinho considerado. Estas subtis diferenças entre a informação transcritómica do humano e do ratinho sugerem que as dinâmicas associadas à AD possam ser específicas da espécie, reforçando a necessidade de ajustar os modelos animais para que simulem mais eficientemente a patologia humana. Este projeto teve ainda como objetivo encontrar compostos e perturbações genéticas (knockdowns ou sobre-expressões) com potencial de recapitular as diferenças de expressão mais específicas da AD humana, para que possam ser administrados/manipulados em modelos de ratinho com o intuito de melhorar modelos já existentes ou encontrar um novo e aperfeiçoado modelo animal que replique de forma mais fidedigna as alterações decorridas da doença humana. Adicionalmente, também serão de interesse perturbações químicas e genéticas com capacidade de replicar perfis transcritómicos antagónicos daquele encontrado para a generalidade da doença, que possam ser utilizados como novas terapêuticas ou como objetos de estudo dos mecanismos associados à AD. Para o propósito mencionado acima, recorreu-se à base de dados do Connectivity Map, que inclui informação transcritómica para diversas linhas celulares, antes e após lhes serem administrados diferentes compostos ou alterações genéticas. Usando um software desenvolvido no nosso laboratório, cTRAP, podemos, a partir dos perfis de alteração de expressão genética encontrados no nosso estudo, obter as perturbações químicas e genéticas que recapitulem as alterações transcritómicas do nosso interesse. No tempo do estudo, analisou-se apenas as perturbações químicas, fazendo uma separação entre dois grupos de compostos: (1) aqueles com indicações para doenças do foro neurológico e (2) os com indicação de foro não neurológico. Para cada uma das duas categorias foram selecionados os 10 compostos mais relevantes, isto é, aqueles que estatisticamente estão mais correlacionados com as alterações transcritómicas de interesse. Apenas compostos em fase III de desenvolvimento clínico ou disponíveis no mercado foram considerados. A análise similar das perturbações genéticas fica então referenciada para trabalho a desenvolver no futuro. Adicionalmente, dada a complexidade celular do sistema nervoso central em termos de heterogeneidade e proporção celular, a qual é afetada em estados de doença, e especificamente neste caso de doenças neurodegenerativas, seria de interesse acrescentar uma assinatura que distinga os vários tipos celulares à informação proporcionada ao modelo linear utilizado para derivar os perfis de alteração transcritómica. Desta forma, seria possível distinguir alterações de expressão genética associadas a mudanças na composição celular daquelas relacionadas com mecanismos específicos da AD. O objetivo final do projeto será testar perturbações químicas e genéticas escolhidas cuidadosamente, em linhas celulares e em modelos de ratinho, e testar a sua capacidade em gerar um modelo animal cujo desenvolvimento e progressão da AD seja mais similar ao observado em condições de doença humana; bem como o potencial dos mesmos em reverter características desta patologia.
- Online verbal aggression, social relationships, and self-efficacy beliefsPublication . Ferreira, Paula; Veiga Simão, Ana; Pereira, Nádia Salgado; Paulino, Paula; Oliveira, SofiaThis study aims to understand whether the relationships adolescent bystanders of cyberbullying have with the victim and other bystanders and their self-efficacy beliefs may affect their use of aggressive language online. Students (676, Mage=14.10, SD=2.74, 55.5% male) answered questions about social media use, self-efficacy to solve cyberbullying situations, interpersonal relationships, and their use of verbal aggression to communicate online. Through structural equation modeling, results demonstrated that having a relationship with the victim or other bystanders mediated the relationship between observing cyberbullying behavior and bystanders’ use of aggressive language online. The effect of observing cyberbullying behavior through having a relationship with the victim or other bystanders was lower than its direct effect on adolescent bystanders’ use of aggressive language. Self-efficacy beliefs mediated the relationship between having a relationship with the victim and other bystanders and adolescents’ use of aggressive language online. Implications for intervention in interpersonal communication online are proposed.
- Por que motivos(s) devemos preferir o realismo interno ao realismo externo? Por uma Filosofia do Conhecimento “do universo infinito”, contra a concepção do "mundo fechado"Publication . Mestre, Guilherme Manuel Vaz Pontes Vitorino; Graça, Adriana Silva; Correia, Carlos JoãoA questão que me proponho debater é a seguinte: será que a faculdade humana de conhecer – a razão - tem a capacidade de alcançar o ponto de vista da terceira pessoa, e se sim, em que medida?1 Este é um problema que está bastante em voga actualmente, não só na Filosofia mas, sobretudo, na cultura contemporânea. De tal modo isto é o caso que se torna difícil encontrar uma posição mais moderada neste tema. Tendo em conta este panorama, o meu objectivo é procurar discutir este tema de um modo explícito e como qualquer outro tema filosófico. A minha convicção é que, analisando este tema do modo acima indicado, encontrarei uma posição moderada.
- Minimality and memory in syntactic complexity : an empirical investigation into the processing of relative clauses and control structuresPublication . Delgado, João Pedro ConsciênciaObject relative clauses (OR) are harder to process than subject relative clauses (SR). The complexity of OR has been attributed to intervention of the subject determiner phrase (DP) in the filler-gap dependency, either due to memory decay or interference, or as a consequence of grammatical restrictions on syntactic movement, based on Relativized Minimality (RM). Subject control (SC) structures with ditransitive verbs, but not object control structures (OC), parallel OR in instantiating a filler-gap dependency across an intervening DP. Therefore, it is a question of interest whether SC patterns like OR in terms of processing complexity. Memory accounts of OR complexity expect parallel complexity asymmetries between relative clauses and control structures, i.e. greater processing difficulty with OR and SC than with SR and OC, respectively. Adopting the RM account of OR complexity, on the other hand, parallel asymmetries are expected only if control structures, like relatives, are derived via movement. In this study, 69 participants read sentences and answered comprehension questions in a self-paced reading task with moving-window display, comprising four experimental conditions: SR; OR; SC; OC. Furthermore, participants performed four supplementary tasks, serving as measures of resistance to interference, verbal knowledge, working memory capacity and lexical access ability. The results from the reading task showed that, whereas OR were harder to process than SR, SC was not harder to process than OC, arguing against memory accounts of OR complexity and, adopting the RM account, a movement analysis of control. Furthermore, we found that, although resistance to interference, lexical knowledge and working memory capacity modulated certain aspects of the processing of sentences with relative clauses, OR complexity effects emerging in comprehension accuracy and reading times were not modulated by any of these processes. We thus conclude that OR complexity effects result from a functionally isolated grammatical process, based on RM.
