Leal, InêsDagge, Ana Pereira2018-01-192018-01-192017http://hdl.handle.net/10451/30770Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2017Introduction: Academic dishonesty among students is increasing worldwide. In Portugal, there is scarce evidence available, especially among medical students. The aim of our study is to investigate Portuguese medical students’ perceptions and performance of dishonest behaviors and reasons compelling students to do that. Methods: An online anonymous questionnaire to medical students from 1st to 6th year of five Portuguese medical schools was applied. The survey consisted of questions about self-reported misconduct and their perception of academic dishonesty among colleagues. Results: A total of 612 students’ (27% males) answered the survey (response rate = 5,9%), with a mean age of 22 ± 4 years. The most common self-reported behaviors were asking a colleague to sign a class presence (74%), copying in exams (49%), altering a class registration presence (48%) and previously knowing the answers of an exam (36%). Considering the conduct in exams, 51% of the students admitted having copied at least once, but only 2% were caught. Most students (>70%) would not study less if there was no surveillance or if there were no consequences of doing it. A statistically significant correlation between academic conduct and years of medical school was found, with a worse overall conduct in pre-clinical years. Lack of interest from teachers in students’ learning and unfair evaluation methods were recognized as the main reasons to justify lack of academic integrity. Discussion: A high prevalence of dishonest behaviors exists among Portuguese medical students, even though the majority recognize these as morally reprehensible. A careful analysis of the reasons behind our results may be the backbone of further studies about Portuguese academic integrity. Conclusions: Academic dishonesty exists in Portuguese medical schools. Comprehensive measures are required to promote a culture of integrity.Introdução: A desonestidade académica entre estudantes do Ensino Superior tem aumentado a nível global. A prevalência destas práticas é muito inconstante, variando desde cerca de 2% no Reino Unido até 97% na Croácia. Em Portugal, a evidência existente sobre fraude no Ensino Superior é escassa, sobretudo entre estudantes de Medicina. No único estudo feito até ao momento nesta população específica, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, 6% dos estudantes admitiu ter copiado alguma vez em exames e 91% referiu conhecer alguém que o faz frequentemente. Considerando que as ações que os estudantes levam a cabo durante a sua formação pré-graduada têm um impacto na sua futura ética de trabalho, é essencial promover uma cultura de integridade nas Escolas Médicas. O objetivo deste estudo é investigar as perceções e condutas dos estudantes de Medicina portugueses e o grau de conhecimento dos mesmos em relação à regulamentação existente. Métodos: Foi aplicado um inquérito anónimo online a estudantes de Medicina do 1º ao 6º ano de cinco Escolas Médicas portuguesas. O questionário foi dividido em cinco grupos de questões: (I) dados demográficos e académicos, (II) conduta académica, (III) conduta em exames e regras/legislação, (IV) razões para a desonestidade académica e (V) opiniões e experiência. No grupo II, foram apresentados vários comportamentos e, para cada um, foi pedido que os estudantes indicassem se alguma vez o tinham realizado, se tinham visto outros estudantes fazê-lo e se consideravam o comportamento moralmente repreensível. Para a análise estatística foram criados três scores de comportamento. O Score 1 corresponde aos níveis da questão “Já o fez?”. O Score 2 corresponde aos níveis da questão “Considera o comportamento moralmente reprovável?”. O Score 3 é constituído pela soma dos Scores 1 e 2, pelo que um valor mais alto obtido no Score 3 corresponde a uma pior conduta académica global. No grupo IV foram apresentadas oito frases sobre motivos para a desonestidade académica que foram classificadas pelos estudantes numa escala de Likert de 1 (discordo completamente) a 5 (concordo completamente). Resultados: No total, obtivemos respostas de 612 estudantes (taxa de resposta 5,9%), dos quais 27% do sexo masculino e com uma média de idade de 22 ± 4 anos (média ± desvio-padrão). Os comportamentos mais auto-reportados foram: pedir a um colega para assinar presença numa aula (74%), copiar em exames (49%), alterar registos de presenças numa aula (48%) e conhecer as perguntas de um exame previamente ao mesmo (36%). Em relação à conduta em avaliações, 51% dos estudantes referiu já ter copiado em exames. Dos que admitem ter copiado, apenas cerca de 2% foram surpreendidos a fazê-lo. A maioria dos estudantes acredita não existirem consequências a médio e longo prazo de serem apanhados a copiar, referindo que apenas receberiam um aviso (14%) ou que teriam o exame em questão anulado (67%). A maioria (>70%) não estudaria menos se não existisse vigilância nos exames ou se não houvesse qualquer consequência por copiar. Cerca de 45% dos participantes, acredita que copiar nos exames é um ato deliberado e não motivado por pânico. Os comportamentos mais frequentemente considerados como não sendo repreensíveis estão relacionados com a realização de trabalhos e com a referenciação bibliográfica. Foi encontrada uma relação estatisticamente significativa entre a conduta académica e o ano de curso, com uma pior conduta global nos anos pré-clínicos. Não existe uma relação estatisticamente significativa entre a conduta académica e a idade ou o sexo. As principais razões apontadas como motivadores de práticas desonestas foram a falta de interesse por parte dos professores na aprendizagem dos alunos e o facto de as avaliações não serem justas. A maioria dos estudantes (62%) referiu ter conhecimento da existência de regras na sua Escola em relação à fraude académica, mas não estão familiarizados com as mesmas. Metade dos estudantes considerou que copiar em exames é um problema sério que requer atenção. Discussão: Existe uma elevada prevalência de fraude entre os estudantes de Medicina portugueses, apesar da maioria reconhecer que estes comportamentos são moralmente repreensíveis. Os comportamentos mais frequentemente levados a cabo são consistentes com outros estudos realizados entre estudantes de Medicina. A frequência com que os estudantes auto-reportaram um certo comportamento foi consistentemente inferior em relação à frequência com que referiram ver outros colegas a praticar o mesmo comportamento. O facto de os comportamentos menos repreensíveis serem relacionados com a realização de trabalhos e com referenciação bibliográfica poderá indicar que o conhecimento dos estudantes em relação ao plágio é limitado. A origem da fraude académica é provavelmente multifatorial, com influência de fatores como a gestão de tempo, pressão por parte da família e do mercado de trabalho ou valores culturais e familiares. Várias ações podem ser levadas a cabo no sentido de prevenir a ocorrência de fraude académica, nomeadamente divulgar informação sobre regras e legislações e sobre as condutas que são esperadas por parte dos alunos, aumentar a vigilância durante exames, utilizar software anti-plágio ou criar um Código de Honra. As principais limitações do estudo são a baixa taxa de respostas e o facto de apenas ter sido aplicado em cinco Escolas Médicas de um total de oito existentes em Portugal, o que poderá dificultar a generalização os resultados obtidos. Conclusões: Os comportamentos académicos desonestos acontecem frequentemente nas Escolas Médicas, nomeadamente em contexto de aulas, de exames e da realização de trabalhos académicos. Este trabalho é o primeiro realizado a nível nacional entre estudantes de Medicina e poderá constituir um dos primeiros passos no sentido de gerar um maior conhecimento científico nesta área que permita a criação e implementação de medidas preventivas eficazes e de uma cultura de integridade a nível nacional.engMedical educationAcademic integrityAcademic fraudEthicsAcademic integrity among portuguese medical studentsmaster thesis201778998