Pedro, Diogo MendesSilva, Maria Adelaide Drummond Borges Baptista2025-07-252024http://hdl.handle.net/10400.5/102436Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2024As próteses vasculares e endovasculares (PVE) fornecem uma via substituta para o fluxo sanguíneo que permite que o segmento doente de um vaso seja reparado, excisado ou contornado através de um bypass. À semelhança de qualquer outro procedimento invasivo, a implantação destas próteses (por cirurgia aberta ou técnicas endovasculares) não é isenta de riscos, realçando-se as infeções que, apesar de infrequentes, constituem uma complicação grave e uma importante causa de morbimortalidade nestes doentes. Ainda que não sejam os principais agentes etiológicos de infeções de próteses vasculares e endovasculares (IPVE), os Enterobacterales devem ser equacionados, particularmente em ambiente nosocomial. Serratia marcescens destaca-se neste grupo por ser um agente etiológico de IPVE raro, mas potencialmente devastador, com um perfil de resistências frequentemente desafiante. Não obstante os avanços na área, as IPVE, particularmente aórticas, seguem frequentemente um curso rápido e catastrófico mesmo quando tratadas atempada e adequadamente. A elaboração de recomendações relativas à sua abordagem diagnóstica e terapêutica e ao seu seguimento revela-se desafiante dada a sua complexidade, condicionada pelos padrões microbiológicos locais e emergência de resistências, e pela grande diversidade de técnicas cirúrgicas atualmente disponíveis. Por conseguinte, a definição de cuidados ótimos nesta área é ainda fonte de discussão. De forma a ilustrar a complexidade da abordagem destas infeções, apresenta-se o caso clínico de uma doente diagnosticada com infeção de prótese endovascular da aorta torácica por S. marcescens produtora de carbapenemases OXA-48 e risco cirúrgico proibitivo. O propósito deste trabalho é abordar os desafios relativos ao diagnóstico, tratamento e seguimento das IPVE, procurando elucidar a evidência atual e, se possível, fornecer respostas às questões que surgem no contexto da abordagem conservadora desta doente (nomeadamente em relação à duração da antibioterapia), dos métodos de monitorização a longo prazo do seu status infecioso (realçando o potencial papel da PET-TC com 18F-FDG num futuro próximo) e das expetativas prognósticas.Vascular and endovascular prostheses (PVE) provide a substitute conduit for blood flow, allowing repair, excision, or bypass of the diseased segment of a vessel. Similar to any other invasive procedure, the implantation of these prostheses (via open surgery or endovascular techniques) is not without risks, with infections, even so infrequent, being highlighted as a serious complication and an important cause of morbidity and mortality among these patients. Although not the primary etiological agents of vascular and endovascular prostheses infections (IPVE), Enterobacterales are microorganisms to be considered, particularly in nosocomial settings. Serratia marcescens stands out within this group as a rare, but potentially devastating etiological agent of IPVE, with a frequently challenging resistance profile. Despite the advancements in the field, IPVE, particularly aortic, often follow a rapid and catastrophic course even when promptly and adequately treated. Developing recommendations regarding their diagnostic and therapeutic approach, as well as followup, proves to be challenging due to their complexity, influenced by local microbiological patterns and emergence of resistance, and the wide array of surgical techniques currently available. Consequently, defining optimal care in this area remains a subject of debate. To illustrate the complexity of these infections’ approach, we present a clinical case of a patient diagnosed with a thoracic aortic endovascular prosthesis infection caused by an OXA-48 carbapenemase-producing S. marcescens with prohibitive surgical risk. The purpose of this work is to address the challenges related to the diagnosis, treatment, and follow-up of IPVE, seeking to elucidate current evidence and, if possible, provide answers to questions arising in the context of a conservative approach to this patient (particularly regarding the duration of antibiotic therapy), long-term monitoring methods of her infectious status (highlighting the potential role of 18F-FDG PET-CT in the near future), and prognostic expectations.porPróteses vasculares e endovascularesSerratia marcescensInfeções de próteses vasculares e endovascularesGram negativos multirresistentesHematoma intramural da aortaDoenças transmissíveisInfeções protésicas vasculares : uma complicação perioperatória rara, mas potencialmente devastadora : a propósito de um casomaster thesis203791940