Canário, Rui, 1948-Sousa, Maria Manuela Barreiros de2018-05-042018-05-041996http://hdl.handle.net/10451/33119Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Pedagogia na Saúde) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1996A Reforma do Ensino de Enfermagem e a sua integração no Sistema Educativo Nacional, ao nível do Ensino Superior Politécnico, despoletou na cena educativa das Escolas de Enfermagem, agora Escolas Superiores de Enfermagem, um cenário de mudança, onde se tornou urgente dar voz aos actores - os docentes de enfermagem. Em 1988 foi emanado o suporte legislativo da reforma e em 1990 começaram a funcionar as escolas superiores de enfermagem, com a implementação do curriculum do Curso Superior de Enfermagem. Desde então, até ao momento presente, os docentes de enfermagem têm vivenciado situações de "confronto" com a integração do ensino de enfermagem no Sistema Educativo Nacional e "caminhando” mais profundamente nesta problemática, vivenciam situações de "confronto" consigo próprios, o que poderá ter proporcionado um questionamento da sua identidade profissional. A possibilidade de passagem de uma carreira profissional com o enfermeiro para uma carreira profissional como docente traz consigo uma verdade implícita: aos docentes de enfermagem é conferida a oportunidade de desenvolverem o percurso profissional ao lado dos seus pares de outras áreas da docência. Esta realidade pressupõe a emergência de um novo paradigma docente, no qual as lógicas de produção de saberes e as práticas pedagógicas se deverão enquadrar de uma forma dinâmica, num contexto de formação que corresponda às necessidades dos públicos escolares, entendidos na dupla vertente docência / discência. O ensino de enfermagem em Portugal possui raízes profundas e já distantes no tempo, sendo o ano de 1947 um marco de referência, uma vez que é previsto em legislação própria que o ensino de enfermagem se insira em cursos gerais e cursos especializados, a decorrer em escolas oficiais e particulares. No âmbito curricular, existia um curriculum para todas as Escolas de Enfermagem, tendo sido nas reformas anteriores emanado pelo poder central situado no Ministério da Saúde e elaborado por grupos de trabalho compostos por enfermeiros nomeados pelo referido ministério. Assim, os programas e as disciplinas curriculares eram iguais para todas as escolas, não tendo, os docentes, papel activo na sua elaboração. Nesta óptica, a reforma curricular constituía um processo que surgia nas organizações escolares vindo do exterior das mesmas, podendo dizer-se que a mudança gerada por esse tipo de reforma era uma mudança por decreto, existindo uma fraca ligação entre os níveis de decisão macro - a lei - e micro - o papel desempenhado pelos professores. Contudo, é importante salientar que, no que concerne à reforma curricular realizada em 1976, existiram reuniões de avaliação onde era possível cada escola apresentar a sua opinião sobre a implementação no terreno do que havia sido elaborado e decidido superiormente. Acontecia, desta forma, a possibilidade de ligação entre o nível de decisão micro e o nível de decisão macro, estando o nível de decisão meso assumido pelas escolas. Havia, assim, uma conjugação dos três níveis de decisão, com o objectivo de obter informações que contribuíssem para dar corpo a uma revisão curricular, cujo efeito obtido seria uma melhor adequação do curriculum aos públicos escolares, a nível docente e discente. A partir de 1988, com a integração do ensino de enfermagem no Sistema Educativo Nacional, foi legislado que cada Escola Superior de Enfermagem elaboraria o seu próprio curriculum, enquadrando-se, deste modo, no contexto existente nos estabelecimentos de ensino superior. Seguindo esta linha de acção, os professores são agentes activos na construção do desenho curricular, eixo fundamental do processo de onde emanam as linhas orientadoras da transmissão de saberes, já que "nas condições de vida moderna, pensar os caminhos da educação, e em particular os do ensino superior, é um imperativo que se coloca a professores, alunos e responsáveis pelos sistemas educativos" (Crespo, 1993, p. 11). Neste cenário de mudança, assiste-se à emergência de conceitos relacionados com as trajectórias profissionais, os percursos de formação, a formação como processo apropriativo e o reconhecimento dos adquiridos que terão, necessariamente, que provocar um protagonismo docente diferente daquele que se vivenciava dentro das escolas, onde "a imagem do professor tradicional tendia a caracterizar-se... pelo imobilismo - o seu papel consistia essencialmente em manter o status quo, em conservar uma situação" (Simões, 1979, p. 124). Porém, o imobilismo tendencial que assumiam alguns docentes, era contrariado por acções ou tentativas de acção desencadeadas por aqueles que desejavam que a escola não fosse um sistema reprodutor de práticas pedagógicas e de produção de saberes, eivados de uma lógica de cristalização da mudança. Torna-se importante (re)pensar que em todos os processos de mudança há uma baixa de produtividade e um aumento de ansiedade face ao incerto e à saída da rotina. O processo em curso nas Escolas Superiores de Enfermagem não é excepção a uma realidade verificada ao longo da história das mudanças dos sistemas de ensino e, consequentemente, das organizações escolares. (...)porTeses de mestrado - 1996Processos e estruturas educativasFormação dos enfermeirosProfessores de enfermagemEscolas superiores de enfermagemCursos de enfermagemIdentidade profissionalDa formação dos enfermeiros à construção da identidade dos professores de enfermagemmaster thesis