Gonçalves, Maria do Rosário Sassetti Costa de Almeida2026-02-192026-02-192025-11-18http://hdl.handle.net/10400.5/117186Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, área científica de ClínicaA resistência aos antimicrobianos é considerada uma ameaça à saúde pública global, para a qual contribui em muito a utilização indiscriminada de antibióticos. Por ser um problema de Uma Só Saúde, é fundamental analisar as práticas de prescrição de antibióticos em clínica de animais de companhia, pelo seu impacto nesta ameaça. Este estudo teve como objetivo caracterizar o padrão de prescrição de antibióticos em cães e gatos internados num Hospital Veterinário de referência em Portugal, no período de setembro de 2023 a agosto de 2024. Para o estudo, recolheram-se dados a partir dos registos de faturação (SAGE), fichas de internamento e registos clínicos (WinVet) tendo sido analisados e incluídos 463 casos de internamentos com prescrição de antibióticos, um total de 444 animais (cães e gatos) e 677 prescrições. Consideraram-se parâmetros para a caracterização da amostra: espécie, idade, sexo e estado reprodutivo; dos internamentos: realização e resultados de exames complementares de diagnóstico, referenciação, dias de internamento, diagnóstico e classificação por categoria de afeção, evidência de infeção bacteriana e antibioterapia empírica vs com a realização de cultura e testes de suscetibilidade a antimicrobianos (TSA); e das prescrições: substância ativa, número de antibióticos por prescrição, via de administração, classificação segundo a categorização do Grupo de peritos para o aconselhamento em antimicrobianos (AMEG) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e pela lista dos Antimicrobianos medicamente importantes (MIA) da Organização Mundial de Saúde (OMS). O motivo para a prescrição de antibióticos diferiu entre cães e gatos, tendo sido as categorias com maior frequência de prescrições “Cirurgia”, “Urinário” e “Gastrointestinal”. A maioria dos antibióticos foi prescrita empiricamente (82,4%), com fraca adesão à realização de cultura (17,6%) e TSA (7,1%). Em mais de metade dos casos havia evidência ou suspeita de infeção (23,5% e 28,7%, respetivamente). A amoxicilina-ácido clavulânico foi o antibiótico mais utilizado (36%; 244/677), seguindo-se a marbofloxacina (14,6%; 99/677) e o metronidazol (12,7%; 86/677). A maior parte dos antibióticos prescritos incluíram-se na categoria C da categorização do AMEG (53,6%; 363/677) e HIA da lista MIA (71,6%; 485/677), apesar de 28,4% serem da categoria B da categorização do AMEG e HPCIA da lista MIA (192/677). Face aos resultados obtidos torna-se evidente que as práticas de prescrição podem melhorar, nomeadamente com a implementação de estratégias de Antimicrobial StewardshipAntimicrobial resistance is a threat to global public health being the indiscriminate use of antibiotics one of the main contributors. As a “One Health” issue, the prescription of antibiotics in clinical settings has an impact, so prescribing practices in this context must be evaluated. The aim of this study was to characterize the prescribing pattern of antibiotics in dogs and cats admitted to a referral veterinary hospital in Portugal from September 2023 to August 2024. Data were collected from billing records (SAGE), admission files and clinical records (WinVet). A total of 463 admissions with antibiotic prescription were analysed and included, comprising 444 inpatients (dogs and cats) and 677 prescriptions. Data included sample characterization (species, age, sex, and reproductive status); admissions (performance and results of diagnostic tests, referral, hospitalization time, rationale for antibiotic prescription, evidence of bacterial infection and empirical vs culture and antimicrobial susceptibility testing (AST) based antibiotic therapy); and prescriptions (active substance, number of antibiotics per prescription, route of administration, Antimicrobial Advice Ad Hoc Expert Group (AMEG) classification, and World Health Organization’s (WHO) Medically Important Antimicrobials (MIA) list). Differences in the rationale for prescribing were observed in dogs and cats. Common indications included “Surgery”, “Urinary” and “Gastrointestinal” categories. Most antibiotics were prescribed empirically (82,4%), with poor adherence to culture (17,6%) and AST (7,1%). In more than half of the cases, there was evidence or suspect of bacterial infection (23,5% and 28,7%, respectively). Amoxicillin-clavulanic acid was the most commonly used antibiotic (36%; 244/677), followed by marbofloxacin (14,6%; 99/677) and metronidazole (12,7%; 86/677). Most of the prescriptions were in category C (53,6%; 363/677) of AMEG and HIA (71,6%; 485/677) of the WHO’s MIA list, although 28,4% were in category B and HPCIA (192/677). These findings highlight the need to improve prescribing practices by implementing Antimicrobial Stewardship strategiesapplication/pdfporAntibióticosAntimicrobial stewardshipCãoGatoPrescriçãoResistência aos antimicrobianosAntibioticsAntimicrobial resistanceAntimicrobial stewardshipCatDogPrescriptionPadrão de prescrição de antibióticos em internamento num hospital veterinário de referência em PortugalINPATIENT ANTIBIOTIC PRESCRIBING PATTERNS AT A REFERRAL VETERINARY HOSPITAL IN PORTUGALmaster thesis