Correia, Ângela2019-06-082019-06-082012Correia, Ângela (2012): "Ser letrado e trovador", in eHumanista 22.1540-5877http://hdl.handle.net/10451/38548Há cerca de 30 anos, aprendíamos que, no topo da hierarquia social medieval, estavam os nobres e os clérigos. Que os primeiros eram militares e aprendiam a manejar armas e cavalos usando-os nos combates de defesa ou conquista que justificavam a classe. Tinham cultura própria mas assente na oralidade, pelo que a escrita e a leitura lhes eram marginais. Aprendíamos que os segundos tinham a seu cargo o pastoreio das almas e a cultura escrita. Tinham acesso privilegiado ao livro e dominavam o latim. Dedicavam-se ao estudo. Apercebíamo-nos também naturalmente de que, dentro de cada classe, havia outra hierarquia: a pequena nobreza diferia da alta nobreza; o baixo clero e as esferas superiores desta classe não se confundiam, o que, neste caso, decorria normalmente de ligações de berço às outras classes. Talvez menos rapidamente nos dávamos conta também de que havia certa permeabilidade, embora condicionada, entre as classes. Mesmo assim, o estatuto social de uma figura histórica dos séculos XII a XIV condicionava as expetativas com que líamos qualquer manifestação escrita de cada classe.porSer letrado e trovadorjournal article