Guerreiro, José, 1958-Vitasović, AljošaFigueiredo, Telma Sofia Relvas2020-12-212020-12-2120202020http://hdl.handle.net/10451/45484Relatório de estágio de mestrado, Ecologia e Gestão Ambiental, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2020At the same time that the northern Adriatic is considered one of the most important sub-basins of the whole Mediterranean basin, it continuously suffers the consequences of the mass tourism pressures, which threatens the region’s natural and cultural heritage (Carić & Mackelworth, 2014). Currently, there is an active organization called MEET Network that comes to provide the necessary tools for Mediterranean protected areas to create more sustainable options of tourism strategies, through the best ecotourism practices (Noll et al., 2019). MEET is a target-oriented network that works as a consultant for Mediterranean protected areas and key-organizations regarding ecotourism ideals. The network acts as a Destination Management Organization (DMO), helping the involved Mediterranean protected areas and organizations developing a better design, manage, marketing and sale of ecotourism products in a more sustainable way. Moreover, MEET incorporates these products into a destination portfolio (MEET Guide) with strong branding and professional support. It is an attempt for conservation at its core, being designed to help parks of Mediterranean countries, which play an important role in preserving the region’s threatened biodiversity (Noll et al., 2019). As a way to safeguard the multiple values and integrity of the northern Adriatic sea, this study has attempted to assess the viability of creating a MEET Ecotourism product around Brijuni National Park, a croatian protected area, in the western Istrian coastline, located in the Northern Adriatic sea. This study surges due to the urgent need to promote better ecotourism options for the protection of such important areas, by creating protocols, partnerships and common goals amongst local communities and other entities, towards a more sustainable future in the tourism sector. To do so, this study focused on understanding how the local touristic suppliers perceive the subjects of ecotourism, sustainability and partnerships for the goal. The distribution of an online survey, within a buffer zone around the selected protected area, was the main methodology to reach these local touristic businesses and understand their points of view. Furthermore, with the survey’s responses, it was possible to develop a proposal of an ecotourism product, following MEET’s requirements, which, when verified through checklists, presented a clear statement and a visible argument for answering to the hypothesis of this study. This study has shown an immense potential and viability on implementing a MEET Ecotourism package around this protected area. The local suppliers revealed a considerable high involvement in the subjects and the product’s proposal was almost totally in compliance with MEET’s requirements. Moreover, the survey’s results allowed conclusions regarding eventual allies or possible obstacles for Brijuni National Park to go forward with a MEET program. In the future, if such is implemented, there are some obstacles to be overcome, regarding sustainable matters and management details. Nonetheless, such partnership is considered of high importance for the region and its benefits must be explored. The development of a MEET ecotourism approach in this specific region could come to fulfil a strategic act to protect the values of the Adriatic Sea, given that the northern Adriatic is still not integrated in such MEET programs. Finally, working towards more sustainable alternatives in the tourism industry can become a way to come closer to the Sustainable Development Goals (SDGs) launched by the United Nations, as an attempt to protect the planet and ensure that all people enjoy peace and prosperity by 2030.A bacia do Mediterrâneo é uma das zonas mais interessantes a nível de património histórico, cultural e natural de todo o mundo. A sua diversidade a nível de espécies nativas e endémicas, principalmente a nível de componentes de flora, fizeram da região um dos 34 hotspots de biodiversidade, o que significa que esta é uma das regiões biologicamente mais ricas, mas também uma das mais ameaçadas de todo o planeta (Myers et al., 2000; Drumm et al., 2016; Noll et al., 2019). Devido à sua complexidade a nível de valores patrimoniais, juntamente com o seu clima agradável e a sua linha de costa altamente prestigiada, a bacia do Mediterrâneo tornou-se rapidamente líder a nível de procura turística, tendo alcançado as primeiras posições em vários rankings mundiais de Turismo nos últimos anos (Kizielewicz, 2013; UNWTO, 2018). A região apresenta uma grande dependência no sector do Turismo, principalmente a nível de turismo costeiro, apostando essencialmente em modelos convencionais e direcionados às massas (Drumm et al., 2016; Noll et al., 2019). Esta dependência no turismo de massas tem levado a uma grande pressão na região, principalmente em zonas ecologicamente mais sensíveis (como zonas costeiras, áreas de natureza e áreas protegidas), que se encontram constantemente sobrecarregadas e acima do seu limite. O turismo de massas nestas áreas tem se revelado uma das principais causas da perda ecológica a nível do Mediterrâneo (MIO-ECSDE, 2012). Felizmente, tem-se verificado um aumento a nível da consciência ambiental por parte do público, que cada vez mais procura opções mais sustentáveis e responsáveis, quer para o meio ambiente quer para as comunidades locais (Drumm et al., 2016; Noll et al., 2019). O conceito de Ecoturismo vem de alguma forma auxiliar na resposta a esta procura, sendo este um modelo de turismo mais responsável, direcionado a áreas naturais, que conserva o ambiente, mantém o bem-estar