Fernandes, SusanaMoniz, João Manuel Henriques Felício2020-04-272020-04-272019http://hdl.handle.net/10451/43184Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2019Introdução: Apesar da melhoria do suporte de órgão oferecido a doentes críticos, a Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda (ARDS) continua a estar associada a elevada mortalidade. Porém, continuam a não existir marcadores que possam prever prognóstico ou subgrupos claros de doentes que permitam modular o tipo de terapêutica efetuada. Dados recentes têm associado o fenótipo hiperinflamatório a pior prognóstico. Torna-se assim essencial desenvolver novos modelos de prognóstico em contexto de ARDS. A Proteína C-Reativa (PCR) é um marcador de inflamação medido diariamente na prática clínica. Objetivos: Foi objetivo deste trabalho estabelecer a utilidade de medições de PCR nos primeiros dias de ARDS e a sua relação com prognóstico. Pretendia-se ainda identificar, noutros marcadores avaliados diariamente, uma possível relação com prognóstico. Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo de doentes com ARDS moderado a grave, tratados na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Maria. Foram colhidos dados demográficos, laboratoriais e de parâmetros ventilatórios. Foi efetuada uma análise descritiva, assim como de regressão logística para identificação de eventuais fatores relacionados com prognóstico. Resultados: Foram incluídos 201 doentes na análise, dos quais 38.8% tinham ARDS grave. O valor médio da PCR nos 3 primeiros dias não diferiu entre os 3 dias, nem se relacionou com a mortalidade, embora existisse uma tendência, estatisticamente não significativa, para os doentes que morreram terem valores mais elevados. Adicionalmente, foram criados 3 grupos diferentes de acordo com a cinética da PCR nas primeiras 48 horas (aumento, diminuição ou valor estável), sendo que nenhuma das cinéticas se relacionava com a mortalidade. De forma significativa, o rácio entre PCR/albumina no primeiro dia de ARDS relacionou-se diretamente com a mortalidade hospitalar (odds ratio de 1.03, P=0.04), mesmo quando ajustado para a gravidade e etiologia. Dos restantes parâmetros clínicos e laboratoriais avaliados nenhum se relacionou com a mortalidade. Conclusões: Neste estudo retrospetivo de doentes com ARDS, o ratio PCR/albumina no primeiro dia de internamento foi a única variável que se relacionou com a mortalidade. Embora seja um marcador de fácil aplicabilidade, a sua utilização deverá ser validada noutras coortes de doentes.Introduction: Despite the improvement in organ support available for critical patients, Acute Respiratory Distress Syndrome (ARDS) is still associated with high mortality rates. There are no markers that can predict ARDS prognosis or definitive subgroups that allow physicians to adapt treatment. Recent data has shown that an hyperinflammatory phenotype might be associated with a worse outcome, but this state is not easy to assess at bed-side. C-reactive protein (CRP) is an inflammatory marker that is used on daily clinical practice and might reflect this phenotype. Objectives: The main aim of this study was to establish the value of CRP determination on the first days of ARDS as a prognostic marker. Methods: We did a retrospective study with moderate to severe ARDS patients treated at the Intensive Care Unit of Hospital de Santa Maria. Demographic, laboratory and ventilatory data was gathered. Using this data, a descriptive analysis was done, as well as a logistic regression to identify possible prognosis factors. Results: For the main analysis, 201 patients were included, of which 38,8% had severe ARDS. The mean value of CRP in the first three days of ARDS did not differ significantly, nor was it correlated with mortality, although there was a tendency for patients who died to have higher CRP levels. Additionally, three groups were created according to the CRP kinetics during the first 48 hours (increased, decreases, maintained). None of these groups was successfully correlated with mortality. Significantly, CRP/albumin ratio on the first day of ARDS was positively correlated with hospital mortality (odds ratio of 1.03, P=0.04). This result was still significant even when adjusted for severity and etiology. None of the remaining clinical or laboratory parameters showed any correlation with mortality, namely age, gender, obesity, cause of ARDS or severity. Conclusion: In this retrospective study, CRP/albumin ratio on the first day was the only variable found to be successfully correlated with mortality. This ratio, as an indicator of systemic inflammation, might be applicable in the near future, separating inflammatory from non-inflammatory phenotype helping in the definition of prognostic groups.engSíndrome de dificuldade respiratória agudaProteína C-reativaInflamaçãoPrognósticoPrognostic value of C-reactive protein during moderate to severe ARDSmaster thesis202415503