Santos, Ana Sofia Pedrosa Gomes dosVentura, Luísa do Mar2025-03-142025-03-142023http://hdl.handle.net/10400.5/99350Artigo 1: A representação das pessoas com Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental (DID) nas estruturas democráticas, parlamentares e partidos políticos é reduzida, observando-se a desvalorização das suas capacidades, com terceiros a tomar as decisões, em detrimento da pessoa ser o agente causal da própria vida. A participação política, com uma importância capital para a decisão sobre os desígnios sociais com impacto na trajetória individual, apesar de direito consagrado, parece não ser enfatizada na prática diária, valorizando-se o treino funcional que mesmo sendo importante, não é representativo de outras esferas da vida. A exclusão das pessoas com DID na tomada de decisão política diminui as oportunidades em defender os próprios interesses. Fundamentado na necessidade de empoderamento político desta população e na inexistência de evidências a nível nacional, surge este artigo, sob a forma de uma revisão da literatura, com o objetivo de analisar o nível de conhecimento e a participação política das pessoas com DID, procurando identificar modelos concetuais, ferramentas de avaliação e nível de conhecimento e prática neste setor. O levantamento de barreiras e facilitadores é outro tópico que emerge na literatura. Finalmente, a listagem de mecanismos de promoção de mais oportunidades, para novas práticas e uma cidadania em pé de igualdade com os seus pares. As principais considerações finais serão apresentadas; Artigo 2: Um tópico da agenda nacional é a construção de uma sociedade inclusiva, pelo empoderamento das pessoas com deficiência em todos os domínios/setores. Reforça-se a necessidade de criar condições e oportunidades para garantir a participação de todos. Apesar da sua relevância individual e coletiva, em Portugal, constata-se a baixa participação das pessoas com Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental (DID), não existindo uma ferramenta que possibilite conhecer e caracterizar o conhecimento e a prática do ponto de vista das próprias pessoas com DID, justificando o nosso objetivo: analisar as qualidades métricas (validade e fiabilidade) do Speak Out - um questionário (novo) sobre a participação política das pessoas com DID. Com base na literatura foi estabelecida a pré-versão que foi, então, avaliada por 10 peritos no âmbito da validade de conteúdo, cujos índices (IVC>.78) apontaram a representatividade da maioria dos indicadores, corroborados pelo acordo entre peritos (.75>k<.80). A fiabilidade (n=27) foi confirmada pela consistência interna (α=.90) e estabilidade temporal (.71<r<.93). As correlações entre secções variaram entre .71 e .93 e a Análise Fatorial Exploratória indicia uma solução quadrifatorial que explica 51.31% da variância total. O instrumento parece ser válido e fiável mas alguma cautela na análise é necessária; Artigo 3: A participação política, concretizada pelo voto, é um direito para todos. No entanto, as pessoas com Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental (DID) detém menor participação político, apesar da escassez de dados na área. Procurando identificar o nível de conhecimento e participação política de adultos com DID, foi aplicado o questionário Speak Out a uma amostra de 323 participantes, entre os 18 e 96 anos (33.18±13.29), 203 do género feminino e 114 do masculino, com (n=98) e sem (n=225) DID. A análise centrou-se nas frequências das respostas e no estudo comparativo (técnicas paramétricas (ANOVA); p<.05). As pessoas com DID sabem e participam menos, a nível político, do que os seus pares típicos/outros diagnósticos, mas conhecem as figuras políticas e os procedimentos políticos básicos associados ao voto. As dificuldades e limitações apontadas (e.g., compreensão da abstenção/voto nulo) exigem medidas inovadoras e adaptadas, de maior acessibilidade, linguagem simples e voto online. As pessoas com DID tendem a votar com apoio. A maioria não sabe responder nem sobre a colaboração das pessoas com DID no desenvolvimento e implementação de políticas públicas, nem se o país tem promovido medidas para a participação políticas das pessoas com DID. Recomendações para a prática e investigação serão apontadas.Article 1 - The representation of people with Intellectual and Developmental Difficulties (IDD) in democratic, parliamentary, and political party structures is reduced, observing the devaluation of their capacities, with third parties making the decisions, to the detriment of the person being the causal agent of their own life. Political participation, with a capital importance for the decision on social designs with impact on the individual trajectory, despite being a consecrated right, seems not to be emphasized in daily practice, valuing functional training which, although important, is not representative of other spheres of life. The exclusion of people with IDD from political decision-making diminishes opportunities to defend their own interests. Based on the need for political empowerment of this population and the lack of evidence at a national level, this article appears, in the form of a literature review, with the objective of analyzing the level of knowledge and political participation of people with IDD, seeking to identify conceptual models, assessment tools and level of knowledge and practice in this sector. The survey of barriers and facilitators is another topic that emerges in the literature. Finally, the list of mechanisms for promoting more opportunities, for new practices and citizenship on an equal footing with their peers. The main final considerations will be presented. Article 2 - A topic on the national agenda is building an inclusive society by empowering people with disabilities in all domains/sectors. It reinforces the need to create conditions and opportunities to ensure everyone's participation. Despite its individual and collective relevance, in Portugal, there is a low participation of people with Intellectual and Developmental Difficulties (IDD), as there is no tool that makes it possible to know and characterize knowledge and practice from the point of view of people with IDD, justifying our goal: to analyze the metric qualities (validity and reliability) of Speak Out - a (new) questionnaire on the political participation of people with IDD. Based on the literature, a pre-version was established, which was then evaluated by 10 experts in the scope of content validity, whose indices (CVI>.78) indicated the representativeness of most indicators, corroborated by the agreement between experts (.75>k<-80). Reliability (n=27) was confirmed by internal consistency (α=.90) and temporal stability (.71<r<.93). Correlations between sections varied between .71 and .93 and Exploratory Factor Analysis indicates a four-factor solution that explains 51.31% of the total variance. The instrument appears to be valid and reliable despite some caution in the analysis. Article 3 - Political participation, achieved through voting, is a right for everyone. However, people with Intellectual and Developmental Difficulties (IDD) seem to have less political participation, despite the scarcity of data in the area. Seeking to identify the level of knowledge and political participation of adults with IDD, the Speak Out questionnaire was applied to a sample of 323 participants, aged between 18 and 96 years (33.18±13.29), 203 females and 114 males, with (n=98) and without (n=225) IDD. The analysis focused on the frequencies of the responses and on the comparative study (parametric techniques (ANOVA); p<.05). People with IDD seem to know and participate less at a political level than their typical peers/other diagnoses, but they seem to know political figures and basic political procedures associated with voting. The difficulties and limitations pointed out (e.g., understanding the abstention/null vote) seem to require innovative and adapted measures, with greater accessibility, simple language, and online voting. People with IDD tend to vote with support. Most cannot answer either about the collaboration of people with IDD in the development and implementation of public policies, or if the country has promoted measures for the political participation of people with IDD. Recommendations for practice and investigation will be pointed out.porDificuldade Intelectual e DesenvolvimentalPolíticaParticipaçãoDireitosAcessibilidadeRevisão da literaturaParticipação PolíticaVotoValidadeFiabilidadeIntellectual and Developmental DisabilityPoliticsParticipationRightsAccessibilityLiterature reviewSpeak Out : a participação política das pessoas com Dificuldades Intelectuais e Desenvolvimentaismaster thesis203677722