Mendonça, António2025-01-292025-01-291992Mendonça, António .(1992). “O ensino da economia internacional no ISEG : uma digressão histórica”, Actas do Encontro Ibérico sobre história do pensamento económico, José Luis Cardoso e António Almodovar (Coord.) CISEP, 1992http://hdl.handle.net/10400.5/97915As origens do que é hoje o Instituto Superior de Economia e Gestão remontam, como é sabido à Aula do Comércio, criada por decreto régio de 1759 e não será de todo errado dizer que começa precisamente aí o ensino sob forma de curso das matérias que se relacionam com o que é hoje designado por Economia Internacional. O século XVIII é como se sabe, um século de intensa actividade mercantil internacional, entre a Europa e a América, entre a Europa e o Oriente, ou dentro da própria Europa, actividade esta em que à partida, Portugal deveria ter um papel importante a desempenhar dada a sua posição geográfica, a sua História e, na situação particular da época, dadas as relações privilegiadas que mantinha com a potência emergente que era então o Brasil. Em Portugal, nos actos do Ministro Marquês de Pombal, manifestavam-se as ideias mercantilistas, através da defesa do principio do comércio externo como veículo fundamental da acumulação de riqueza, da constituição das companhias monopolistas para a sua exploração, da criação de vários estabelecimentos fabris. A escola pombalina terá sido, no séc. XVIII, e no panorama internacional da época, uma das primeiras a ser criada e, de entre estas era das poucas onde se estabeleceu um ensino que expressa e exclusivamente, visava a preparação de quadros para as profissões comerciais e, talvez a primeira a que pode aplicar-se a designação do estabelecimento oficial de ensino. A Aula do Comércio destinava-se a ser o suporte natural do desenvolvimento do comércio e da indústria que a mentalidade mercantilista do Marquês de Pombal pretendia impulsionar ao nosso País, à semelhança do que havia ocorrido lá por fora, particularmente na nossa velha aliada Inglaterra. A primeira aula é dada em 1 de Setembro de 1759 e os cursos começam por ter a duração de 3 anos. Se a criação da Aula do Comércio está ligada a necessidade de ir de encontro ao dinamismo do comércio internacional no séc. XVIII, a sua extinção também não deixa de estar ligada à diminuição do comércio português que resultou da abertura dos portos brasileiros em resultado das invasões francesas, da ida da família real para o Brasil, e posteriormente da independência desta colónia em 1822. A ideia do comércio e, particularmente, a de comércio internacional, como factor determinante do desenvolvimento económico, continua a estar presente na criação do Instituto Superior do Comércio , o verdadeiro antecessor do actual ISEG, em 23 de maio de 1911 por decreto do então governo provisório. O estudo da economia internacional, ou em sentido mais amplo, das relações económicas internacionais, aparecia subordinado ao comércio entre as nações, sobre a forma de estudo das economias nacionais, as suas legislações, das formalidades aduaneiras e das convenções ou tratados de comércio internacionais. A 1ª Guerra mundial veio, como se sabe abalar a ordem das relações económicas até então vigente. Entre 1911, data da criação do Instituto Superior do Comércio, data em que se assistiu a uma profunda reforma dos cursos até então existentes que abriria a escola do ensino moderno das Ciências Económicas, há a assinalar, no ano de 1931, a criação da Universidade Técnica de Lisboa, a partir da associação de três escolas. Instituto Superior de Agronomia, Instituto Superior Técnico e Instituto Superior do Comércio, passando a designar-se Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF). Em 1967, por decreto 47966 de 7 de Outubro dá-se a restruturação, e são introduzidas algumas alterações pontuais. No que diz respeito ao Curso de Economia registe-se mudança de nome da cadeira, do 4º ano, de Economia e Legislação Industriais para Economia IV, a criação, respectivamente no 4 e 5º anos, de duas cadeiras de Politica Económica (I e II), no lugar das anteriores disciplinas de Política Económica Internacional e Economia dos Transportes, a introdução de uma cadeira de Economia Portuguesa em substituição da de Economia e Administração Coloniais, ainda no 5º ano, procedeu-se ao desdobramento e alargamento de âmbito das disciplinas de História dos Factos e das Doutrinas Ecnómicas e Sociais e por outro, um curso semestral de Hsitória Económica e Social, suprimido-se em contrapartida o Curso de Direito Internacional Privado. Do final dos anos 60 até ao 25 de Abril de 1974 vive-se um período de grande instabilidade académica, consequência directa do ambiente politico geral que se vivia no pais. São introduzidas diversas alterações curriculares que procuravam ir ao encontro às reinvidicações estudantis e à necessidade de adaptar o às exigências da nova realidade económica e social. Quanto à reforma de Veiga Simão não iria ter tempo de se impor verdadeiramente dada a eclosão do 25 de Abril de 1974. Sem pretensões de balanço da situação pós 25 de Abril é de sublinhar a explosão do interesse pelas questões da economia internacional, traduzido na multiplicidade dos seus ângulos de abordagem pelas diversas disciplinas referidas.porHistória do ensinoEnsino superiorComércioEconomia internacionalAula do ComércioISEGO ensino da economia internacional no ISEG : uma digressão históricaconference object