Gouveia, CarlosCunha, Maria JoãoHiguera Mellado, Ricardo2020-01-142020-01-142019-10-302019-09-10http://hdl.handle.net/10451/40810La masculinidad tradicional (Halberstam, 1998), entendida como hegemónica en su alcance (Connell, 1995), entró en una crisis en la década de 1960 (Segarra & Carabí, 2008), impulsada por los movimientos y estudios feministas, grupos de lucha por la diversidad sexual, el movimiento hippie y organizaciones de hombres que comenzaron un camino de cuestionamiento en distintas partes del mundo, abriendo paso a las nuevas masculinidades (García Marín, 2018). ¿Cuáles son los símbolos, narrativas y representaciones de la llamada masculinidad tradicional?, ¿cómo se produce la crisis de la masculinidad tradicional?, ¿cuáles son los símbolos y las narrativas que caracterizan a las nuevas masculinidades? y ¿cuáles son las representaciones que responden al concepto de las nuevas masculinidades en Portugal y en Chile? son las preguntas que guiaron esta investigación, cuya metodología incluyó un extenso encuadramiento teórico y la observación y análisis de seis iniciativas – tres en cada país – para conocer cómo abordan esta crisis y generan espacios para la proliferación de nuevas masculinidades posibles. Se trata de Quebrar o silêncio, Men Talks y O homem promotor da igualdade, en el caso portugués, y de Ilusión Viril, Diálogo de hombres y Hombres Tejedores, en el de Chile. La sistematización y la reflexión de los datos permitió concluir que es imperativo acabar con la narrativa única sobre la masculinidad y abrir espacios para la proliferación de nuevas masculinidades posibles; que la deconstrucción del género masculino es un estado y no un destino; que en la mayoría de los casos existe una apertura gradual hacia una labor con mujeres; que ambos países presentan problemas similares en relación con la masculinidad tradicional; que las seis iniciativas efectivamente son expresiones de las nuevas masculinidades, y que el proceso de crítica de la masculinidad tradicional y la propagación de nuevas masculinidades es circular y en movimiento. Son estados a los que se regresa permanentemente, porque el proceso de desmarcarse de la masculinidad tradicional y abrirse hacia nuevas expresiones posibles implica un cuestionamiento y una deconstrucción constante, requiere de la creación continua de nuevas relaciones entre hombres y que la igualdad sea una lucha activa todo el tiempo.A masculinidade tradicional (Halberstam, 1998), entendida como hegemónica no seu alcance (Connell, 1995), levou vários homens a iniciarem processos de análise e questionarem o seu papel nas sociedades de hoje. Os símbolos, as representações e as narrativas que fazem parte dessa estrutura, manifestação inequívoca do patriarcado e do capitalismo, ainda estão presentes em diferentes áreas e formas, o que afeta não apenas o bem-estar físico e mental de cada indivíduo, como também têm uma relação direta na maneira como constroem os seus relacionamentos com colegas, na maneira como interagem com as mulheres e como lidam com as relações emocionais ou de paternidade. Nesse sentido, a educação, a publicidade, a música, os videojogos, o cinema, entre muitos outros, apoiam o imaginário coletivo do que um homem tradicional deveria ser. Essa condição intrínseca da masculinidade construída a partir de uma perspetiva heteronormativa, com consequente binarismo, e que promove a competitividade, a ambição, a hipersexualização da mulher, a ausência de emoções e a falta de relações de afeto fraterno entre homens, além da perpetuação das desigualdades entre homens e mulheres, entrou em crise na década de 1960. Desde então, os movimentos e os estudos feministas, os grupos que lutam pela diversidade sexual, o movimento hippie e o surgimento de grupos de homens que iniciaram seu próprio caminho de questionamento em diferentes partes do mundo motivaram o primeiro desejo de derrubar o modelo tradicional de masculinidade, para dar lugar a expressões novas, alternativas ou dissidentes. Assim, o conceito de novas masculinidades (García Marín, 2018) serve para entendermos o processo que vários homens começaram a viver e que hoje em dia tem cada vez mais representantes em diferentes partes do mundo. Quais são os símbolos, as narrativas e as representações da chamada masculinidade tradicional? Como ocorre a crise da masculinidade tradicional? Quais são os símbolos e as narrativas que caracterizam as novas masculinidades? E quais são as representações que respondem ao conceito das novas masculinidades em Portugal e no Chile? Essas são as questões que guiaram este trabalho de investigação, cuja abordagem foi dividida em duas partes: a primeira, num extenso enquadramento teórico que permitiu estabelecer as diferenças entre sexo e género (Héritier, 2002), além de compreender os símbolos, as representações e as narrativas de masculinidade tradicional, o momento da