Fernandes, Ana Isabel Pires2026-02-132026-02-132025http://hdl.handle.net/10400.5/117068Doutoramento em Antropologia, especialidade em Antropologia da Saúde. Universidade de Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 2025Esta tese analisa as práticas estéticas de mulheres chinesas em Lisboa enquanto formas de construção de subjetividades situadas entre normas culturais chinesas e lógicas transnacionais e locais. A partir de uma abordagem etnográfica, demonstra-se como corpo, beleza e pertença são moldados por intersecções mais amplas, que envolvem género, classe social, estatuto socioeconómico, “raça” e nacionalidade. Estruturada em quatro partes, a primeira examina como as normas estéticas chinesas operam num contínuo entre tradição e globalização. São analisadas práticas que vão desde o clareamento e bronzeamento da pele, ao combate ao envelhecimento e à monotorização do peso corporal, evidenciando regimes de vigilância e disciplina, mas também espaços de resistência somática. A segunda parte centra-se na economia da beleza na China, destacando o papel do consumo na constituição da subjetividade feminina. Tanto a aquisição de procedimentos estéticos como de produtos cosméticos revela a intersecção entre políticas nacionais e afetos pessoais. Simultaneamente, as plataformas digitais, em expansão acelerada, exprimem como o corpo feminino é performado e monitorizado visualmente. Na terceira parte, analisa-se o papel das relações familiares e amorosas na construção se uma estética feminina valorizada. A família, sobretudo a figura materna, emerge como arena de tensão e negociação contínua, enquanto relacionamentos afetivos se constituem como espaços onde se articulam estratégias afetivas expressas por meio de práticas somáticas. A quarta parte aborda a racialização das práticas médicas, evidenciando como “raça” é mobilizada enquanto categoria médica, social e simbólica, em procedimentos que vão desde a cirurgia plástica a serviços como cabeleireiro e manicure. Considerando a forma como as interlocutoras adaptam estrategicamente traços físicos consoantes contextos e interlocutores, propõem-se o conceito de cidadania estética flexível como ferramenta analítica para compreender o corpo enquanto recurso de mobilidade, pertença e agência em contextos transnacionais.application/pdfporMulheres chinesasMigraçãoBelezaCidadaniaCorpoEstética flexivelCriticos de belezaCorpoMigraçãoCidadaniaEstética flexivelCidadanias estéticas flexíveis : beleza e políticas corporais entre mulheres chinesas em Lisboadoctoral thesis101684452101684452