Browsing by Author "Silva, Marcelo Godinho da"
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- Reavaliação do potencial metalogenético dos domínios anómalos associados às mineralizações auríferas da Faixa Vila Verde - Ponte da BarcaPublication . Silva, Marcelo Godinho da; Gonçalves, Mário Abel Carreira, 1965-; Batista, Maria JoãoA área de estudo corresponde à faixa de Vila Verde – Ponte da Barca, que se insere no sector NW da Zona Centro-Ibérica. Nesta faixa encontram-se várias ocorrências de mineralizações de Au hospedadas em filões de quartzo, sendo as mais conhecidas as de Godinhaços, Grovelas, Marrancos e Entre Ambosos- Rios. O encaixante é na sua maioria composto por diferentes fácies de rochas graníticas e, na área de Marrancos por sequências de rochas metassedimentares do Silúrico. As ocorrências são conhecidas desde tempos romanos e foram feitos vários estudos anteriores a esta dissertação, existindo inclusive indícios de explorações, como em Marrancos. O objetivo principal desta dissertação é revisitar o conhecimento adquirido sobre a faixa e reavaliar o potencial metalogenético que esta possa ter, principalmente em Au, estudando seis locais de maneira a obter um panorama geral da área. As seis áreas foram Coto da Cruz, Froufe, Godinhaços, Grovelas, Marrancos e Monte das Corujeiras. Para responder a esta problemática o estudo partiu de um relatório técnico que forneceu dados de sedimentos de corrente e dados de mineralometria para toda a região, e dados de geoquímica de solos e geofísicos para as áreas de Godinhaços, Grovelas e Marrancos. Para este conjunto alargado de dados foi possível criar mapas de isoteores, utilizando como método de interpolação o “inverso do quadrado da distância”. Os mapas foram mais tarde filtrados com base em análises multifractais, separando os valores de fundo dos valores anómalos. A conjugação de diferentes mapas permitiu estabelecer relações prováveis entre elementos, indicando que o As é o elemento que melhor se relaciona com o Au, uma vez que os teores mais elevados de As observados no mapa são compatíveis com os locais onde se verificou uma maior contagem do número de partículas de Au. Foram ainda colhidas amostras nas seis áreas referidas de filão mineralizado e, sempre que possível, de encaixante. Estas amostras foram depois descritas em amostra de mão e em petrografia e foi selecionado um conjunto representativo delas para análises de química mineral pontual. As amostras de encaixante correspondentes a rochas graníticas foram processadas para análises de fluorescência de Raio-X. O estudo petrográfico demonstra que a mineralogia principal das mineralizações é constituída por quartzo, sericite, clorite, sulfuretos, principalmente arsenopirite, e minerais secundários resultantes da meteorização, nomeadamente escorodite (Fe3+AsO4·2H2O), hematite e goethite. Registou-se a presença de pelos menos mais três espécies minerais de arsenato, surgindo nas áreas de Coto da Cruz, Godinhaços e Grovelas. O Au está acomodado na estrutura da arsenopirite ou incluso nos cristais, como fundamentado pela química mineral, ou livre no filão como Au nativo ou electrum, habitualmente associado a domínios alterados para escorodite. Associado à arsenopirite encontra-se bismutinite, que nos indica que a arsenopirite precipitou numa altura precoce da circulação de fluidos hidrotermais. As evidências petrográficas indicam o estabelecimento de condições ideais que permitiam a dissolução da arsenopirite, dos bordos para o interior, e consequente precipitação de escorodite. O transporte do Au não é assegurado, uma vez não haver atividade de Cl suficiente para formar complexos aquosos cloretados, e como tal o Au deverá estar retido nos primeiros horizontes do perfil de meteorização. O transporte por outros complexos é inviabilizado pelas condições físico-químicas inferidas para o fluido meteórico atuante. Os resultados obtidos ao longo do presente estudo demonstram que o Au precipitou numa fase precoce do sistema hidrotermal, e o próprio sistema teve uma expressão reduzida a nível regional, associada ao retrabalhamento e mobilização tardia da mineralização, e como tal o potencial da Faixa hospedar mineralizações auríferas economicamente importantes é reduzido.