crise (Segarra & Carrabí, 2008) e a conceção das primeiras linhas para entender de que tratam as novas masculinidades. E uma segunda, onde são abordados os trabalhos de seis iniciativas – três em Portugal e três no Chile – que permitem conhecer a maneira como abordam a crise da masculinidade tradicional e geram espaços para a proliferação de novas masculinidades possíveis. Os casos são: Quebrar ou silêncio, Men Talks, O homem promotor da igualdade, no caso português; Ilusión Viril, Diálogo de Homens, Hombres Tejedores, no caso chileno. Para estabelecer uma relação mais linear entre cada par de exemplos, foi realizada uma classificação inicial que resultou em três fontes de análise. A escolha desses critérios baseou-se num processo pessoal como participante de algumas das iniciativas escolhidas, experiência empírica a partir da qual foi possível delinear um processo mental e uma ação traçados em três etapas: a primeira, uma sensação de desconforto interno que alguns homens apresentam em relação à masculinidade em que foram educados; o segundo, uma ressonância, entendida como a necessidade de alguns homens encontrarem outros que estão a passar por um processo semelhante. Isso, por sua vez, poderia aumentar as possibilidades de iniciarem conversas, trocas e pontos de vista em relação ao papel que têm tido de representar como homens. E, finalmente, uma terceira, identificada como ação, traduzida na maneira pela qual essas reflexões comuns os levam a outros objetivos relacionados com a mudança dos mandatos sociais associados à masculinidade. Na segunda fase da reflexão, cada conceito foi substituído por um eixo de análise para agrupar os casos sob critérios semelhantes. Por meio de uma correlação, foi estabelecido o primeiro, intitulado Questionamento e desconstrução, no qual foram abordados os trabalhos de Quebrar o silêncio e Ilusión Viril; um segundo, denominado Novos relacionamentos entre homens, criado para analisar as iniciativas Men Talks e Diálogos de hombres, e um terceiro nomeado Homens a lutar pela igualdade, sob o qual foram analisados os projetos O homem promotor da igualdade e Hombres Tejedores. A metodologia utilizada para a investigação e análise dos seis casos incluiu duas ferramentas: entrevistas com um questionário semiestruturado e observação direta por meio de uma grelha elaborada especialmente para os fins deste estudo. Além disso, e dependendo de cada exemplo específico, foi feita uma revisão da presença nos media digitais e nas redes sociais oficiais de cada um. Após um período de acompanhamento de mais de um ano, nas cidades de Lisboa e Santiago, foi possível reunir as informações que permitiam responder às perguntas que faziam parte desta investigação. As três primeiras, através da revisão de literatura de acordo com a abordagem deste tópico, enquanto a quarta foi tratada através da apresentação de casos nos dois países. A sistematização e reflexão dos dados permitiu estabelecer seis conclusões principais: i) a necessidade de derrubarmos a narrativa única sobre masculinidade e abrirmos espaço para a proliferação de novas masculinidades possíveis, o que foi observado transversalmente nos seis casos apresentados; ii) a desconstrução do género masculino, para os fins desta investigação, é um estado e não um destino, que exige um trabalho consciente e permanente na deteção de comportamentos ou atitudes típicos da masculinidade tradicional e que necessitam ser abolidos para dar lugar a novas masculinidades possíveis; iii) na maioria dos casos, há uma abertura gradual para o trabalho com mulheres, independentemente do foco inicial estar no trabalho voltado para os homens; iv) apesar das diferenças culturais e da distância geográfica, Portugal e Chile têm problemas semelhantes relativamente à masculinidade tradicional, brechas e violência de género. Nos dois territórios observa-se o incipiente surgimento de trabalhos que advogam a proliferação de novas masculinidades possíveis; v) as seis iniciativas são efetivamente expressões das novas masculinidades, pois não apenas criticam e desconstroem os mandatos da masculinidade tradicional, como criam novos referentes para os homens de hoje; vi) o processo de abordagem da masculinidade tradicional e a propagação de novas masculinidades não é linear – como foi exemplificado pela tríade ação/ressonância/ação e seus consequentes eixos questionamento e desconstrução/novos relacionamentos entre homens/homens que lutam pela igualdade –, mas é circular e em movimento. São estados para os quais se volta permanentemente, porque o processo de se separar da masculinidade tradicional e de se abrir para novas expressões possíveis implica questionamentos e desconstruções constantes, requer a criação contínua de novas relações entre os homens e a igualdade é uma luta ativa permanentemente. Incluir os Estudos de Género, e as masculinidades especificamente, num programa