Marques, Marta CanasGomes, Bruno Miguel Matos2016-11-242016-11-242015http://hdl.handle.net/10451/25118Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2015Diariamente cerca de 12.000 litros de fluxo de ar, hidratado e filtrado, atravessam as fossas nasais. Por este motivo, o revestimento desta área anatómica para protecção das vias áreas de possíveis agressões provenientes de gases, aerossóis e outros agentes revela-se de extrema importância. Além da função de protecção, o nariz tem também um papel crucial para a ressonância da voz, na produção de óxido nítrico (NO) que participa na regulação da via área inferior, funcionando ainda como estrutura quimiossensitiva responsável pelo olfacto. Apesar dos esforços exercidos por diversas instituições, o ar continua a ser contaminado por diversas substâncias tais como, poluentes, partículas e bactérias que ficam alojadas na via aérea do Homem e de outras espécies. Assim, é crucial que o epitélio que reveste a superfície da via aérea se possa replicar e regenerar para manter uma clearance mucociliar adequada. O nariz filtra cerca de 95% das partículas com um diâmetro superior a 15 μm provenientes do ar inspirado. A clearance mucociliar tem por função a limpeza das vias áreas, através da interacção da mucosa nasal com os movimentos ciliares, sendo estes tão importantes como o muco. Todos estes mecanismos podem ser afectados em fumadores. O tabagismo é um dos comportamentos autodestrutivos mais facilmente reconhecíveis, contrariamente a outros comportamentos nocivos este é reconhecido com facilidade pelo médico bem como facilmente admitido pelo doente5. Apesar da ampla divulgação nos diversos meios de comunicação sobre os malefícios do tabagismo, pouco se sabe da associação entre exposição ao tabaco e desenvolvimento de doenças correlacionadas como a rinossinusite crónica. Por oposição, é bem conhecido o seu contributo como factor de risco para o desenvolvimento das neoplasias pavimentosas da cabeça e pescoço. O fumo inalado de forma passiva ou activa tem sido associado a incómodo e irritação crónica dos olhos, do nariz e da orofaringe. O Departamento de Saúde dos U.S.A. publicou vários relatórios oficiais sobre tabagismo, referindo evidências da exposição ao fumo do tabaco em que este poderia actuar como um factor de “agravamento e prolongamento” das rinossinusites. Existem estudos publicados desde 1964 que destacam os efeitos negativos do tabaco na via área. Nesse mesmo ano, foi publicado um relatório pelo “Surgeon General’s Advisory Commitee” relativo à associação da exposição do fumo de tabaco e o risco de agravamento e prolongamento da sinusite. Mais recentemente, entre 1988 e 1994 foi realizado um estudo no “Third National Health and Nutrition Examination Survey” que conclui que existe uma maior prevalência de sinusite crónica e recorrente em fumadores quando comparado com ex-fumadores. Todavia, apesar das ligações fisiopatológicas plausíveis, existem poucas evidências clínicas que permitam inferir a possibilidade de relação entre hábitos tabágicos e o desenvolvimento da rinossinusite crónica ou rinite crónica. Foram desenvolvidos vários projectos de investigação clínica (onde?) para esclarecer a relação patofisiológica entre a exposição ao fumo do tabaco e a rinossinusite. Desenho do estudo Estudo transversal com aplicação de questionário. Metodologia Foram recrutados 208 utentes da USF - Cruzeiro e aplicou-se o questionário NOSE-p juntamente com questionário relativo aos dados demográficos, dados relativos aos antecedentes pessoais associados a risco de rinite e descrição dos hábitos tabágicos. O outcome principal foi o score obtido no NOSE-p. A análise estatística baseou-se na construção de um modelo de ajustamento zero-inflated com regressão binomial negativa ajustamento para as seguintes as variáveis de confundimento, grupo etário, género, hábitos tabágicos, profissões prévias, medicação e comorbilidades diagnosticadas. Resultados Foi observado um efeito significativo do tabagismo atual no score NOSE-p (β=1.20, IC 95% 1.11-1.29, p <.001). Os ex-fumadores não apresentaram scores significativamente superiores quando comparados com os não fumadores (β=1.06, IC 95% .98-1.05, valor-p .115). Foi ainda verificado um efeito significativo das seguintes variáveis: diagnóstico prévio de rinite alérgica (β=1.49 , IC 95% 1.39-1.59, valor-p <.001), diagnóstico prévio de asma (β=1.42, IC 95% 1.29-1.54, valor-p<.001), profissão de risco (β=1.43, IC 95% 1.29-1.58, valor-p<.001) e medicação habitual de risco (β=1.25, IC 95% 1.17-1.33, valor-p<.001). Conclusão O tabagismo tem um impacto significativo nas queixas de obstrução nasal estando associado a um aumento de cerca de 20% das mesmas. Este efeito é observado em fumadores actuais, sendo que os ex-fumadores não apresentam mais queixas nasais que os não-fumadores. Este trabalho reforça a evidência da necessidade de controlo do tabagismo no tratamento dos doentes com obstrução