Magalhães, Maria Filomena, 1964-Ribeiro, Joana Inês e Conceição2019-10-232019-10-2320192019http://hdl.handle.net/10451/39932Relatório de estágio de mestrado, Ecologia e Gestão Ambiental, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2019A biodiversidade encontra-se ameaçada pelas atividades humanas e pelas alterações climáticas. Muitos países têm reunido esforços no combate às alterações climáticas, nomeadamente no aumento da utilização de energias renováveis. A energia eólica é uma das fontes de energia renovável com maior crescimento mundial, mas tem também impactos negativos sobre a vida selvagem. Para além da mortalidade por colisão com aerogeradores, a perda de habitat é também reconhecida como um impacto negativo do Setor Eólico, mas permanece pouco estudado. Neste trabalho estudou-se o impacto da expansão do Setor Eólico, da expansão das áreas urbanas e das alterações climáticas sobre a área de distribuição de espécies 27 espécies de aves sensíveis aos impactos do setor no Nordeste do Brasil, uma região com uma enorme diversidade de avifauna, suscetível às alterações climáticas, onde o Setor Eólico está em expansão e com população humana em crescimento. Foi aplicada uma metodologia espacialmente explícita para avaliar este impacto através da modelação da distribuição destas espécies de aves sensíveis, no presente e em 2050, considerando um cenário específico de alterações climáticas. Criou-se um cenário de expansão humana com base em previsões do crescimento da população humana no Brasil até 2050. Criou-se também um cenário de expansão do Setor Eólico até 2050 recorrendo a previsões de crescimento da potência instalada no Nordeste do Brasil. A área ocupada pelas 27 espécies de aves sensíveis irá aumentar em 2050 no cenário de alterações climáticas considerado. A percentagem de área do Nordeste do Brasil ocupada pelas espécies passará de 58% para cerca de 91%, de acordo com os modelos climáticos obtidos. No futuro, 79% do Nordeste terá um aumento do número de espécies presentes, 12% um decréscimo e 9% manterá o número de espécies presentes. A expansão da área de distribuição das espécies de aves sensíveis não será homogénea, apresentando os Estados do Maranhão, Piauí e Ceará o maior ganho de espécies e os Estados da Bahia, Pernambuco e Paraíba as maiores perdas. Atualmente, as áreas urbanas ocupam cerca de 10.9 mil km2 e ocuparão cerca de 11.6 mil km2 no futuro. No presente, 14.8% das áreas urbanas não se sobrepõem à área de distribuição das espécies modeladas, valor que diminui para 1.8% em 2050. Assim, diminuirá a extensão de área urbana sem qualquer espécie sensível. A urbanização tenderá a expandir-se para zonas com elevado número de espécies, em particular nos Estados do Maranhão, Piauí e Ceará. No entanto, globalmente, as áreas urbanas terão uma sobreposição ligeiramente menor com a área de distribuição das espécies em termos percentuais (1% vs. 0.7%). Esta diminuição ocorre porque as espécies de aves irão alargar mais a sua área de distribuição do que as áreas urbanas se expandirão para locais com espécies sensíveis. A área ocupada pelo Setor Eólico irá quase quadruplicar até 2050, passando de 18.9 GW instalados numa área de cerca de 3 559 km2 no presente para 68.9 GW numa área de 12 898 km2 em 2050. Os Estados que terão uma maior instalação do setor serão o Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia. Em relação à sobreposição com a área de distribuição das espécies, no presente 10.2% da área ocupada pelo Setor Eólico não coincide com a área de distribuição das espécies modeladas, valor que aumenta para 17.5% no futuro. Isto indica que o setor se expandirá principalmente para locais com uma menor riqueza de espécies de aves sensíveis. No entanto, aumentando a área absoluta ocupada pelo Setor Eólico, a sobreposição desta com a área de distribuição das espécies, aumentará de 0.4% no presente para 0.8% no futuro. Para finalizar, os resultados obtidos sugerem que a área ocupada pelo Setor Eólico aumentará quase quatro vezes no futuro num cenário de instalação de mais 50 GW até 2050. Comparando a sobreposição da expansão do Setor Eólico e da expansão das áreas urbanas com a área de distribuição das espécies de aves sensíveis num contexto de alterações climáticas, conclui-se que o impacto de ambas terá uma magnitude reduzida por afetarem, respetivamente, 0.8 e 0.7% do total da área de distribuição das espécies. Não obstante, com a expansão do Setor Eólico manter-se-á o conflito entre as espécies e o setor, podendo ainda vir a aumentar os restantes impactos negativos sobre este grupo.Biodiversity is increasingly threatened by human activities and climate change. Many countries have joined efforts to address the consequences of climate change, including the increased use of renewable energy resources. Wind energy is the world’s fastest-growing renewable energy source, though it can negatively impact biodiversity. In addition to death by collision with wind farms, habitat loss is a recognized negative impact of wind energy that remains poorly understood. This study aimed to analyse the impact of wind energy expansion, human growth and climate change in the distribution area of 27 bird species vulnerable to wind energy impacts in the Northeast of Brazil, a region with high bird diversity and susceptible to climate change, where the wind sector is expanding and human population is growing. A spatially explicit methodology was developed to assess the impacts by modelling the species distribution for present time and 2050m considering a specific climate change scenario. A human growth scenario was developed based on population growth until 2050. Finally, a wind sector expansion scenario was developed for 2050 using estimations of installed power in the Northeast of Brazil. The area occupied by the 27 vulnerable bird species will increase in 2050 under the considered climate change scenario. The percentage of bird distribution area occupied in the Northeast of Brazil will increase from 58% to 91% according to climate models. In 2050, 79% of the region will have more of the modelled species than today, 12% will have fewer species and 9% will maintain the species number. Species distribution will not expand equally across the region, with the states of Maranhão, Piauí and Ceará tending to be occupied by more species in the future, while Bahia, Pernambuco and Paraíba will be occupied by fewer species. Today, these areas occupy about 10 900 km2 and they will occupy about 11 600 km2 in the future. Currently, 14.8% of the urban areas do not overlap with the distribution area of the modelled but this value will decrease to about 1.8%. This means that urban expansion will not only happen towards areas where vulnerable species will occur in a higher number. However, in overall, urban areas will proportionally overlap less with the species distribution area (1% at present time vs. 0.7% in 2050). This happens because species will expand their distribution area more than urban areas will grow towards areas with vulnerable species. The occupied area of wind sector will increase almost fourfold in the Northeast of Brazil, increasing from 18.9 GW installed in 3 559 km2 today, to 68.9 GW of power in 12 898 km2. The states with more power installed area will be the Ceará, Rio Grande do Norte and Bahia. The wind sector today does not overlap with about 12% of the species distribution area. This value will increase to 17.5% in the future, with the wind sector mainly expanding towards places with a lower species richness. However, because the area occupied by the wind sector increases, the proportional overlapping with the distribution area of the species will increase from 0.4% to 0.8%. In conclusion, the obtained results suggest that the area occupied by the wind sector will increase almost four times in a scenario of an expected installation of 50 GW of wind power until 2050. Both the wind sector expansion and urban areas growth will pose a low magnitude impact on the vulnerable bird species, affecting 0.8% and 0.7% of their distribution area, respectively. Nevertheless, the conflict between the wind sector and bird species will remain, and other negative impacts on this animal group may even increase.porModelos bioclimáticosEnergia eólicaCrescimento humanoMaxentImpacto ambientalRelatórios de estágio - 2019Impacto das alterações climáticas, expansão humana e expansão do setor eólico na área de distribuição de aves no Nordeste do Brasilmaster thesis202384942