de Mestrado em Cultura e Comunicação é importante porque, como seres humanos, construímos a nossa realidade a partir da nossa biologia e, principalmente, pelo que recebemos do contexto onde crescemos, nos desenvolvemos, aprendemos e interagimos com outras pessoas Tolosa (2009 [1999]) e pelas práticas culturais dum determinado grupo. A masculinidade tradicional, hegemónica no seu alcance e tóxica nas suas consequências, tem tido um impacto central não apenas na violência de género ou nas brechas entre homens e mulheres, mas também no padrão do que significa ser homem. E é precisamente o que as novas masculinidades apontam: abrir espaços para essa diversidade também permeia as diferentes camadas da sociedade. Portanto, falar sobre elas remete-nos para o conceito de modernidade líquida cunhado por Bauman (2000). É o colapso dessa estrutura rígida e a transição para um novo mundo de possibilidades que se abre sob as novas masculinidades. Semanticamente, também se tornam um objeto de estudo, à medida que passamos de uma definição singular – masculinidade "tradicional" – para uma pluralidade, com novas opiniões e formas de compreendê-las, cultivá-las e vivê-las. Os Estudos de Género são relevantes e complementares para entendermos as estruturas sociais, narrativas e comunicacionais que sustentam a masculinidade tradicional e as novas masculinidades. Da mesma forma, as práticas culturais associadas a uma e a outra são transformadas em exemplos vivos que nutrem este e outros estudos. Assim, por exemplo, os ritos de iniciação de adolescentes que entram na idade adulta e resultam em visitas a casas de prostituição para se tornarem 'verdadeiros homens', a maneira como alguns pais transmitem violência física e psicológica aos filhos para eles aprenderem o que é ser um homem nesta sociedade ou mesmo a chamada "cultura da violação" – cujos representantes mais reconhecíveis nos últimos tempos foram os membros do caso "La manada" ocorrido em 2016 na Espanha –, entre muitos outros casos, permitem entendermos completamente os aspetos centrais da organização e os códigos sociais que foram transformados em práticas culturais legítimas a longo dos anos e que hoje são amplamente questionados e abolidos por homens que estão a construir novas masculinidades. Da mesma forma, a produção de conhecimentos ou discursos também é impactada por uma mudança tão relevante para a ordem social quando falamos de novas masculinidades. Com elas, surgem novas ideias que nutrem os Estudos Culturais e acrescentam distinções para abordarmos com ferramentas mais precisas qualquer estudo que possa ser realizado no futuro. Igualmente, essa mudança representa um ponto de viragem relevante na composição social e nas suas estruturas tradicionais de poder, para dar espaço a um relacionamento mais igualitário entre homens e mulheres, e, certamente relevante, entre homens. É importante continuarmos a investigar as consequências da masculinidade hegemónica nas nossas sociedades e a necessidade de promovermos pesquisas nos Estudos de Género, particularmente em relação à interseccionalidade (Crenshaw, 1989). Isso vai permitir-nos delinear perfis mais detalhados para uma melhor compreensão dos seus efeitos e as razões pelas quais continuamos a testemunhar situações de violência de género, feminicídios e crimes de ódio contra a diversidade sexual ou populações migrantes, altas taxas de suicídio e doenças em homens em todo o planeta. Portugal e Chile são territórios interculturalmente ricos, com um grande potencial para se tornarem países onde homens e mulheres possam viver em harmonia, respeito e comunidade. No entanto, esse objetivo será difícil de alcançar, se eles não conseguirem questionar os seus privilégios, desconstruir a narrativa hegemónica da masculinidade, estabelecer relações mais afetivas e de companheirismo e até unir-se à luta pela igualdade a partir qualquer sítio. Da mesma forma, trabalhar para desmantelar as práticas machistas, misóginas, homofóbicas, capitalistas e patriarcais que levaram o mundo a situações críticas de maior alcance, como a exploração indiscriminada dos recursos naturais. Se somos capazes de entender que a masculinidade tradicional é responsável pelos problemas registados diariamente no mundo e que é uma prisão real para quem a vive e a perpetua diariamente, torna-se valiosa e central a reflexão feita pela Judith Butler em 2018 durante uma visita a Barcelona, Espanha: "Temos de pensar no género como um espaço de liberdade".spaMasculinidade - Portugal - 2010-....Masculinidade - Chile - 2010-....Papel segundo o sexo - Portugal - 2010-....Papel segundo o sexo - Chile - 2010-....Igualdade de sexo - Portugal - 2010-....Igualdade de sexo - Chile - 2010-....Estudos sobre o géneroTeses de mestrado - 2019Crisis de la masculinidad y expresiones de las nuevas masculinidades en Portugal y Chile en la última décadamaster thesis202329801