Guedes, Leonor CorreiaFerreira, Joana de Pona Coutinho2024-03-192024-03-192023-06http://hdl.handle.net/10451/63507Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2023Contexto: Doenças neurodegenerativas podem ser causadas por alterações genéticas que, se hereditárias, alargam o espetro de indivíduos afetados, passando a englobar não só doentes mas também familiares em risco acrescido de vir a desenvolver a doença. A doença de Parkinson (DP) e a doença de Huntington (DH) são dois exemplos de doenças neurodegenerativas potencialmente causadas por alterações genéticas, embora com caraterísticas diferentes. A DP, que se manifesta comparativamente em idades mais avançadas, apresenta um prognóstico relativamente mais favorável, enquanto a DH se associa a um início de doença mais precoce e a um maior impacto na qualidade de vida dos doentes. Além de apoiar o diagnóstico clínico e providenciar informações relativas ao prognóstico, a identificação de defeitos genéticos através de testes pode permitir a estipulação de informação relevante para o processo de aconselhamento genético ao doente e à restante família. O facto de, à data, não existir uma cura ou terapêuticas modificadoras de prognóstico para a maioria das doenças neurodegenerativas, como é o caso da DP e da DH, torna o processo de decisão sobre fazer ou não um teste genético complexo e multifatorial, provavelmente influenciado por variáveis como o fenótipo clínico de cada doente, o impacto da doença na qualidade de vida do doente, a hereditariedade expectável da doença, padrões socioculturais e, em última análise, as crenças pessoais de cada indivíduo. A possível emergência de terapias direcionadas a alterações genéticas pode abrir caminho para uma abordagem terapêutica personalizada a cada doente. A ocorrer, isto poderá permitir a modificação da degeneração neuronal inerente à fisiopatologia destas doenças, atrasando o seu início e progressão. Desta forma, e pela importância da informação obtida pelos testes genéticos destes doentes para o desenvolvimento das referidas terapias, torna-se essencial investigar não só o conhecimento de indivíduos doentes e respetivos familiares sobre genética, mas também as suas opiniões e atitudes face à possibilidade de serem submetidos ao processo de testagem, permitindo a recolha de informação relevante para futuro aconselhamento genético de qualidade. Objetivo: Investigar o conhecimento e atitudes em relação a testes genéticos em doentes com DP e DH, bem como familiares em risco para estas doenças. Métodos: Foram realizados dois projetos consecutivos. O primeiro envolveu o desenvolvimento de um questionário cujo objetivo passou pela avaliação de conhecimentos e atitudes em relação a testes genéticos em doenças neurodegenerativas. O segundo projeto consistiu num estudo observacional transversal que teve como objetivo a investigação dos aspetos supramencionados em doentes com DP, DH e os seus familiares assintomáticos em risco de desenvolvimento de uma destas doenças. Um grupo controlo composto por indivíduos saudáveis foi também avaliado. Resultados: 401 indivíduos responderam ao questionário previamente desenvolvido, tendo esta resposta sido submetida tanto online, através da plataforma SurveyMonkey, como presencialmente, na Consulta Externa de Doenças do Movimento do Hospital de Santa Maria, em Lisboa e no Campus Neurológico – CNS, em Torres Vedras. A maioria dos participantes sobrestimou o seu conhecimento de genética, tendo sido obtida uma pontuação de 57.2% no que diz respeito a conhecimento de conceitos gerais de genética. Já no que concerne ao conhecimento específico de genética na DP, os doentes e familiares em risco obtiveram uma pontuação de 40.7% (doentes com DP) e 42.3% (familiares em risco de DP). Este resultado foi superior para a DH, tendo sido obtida uma pontuação de 59.4% (doentes com DH) e 59.7% (familiares em risco de DH). Globalmente, os participantes com ou em risco para a DP demonstraram bastante interesse em ser submetidos a um teste genético (82.5% entre doentes com DP; 84.9% entre familiares em risco de DP), enquanto uma percentagem mais baixa de interesse foi verificada em indivíduos em risco de DH (37.5%). Além disso, não houve qualquer relação estatisticamente significativa entre o conhecimento de genética dos participantes e o seu interesse em realizar um teste genético. Conclusão: Apesar do significativo interesse no processo de testagem genética por parte dos participantes, existe uma necessidade considerável de educar e providenciar aconselhamento genético aos doentes e a indivíduos que, mesmo sem diagnóstico, se encontrem em risco acrescido de vir a desenvolver uma destas doenças neurodegenerativas. Desta forma, ser-lhes-á possível ponderar de forma autónoma e informada se pretendem ou não vir a realizar um teste genético.Background: Neurodegenerative diseases can be caused by genetic disorders that, if hereditary, broaden the spectrum of affected individuals to not only patients but also family members at an increased risk for the disease. Parkinson’s disease (PD) and Huntington’s disease (HD) are two examples of this, with PD having an older mean age of onset and relatively better prognosis when compared to HD, which is associated with younger adult onset and severe disease burden. In addition to supporting clinical diagnosis and informing on prognosis, the identification of genetic defects through genetic testing can provide relevant information for family counselling. With no curative or disease-modifying therapies available to date for the majority of neurodegenerative diseases, including PD and HD, the decision of undergoing genetic testing is complex and possibly influenced by multiple factors, including clinical phenotypes, disease burden, expected heredity, sociocultural patterns, and personal beliefs. The possible emergency of novel gene-targeted therapies, which can potentially pave the way for a more precision-medicine approach to neurodegenerative diseases, potentially allowing for a change in disease course by modifying neurodegeneration and delaying disease onset, underscores the relevancy of surveying patients and at-risk family members concerning current knowledge and attitudes towards genetic testing, in order to better develop strategies for future genetic counselling. Aims: To investigate knowledge and attitudes concerning genetic testing among PD and HD patients, as well as their family members at risk for these diseases. Methods: Two consecutive projects were carried out. The first involved the development of a questionnaire to assess knowledge and attitudes towards genetic testing, while the second consisted of a cross-sectional study that aimed to investigate the aforementioned aspects in PD and HD patients, their asymptomatic family members, and healthy controls. Results: We surveyed 401 individuals - online, via the SurveyMonkey platform, and in person, at the Movement Disorders Outpatient Clinic of Hospital de Santa Maria, Lisbon, and Campus Neurológico - in Torres Vedras. Overall, participants overestimated their 6 knowledge of genetics and averaged a score of 57.2% on general genetic knowledge, 40.7% (PD patients) and 42.3% (family members at-risk for PD) on PD-specific genetic knowledge, and 59.4% (HD patients) and 59.7% (family members at-risk for HD) on HDspecific genetic knowledge. The majority of participants with or at risk for PD were interested in undergoing genetic testing (82.5% of PD patients; 84.9% of family members at-risk for PD), whereas a lower percentage of interest was seen among individuals at risk for HD (37.5%). No statistically significant correlation was established between participants’ knowledge of genetics and their intent to undergo testing. Conclusion: Findings indicate that there is significant interest in genetic testing among the participants. Nevertheless, there is a considerable need for additional education and counselling to ensure that patients and at-risk individuals are equipped with all the information needed to make informed decisions regarding testing.engConhecimento de genéticaDoença de HuntingtonDoença de ParkinsonTestes genéticosDoenças neurodegenerativasNeurologiaWho wants to undergo genetic testing and why? : Knowledge and attitudes towards genetic testing in Parkinson’s and Huntington’s diseasemaster thesis203403924