Correia, Diogo TellesPadrão, Miguel Zaragoza Pedro de Almeida2022-05-272022-05-272021-07http://hdl.handle.net/10451/53204Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2021No decorrer da história da medicina, o conceito de “doença” tem sofrido varias transformações, fruto da própria evolução do pensamento médico ao longo dos séculos, bem como do seu dialogo interdisciplinar e das preocupações de cada período. Embora abordagens exclusivamente biológicas e psicossociais tenham sido tentadas, um conceito simultaneamente aplicável a perturbações físicas e mentais terá, necessariamente, de assentar em critérios baseados em valores universais. 252 respostas de médicos em diferentes níveis de formação, de diversas especialidades e com o seu curso realizado em faculdades nacionais e estrangeiras foram recolhidas através de um inquérito online não aleatorizado, sendo estas submetidas a posterior tratamento estatístico. No total, 84,06% dos inquiridos preferiu uma definição biopsicossocial de “doença”, com esta opção a ser preferida por clínicos mais novos, no inicio da especialização médica, em psiquiatria, pediatria e ginecologia e com o curso realizado em faculdades portuguesas. Já definições orgânicas de doença são preferidas por médicos mais velhos, em especialidades cirúrgicas e com o curso realizado no estrangeiro ou em Moçambique. Enquanto o primeiro destes resultados deve ser confirmados por estudos longitudinais, os demais permitem-nos concluir que a formação médica em Portugal tem sofrido uma importante mudança de paradigma rumo a uma interpretação biopsicossocial de doença.Throughout the history of medicine, the concept of "illness" has undergone a myriad of transformations, as a result of the very evolution of medical thought over the centuries, as well as its interdisciplinary dialogue and the concerns related to each period. Although exclusively biological and psychosocial approaches have been attempted, a concept simultaneously applicable to physical and mental disorders must necessarily be informed on criteria based on universal values. 252 responses from doctors at different levels of training, from different specialties and with their medical formation done in portuguese and foreign faculties have been collected through a non- randomized online survey, and these have been subject to subsequent statistical treatment. In total, 84.06% of the respondents preferred a biopsychosocial definition of disease, with this option being chosen mostly by younger clinicians, at the beginning of their medical specialisation, in psychiatry, paediatrics and gynaecology and with their medical education in Portuguese faculties. Organic definitions of illness were preferred by older doctors, in surgical specialties and with their practice abroad. While some of these results should be confirmed by longitudinal studies, the others allow us to conclude that medical training in Portugal has undergone an important paradigma shift towards a biopsychosocial interpretation of illness.porDoençaHistória da medicinaCritérios de diagnósticoBiopsicossocialO que acham os médicos que é uma “doença” : o conceito de doença entre os médicos contemporâneosmaster thesis202904679