dos locais e envolve interpretação e educação (TIES, 2015). Visto que as Áreas Protegidas do Mediterrâneo são classificadas para proteger a biodiversidade, que aqui é tão importante, torna-se cada vez mais imprescindível para estas áreas apostar em modelos de ecoturismo, como forma alternativa ao turismo de massas, e como tentativa de criação de modelos opcionais menos impactantes. Não bastando apostar nestes modelos, mas sendo também essencial desenvolvê-los de uma forma mais organizada e integrada a nível do Mediterrâneo (IUCN, 2017), surge uma entidade denominada MEET (Mediterranean Experience of Eco Tourism), em 2017, que vem tentar responder a esta problemática. O MEET é uma organização da EU (fundada pela IUCN-Med), que trabalha como consultora para as Áreas Protegidas do Mediterrâneo em relação aos ideais de ecoturismo. Esta atua como uma Organização de Gestão de Destinos (OGD), ajudando as áreas protegidas envolvidas a desenvolver melhores estratégias de design, gestão, marketing e venda de produtos de ecoturismo mais sustentáveis, que são posteriormente incorporados num portfólio de destinos (Guia MEET), com uma marca de qualidade e suporte profissional. Esta Rede integra novas áreas protegidas no seu programa continuamente (em colaboração com a DestiMED), e já conta com 44 Áreas Protegidas de 10 países mediterrânicos diferentes (Noll et al., 2019). Os produtos de ecoturismo MEET contam com a criação de um cluster local, que integra pelo menos uma área protegida, pelo menos um operador turístico e vários fornecedores locais de serviços turísticos (ex: alojamento, recreação, transporte, alimentação, etc). Além disso, o ato de compra de um produto MEET contribui para um fundo de conservação da área protegida envolvida e também para a distribuição de capital de forma justa para as comunidades envolventes. O norte do mar Adriático é considerado uma das sub-bacias mais importantes de toda a bacia do Mediterrâneo, principalmente devido à sua biodiversidade marinha. No entanto, à semelhança do panorama geral mediterrânico, o norte do Adriático sofre continuamente as consequências das pressões do turismo de massa, que ameaçam o património natural e cultural aqui presentes, principalmente na zona da Lagoa de Veneza (Carić & Mackelworth, 2014; UNESCO, 2014). Como forma de salvaguardar os múltiplos valores e a integridade do norte do Adriático, este estudo tentou avaliar a viabilidade da criação de um produto de ecoturismo MEET, em torno do Parque Nacional de Brijuni, uma área protegida croata, na costa oeste da Ístria, uma península localizada no norte do Adriático. O Parque Nacional de Brijuni é um dos parques marinhos mais interessantes da Croácia, contando com milhares de visitas turísticas todos os anos. O Parque constitui um arquipélago, composto por 14 ilhas, que se distingue principalmente devido à sua diversidade paisagística, ao seu grande património histórico e cultural e à sua biodiversidade única e complexa, que deve ser preservada dentro do seu contexto ecológico. Este estudo surge devido à urgente necessidade de promover melhores opções de turismo para a proteção e gestão desta área classificada de importância, avaliando a possibilidade de criar protocolos, parcerias e objetivos comuns entre as comunidades locais e outras entidades, em direção a um futuro mais sustentável no setor do turismo. Para isso, o estudo pretendeu compreender a maneira como os diferentes fornecedores de serviços turísticos locais se relacionam com os temas do ecoturismo, da sustentabilidade e da criação de parcerias com entidades como o MEET. A principal metodologia para entender os pontos de vista destes negócios locais de turismo foi a distribuição de um questionário online, dentro de uma zona-tampão de 30km, em torno do Parque Nacional de Brijuni, o qual não é habitado. Além disso, com base nas respostas do questionário, foi possível desenvolver uma proposta de um produto de ecoturismo para esta área, seguindo os requisitos do MEET, que estão dispostos num Manual que pode ser consultado online (Noll et al., 2019). A verificação desta proposta, por meios de checklists, veio apresentar argumentos visíveis para responder à hipótese deste estudo, mostrando se a mesma se enquadra dentro dos parâmetros exigidos. O presente estudo veio demonstrar um imenso potencial e viabilidade na implementação de um pacote de ecoturismo MEET em torno do Parque Nacional de Brijuni. Os fornecedores locais revelaram um alto envolvimento nas temáticas em questão e a proposta do produto apresentou-se quase totalmente em conformidade com os requisitos do MEET. Além disso, os resultados da pesquisa permitiram conclusões sobre os eventuais aliados e os possíveis obstáculos para o Parque Nacional de Brijuni avançar com um projeto MEET. No futuro, se tal for implementado, existem alguns obstáculos a serem superados em relação a questões de sustentabilidade e detalhes de gestão do próprio produto. No entanto, esta parceria é considerada de alta importância para a região e os seus benefícios devem ser explorados. O desenvolvimento de uma abordagem MEET nesta região específica pode vir a contribuir para um ato estratégico de proteção dos valores do Mar Adriático, uma vez que o norte do Adriático ainda não está integrado na Rede MEET. Finalmente, trabalhar em direção a alternativas mais sustentáveis na indústria do turismo pode ser considerada uma das maneiras de se conseguir eventualmente alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) lançados pelas Nações Unidas, como uma tentativa de proteger o planeta e garantir que todos desfrutem de paz e prosperidade até 2030.engEcoturismoÁreas ProtegidasMediterrâneoMar AdriáticoTurismo SustentávelRelatórios de estágio de mestrado - 2020Viability assessment of a MEET Ecotourism product around Brijuni National Park, Croatiamaster thesis202604357