Nóvoa, António, 1954-Santos, Máximo Branco2019-07-122019-07-121990http://hdl.handle.net/10451/39090Tese de mestrado em Ciências da Educação, apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1990Que são as ciências da educação? Uma longa controvérsia tem permitido colocar, de um lado, aqueles para quem há uma única ciência da educação: a pedagogia; do outro, aqueles para quem três áreas no mínimo se encontram intimamente envolvidas no acto pedagógico: a pedagogia, a psicologia e a sociologia, levando à constituição de uma rede de subdisciplinas e saberes. Para os primeiros só importa o que se passa no interior da sala de aula; para os segundos a sala de aula é apenas o acto cénico por detrás do qual se esconde o universo multitudinário do coliseu romano. Tal indefinição resulta do carácter subdesenvolvimentista das ciências sociais em geral e das ciências da educação em especial (se é que se pode falar de ciências, no plural, e não apenas de ciência da educação, no singular). O presente trabalho desenvolve os seus percursos no domínio da sociologia da educação. Face ao referido debate devemos perguntar: em que geografia nos encontramos? Ciências da educação ou sociologia? Pelo que se disse, não há uma resposta líquida. E a controvérsia encontra-se longe de estar concluída. Esta é a primeira questão que queríamos aqui deixar. A segunda refere-se ao problema da ciência. Longos anos de estudo e de ensino dos debates no interior da epistemologia conduziram-nos à garantia de que os territórios da ciência e da epistemologia se entrelaçam de tal modo que se torna possível dizer que se fundem no contexto da investigação. A ciência é um processo subordinado a um discurso lógico que se desenvolve através dos séculos e das gerações, cuja dinâmica não pode atribuir-se exclusivamente ao sujeito que procura conhecer o mundo mas aos próprios resultados por ele obtidos. Compreendemos hoje que as descobertas não podem ser entendidas em todo o seu valor se não as enquadrarmos na história das investigações que a elas conduziram e lhes deram origem. A ciência conhece efectivamente a realidade mas conhece-a de modo aproximado, não absoluto, o que quer dizer que o conhecimento fornecido por ela não "esgota" o objecto a que se dedica. E não o esgota por dois motivos: em primeiro lugar, porque o objecto nos apresenta sempre novos dados independentes de nós, os quais devemos ter em linha de conta ao construirmos uma representação satisfatória da realidade; em segundo lugar, porque cada investigação, cada nova explicitação do real está permanentemente sujeita a ser aprofundada. Pode concluir-se daqui que a dinâmica do conhecimento científico se manifesta ao longo de duas directrizes: a da aquisição permanente de novos dados (obtidos por técnicas de observação cada vez mais complexas e refinadas) e a do aprofundamento dos resultados anteriormente obtidos, aprofundamento que é essencialmente o fruto de uma elaboração teórica, de uma ampliação da perspectiva, de um novo enquadramento dos velhos conceitos, da clarificação de ligações previamente ignoradas ou apenas pressentidas. É este o motivo por que o filósofo não pode hoje deixar de colocar a ciência no centro das suas análises e reflexões críticas. (...)porTeses de mestrado - 1990Processos e estruturas educativasSistemas educativosRelações professor-alunoContribuição para um estudo da escola primária em zonas degradadas de Lisboamaster thesis