Estrela, Maria Teresa, 1936-Espírito Santo, José António Reis do, 1954-2017-09-192017-09-191994http://hdl.handle.net/10451/28976Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação (Análise e Organização do Ensino), 1994A indisciplina na sala de aula constitui um dos sintomas mais significativos do "mal estar" existente nos sistemas de ensino de um grande número de países, afectando particularmente dois dos seus elementos mais importantes: alunos e professores. Se em relação aos primeiros (alunos) os efeitos da indisciplina não são menosprezáveis, dadas as implicações nocivas no que concerne aos seus processos "de aprendizagem e de socialização" (Estrela, 1989: 29), já no que diz respeito aos segundos (professores), inúmeros trabalhos têm evidenciado as repercussões negativas que esta problemática desempenha na sua actividade, devido ao desperdício de tempo e de energia psíquica a que obriga, emergindo, não raro, como um dos factores determinantes do stress docente. Daí que, a capacidade de manter o controle disciplinar na sala de aula, seja uma variável importante na determinação da imagem profissional que o professor tem de si próprio e dá de si aos outros. Não admira, por isso, as frequentes dificuldades que são colocadas aos investigadores que se propõem estudar este tema, sobretudo quando pretendem obter informações através da utilização de métodos de observação directa dos acontecimentos que ocorrem na sala de aula. Não é, também para estranhar, que a preocupação com o controle disciplinar seja um foco importante das preocupações profissionais dos professores -como tem sido evidenciado, de resto, por diversos autores - em especial, como assinala Veenman (1988), citado por Afonso (1991), dos que estão no início da sua actividade profissional. No contexto português, há um trabalho ainda relativamente recente de Cavaco (1990) que dá bem conta destas preocupações dos professores, próprias da fase a que Fuller (1975) chamou de "sobrevivência profissional". A acuidade e a actualidade do estudo deste fenómeno são particularmente evidentes quando se analisa a formação recebida pelos professores, e se constata que, regra geral, a sua preparação, nesta matéria, é escassa ficando estes profissionais durante muito tempo à deriva, até que a experiência adquirida ao longo dos anos os ajude a enfrentar ou a prevenir mais eficazmente as situações de indisciplina. Mas o fenómeno da disciplina/indisciplina concita igualmente a preocupação de outros agentes sociais (pais, políticos, opinião pública em geral) que, directa ou indirectamente, condicionam o que se passa no território escolar. Estando o sistema formal de ensino em crescente expansão (apesar da sua tão propagada crise e declínio), num processo que já foi designado por "pedagogização da sociedade" (Novoa, 1989: 448), tudo o que afecta a instituição escolar não deixa de ter uma enorme repercussão social, detectando-se com frequência na opinião pública a ideia, por vezes reforçada por autoridades científicas, de que a indisciplina dos alunos na escola pode vir , a marcar "o início de uma carreira de delinquência fora dela" (Estrela, Id., Ibid.)1 Todos estes aspectos dão conta da relevância que o estudo desta problemática comporta, o que é, de resto, revelado pelo crescente aparecimento de trabalhos e de investigações que, inspirados nos diversos ramos das Ciências Humanas e Sociais, têm procurado estudar as diferentes e complexas variáveis que nela intervêm. De entre estas investigações, apraz-nos registar o considerável número das que têm vindo a estudar este fenómeno sob um ponto de vista marcadamente pedagógico. (...)porTeses de mestrado - 1994Processo educativoRelações professor-alunoIndisciplina escolarComportamento dos alunosMotivaçãoMetacogniçãoRelação entre representações e comportamentos de indisciplina em alunos dos sétimo e nono anos de escolaridademaster thesis