Abecasis, FranciscoRosmaninho, JorgeClemente, Tânia Rebelo2023-08-082023-08-082022-07http://hdl.handle.net/10451/58825Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2022Introdução: O traumatismo craniano abusivo infantil (TCA) define-se por lesões do crânio e parênquima resultantes de traumatismo contundente direto ou abanão violento afetando crianças abaixo dos 5 anos. Esta condição potencialmente prevenível apresenta mau prognóstico, incluindo mortalidade infantil e incapacidades graves nos âmbitos neuromotor, visual e cognitivo-comportamental. Objetivos: Avaliar possíveis desfechos de TCA após alta hospitalar e compreender eventuais correlações com características clínicas e sociodemográficas que poderão prever o seu prognóstico. Métodos: Revisão retrospectiva que incluiu a recolha e análise de registos médicos de crianças vítimas de TCA internadas na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCIP) de um hospital universitário português entre 2007-2022, assim como os respetivos registos de seguimento. Foi utilizada a escala KOSCHI para classificar o prognóstico de neurodesenvolvimento global. Resultados: Catorze rapazes e 7 raparigas foram incluídos. A idade mediana à admissão foi de 6 meses. A análise aos antecedentes familiares revelou 92% das mães com baixo nível educacional e, em 36% dos casos, pelo menos um dos progenitores encontrava-se desempregado. A maioria das crianças revelou, à admissão, alteração do estado de consciência (86%). Hematoma subdural, lesão parenquimatosa e hemorragias retinianas bilaterais foram descritas na maioria das crianças (86%, 71% e 68%, respectivamente). Quarenta e três por cento revelaram um mau desfecho a longo prazo e cinco vítimas faleceram. Défices visuais e cognitivo-comportamentais representaram as sequelas a longo prazo mais frequentes. Constatou-se que um baixo valor na Escala de Coma de Glasgow (GCS) à admissão, um maior tempo de estabilização médico-legal das lesões neurológicas e consequências neuromotoras, cognitivo-comportamentais ou epilepsia se associam significativamente a um pior prognóstico (p>0,05). Conclusões: Este estudo confirma a elevada morbimortalidade associada ao TCA e a importância de alertar profissionais de saúde relativamente ao abuso infantil, o seu diagnóstico, denúncia e à reabilitação dos sobreviventes.Background: Paediatric abusive head trauma (AHT) is defined as an injury to the skull or intracranial contents affecting children under 5 years old from a blunt impact and/or violent shaking. This preventable condition has a poor long-term prognosis, including infant mortality and severe permanent disability such as neuromotor, visual, cognitive and/or behavioural impairments. Purpose: To evaluate the possible outcomes of AHT following hospital discharge and understand plausible correlations between the clinical and sociodemographic features that could help predict their long-term prognosis. Methods: Through a retrospective chart review, medical records from paediatric victims of AHT admitted to a Portuguese university hospital’s paediatric intensive care unit (PICU) between 2007-2022, as well as their subsequent follow-up records were collected and analysed. The KOSCHI scale was used to classify global neurodevelopmental outcomes. Results: Fourteen boys and seven girls were included in the review. The median age at admission was 6 months. Familiar background analysis revealed 92% of mothers with low educational status and 36% of victims had at least one parent unemployed. Most children presented with altered mental status (86%). Subdural haematoma, parenchymal brain injury and bilateral retinal haemorrhages were reported for the majority of children (86%, 71% and 68%, respectively). Forty-three per cent had a long-term poor global outcome and five victims died. Visual, behavioural and cognitive deficits accounted for the most common long-term sequelae. It was found that a lower Glasgow Coma Scale (GCS) at admission, a longer time until medico-legal stabilisation of neurological lesions, long-term neuromotor, behavioural and cognitive impairments and epilepsy were significantly correlated with a poorer global outcome (p<0,05). Conclusions: This review confirmed the high long-term morbidity and mortality associated with AHT and the importance of medical professionals’ awareness of child abuse, its diagnosis, report and survivors’ rehabilitation.engTraumatismo craniano abusivoSíndrome do bebé abanadoTraumatismo craniano não-acidentalAbuso infantilPrognóstico de desenvolvimento globalPediatriaLong-term outcome of paediatric abusive head trauma : 15 years perspective in a portuguese university hospitalmaster thesis203141997