nasal, com ou sem outros factores de risco associados.Every day about 12,000 liters of air flow, hydrated and filtered cross nostrils. For this reason, the coating of this anatomical area to protect the airways of possible aggression from gases, aerosols and other agents discloses paramount. In addition to the protective function, the nose also has a crucial role in the voice resonance, the production of nitric oxide (NO) which is involved in regulating via lower area, it acts as an quimiossensitiva structure responsible for olfacto. Despite the efforts exerted by various institutions, the air remains contaminated by various substances such as pollutants, particles and bacteria that are housed in the airways of human and other species . It is therefore crucial that the epithelium lining the surface of the air it can replicate and regenerate to maintain a mucociliary clearance adequada. The nose filters about 95% of particles with a diameter greater than 15 microns from the air inspirado. The mucociliary clearance function is to clean the airways, through interaction with the mucosa of the nasal ciliary movement, which are as important as the mucus. All these mechanisms may be allocated in fumadores. Smoking is one of self-destructive behaviors more easily recognizable, unlike other harmful behavior it is recognized easily by the doctor and easily accepted by the patient. Despite the wide dissemination in various media about the harmful effects of smoking, little is known of the association between exposure to tobacco and development of diseases such as chronic rhinosinusitis correlated. In contrast, it is well known their contribution as a risk factor for the development of squamous head and neck cancers5. The inhaled smoke passively or actively has been associated with discomfort and chronic irritation of eyes, nose and orofaringe. The Department of Health of the USA has published several official reports on smoking, referring evidence of exposure to tobacco smoke in that this could act as a factor of "aggravation and prolongation 'of rhinosinusitis. There are studies published since 1964 that highlight the negative effects of tobacco on the road area. That same year, a report was published by the "Surgeon General's Advisory Commitee" concerning the association of exposure to tobacco moke and the risk of aggravation and prolongation of sinusitis. More recently, between 1988 and 1994 a study was conducted in the "Third National Health and Nutrition Examination Survey" which concludes that there is a higher prevalence of chronic and recurrent sinusitis in smokers compared with former smokers. However, in spite of the possible physiological connections, there is little clinical evidence to infer the possible relationship between smoking and the development of chronic rhinosinusitis, or chronic rhinitis. There have been several clinical research projects (where?) To clarify the pathophysiological relationship between exposure to tobacco smoke and rhinosinusitis. Study Design Cross-sectional study with a questionnaire. Methods We recruited 208 individuals from the general population and applied the NOSE- p questionnaire along with questionnaire concerning demographic data, data on the personal history associated with risk of rhinitis and description of smoking. The main outcome was the score obtained in NOSE-p. The statistical analysis was based on the construction of a zero -inflated adjustment model with negative binomial regression with the following adjustment for confounding variables, age group, gender , smoking , previous professions, medication and diagnosed comorbidities. Results A significant effect of current smoking was observed in the score NOSE- p ( β = 1.20 , 95% CI 1:11 to 1:29 , p < .001 ) . Ex-smokers did not show significantly higher scores when compared to non-smokers ( β = 1.6 , 95% CI .98-1.05 , p-value .115 ) . It was also observed a significant effect of the following variables : previous diagnosis of allergic rhinitis ( β = 1.49 , 95% CI 1:39 to 1:59 , p-value < .001 ) , previous diagnosis of asthma ( β = 1.42 , 95% CI 1:29 to 1:54 , p-value < .001 ) , risk profession ( β = 1:43 , 1:29 to 1:58 95% , p-value < .001 ) and usual medication risk ( β = 1.25, 95% CI 1:17 to 1:33 , value- p < .001 ) . Conclusion Cigarette smoking has a significant impact on nasal obstruction complaints being associated with an increase of about 20 % of them. This effect is observed in current smokers, on the other hand ex-smokers do not have more nasal complaints than non- smokers. This study reinforces the evidence of the need for tobacco control in the treatment of patients with nasal obstruction , with or without other risk factors.porHábito de fumarObstrução nasalOtolaringologiaImpacto do tabagismo na obstrução nasal : análise baseada no score NOSEThe impact of cigarette smoking on nasal obstruction : an analysis based on NOSE scoremaster thesis201359685