Browsing by Author "Cosme, Abigail Tiny"
Now showing 1 - 1 of 1
Results Per Page
Sort Options
- As relações filogenéticas entre os crioulos do Golfo da GuinéPublication . Cosme, Abigail Tiny; Hagemeijer, TjerkEsta tese tem como objetivo medir e avaliar distâncias entre os quatro crioulos do Golfo da Guiné e contribuir para o debate sobre a origem e o desenvolvimento destas línguas utilizando um novo método de análise comparativa. Assumindo a visão da generalidade dos estudiosos (e.g. Günther 1973; Ferraz 1979; Schang 2000; Hagemeijer 2011) de que os quatro crioulos do Golfo da Guiné –designadamente o Santome (falado na ilha de São Tomé), o Lung’Ie (falado na ilha do Príncipe), o Angolar (falado pela comunidade angolar da ilha de São Tomé) e o Fa d’Ambô (falado na ilha de Ano Bom) – constituem uma unidade genética que deriva de um antepassado comum, apresentar-se-á um estudo comparado do léxico e da sintaxe destas quatro línguas. Em relação ao léxico, compilou-se uma lista de léxico básico de Swadesh (1955) de 200 palavras e uma lista de léxico funcional para cada um dos quatro crioulos; para a sintaxe, foi feito um levantamento de traços sintáticos constantes no Atlas of Pidgin and Creole Language Structures (APiCS) (Michaelis et al. 2013), complementado com uma recolha de novos traços relevantes para os crioulos do Golfo da Guiné. Os dados recolhidos foram preparados e classificados para serem introduzidos no SplitsTree4 (Huson & Bryant 2006), um programa de modelos estatísticos e de probabilidades que permitirá visualizar a distribuição dos dados através de redes filogenéticas. Com base nas redes geradas através dos dados lexicais e sintáticos recolhidos, calculou-se a distância a que as línguas se encontram entre si e a respetiva distância ao centro de traços partilhados. A análise destes resultados permitiu-nos verificar o grau de convergência e de divergência entre estas línguas. Concluiu-se que o Santome, ao ocupar sistematicamente a posição de maior proximidade com o centro de dados partilhados, assume um papel de centralidade em relação aos restantes crioulos. Nessa perspetiva, os dados irão ao encontro da hipótese de que o Santome é a continuação do proto-crioulo no tempo e no espaço e que as restantes línguas terão ramificado a partir dele. Verifica-se também que há uma constante relação de proximidade a nível lexical entre o Santome e o Lung’Ie e que o Angolar se posiciona a uma considerável distância em relação aos demais crioulos do Golfo da Guiné. A proximidade entre o Santome e o Lung’Ie pode ser entendida pela relação de vi proximidade e por contacto histórico continuado. O Angolar, embora falado na mesma ilha que o Santome, ocorre em posição periférica, o que corrobora a ideia de que esta terá sofrido um processo de relexificação relacionado com a línguas Bantu (Lorenzino 1998). A nível sintático, o facto de o Fa d’Ambô se encontrar numa posição mais periférica permite-nos estabelecer um paralelo com a hipótese defendida de que esta língua ficou isolada das restantes, tendo evoluído de forma independente.
