Gaspar, JorgeQueirós, Margarida2025-01-282025-01-282001http://hdl.handle.net/10400.5/97871A escolha de um tema de investigação decorre de um processo simultaneamente racional e subjectivo, resultado de circunstâncias muito particulares. Em 1991, quando integrei o corpo docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e iniciei actividades de investigação no âmbito do Centro de Estudos Geográficos, poucos colegas de geografia humana se interessavam pela discussão acerca do desenvolvimento sustentável. Porque havia lecionado a disciplina de Ambiente e Território na Universidade Católica de Viseu e dedicado a minha dissertação de Mestrado a um tema ambiental, rapidamente me apercebi que o meu melhor contributo para a comunidade geográfica derivaria do seu aprofundamento. Porém, não posso negar que o maior incentivo a prosseguir a investigação resulta de uma necessidade intrínseca em partilhar a minha preocupação com a crescente produção e acumulação de resíduos contendo substâncias perigosas a que se alia, muitas vezes, um elevado potencial de persistência e bioacumulação. […] Perante esta ameaça que se coloca ao equilíbrio da Natureza e ao bem-estar da Humanidade, procuro reflectir nas transformações da política económica e ambiental, sem as quais seriam impensáveis novos modelos de produção e tecnologias compatíveis com os objectivos de minimização dos impactes ambientais. Porém, os problemas da sustentabilidade não são apenas técnicos, nem resolúveis num curto horizonte temporal. Do meu ponto de vista, as soluções para o problema ocorrem através de um longo processo de aprendizagem, para o qual é necessário optar, negociar e adaptara continuamente. É neste jogo de interesses que o debate se coloca. É também minha convicção, que quando se discutem os limiares necessários para o país satisfazer os desafios ambientais do futuro, é necessário não menosprezar a ocorrência de problemas ambientais diferenciados, que exigem políticas específicas. A aposta no desenvolvimento sustentável não significa uniformizar. Cada problema ambiental deve ser equacionado em função da sua dimensão e especificidade, assim como da sua contextualização territorial. E por isso estou certa que a infra-estruturação ambiental ou a procura de procedimentos tecnológicos sustentáveis, em boa parte se constroem com base nas relações que as sociedades estabelecem no seu território. Um número relativamente pequeno mas influente de geógrafos, na área da geografia humana, tem desenvolvido trabalhos, desde há algum tempo, que reflectem a relevância do ambiente para o desenvolvimento dos territórios – já na década de 60, Orlando Ribeiro afirmava que a geografia humana se havia desenvolvido entre duas tendências: a ecológica e a corológica. No presente, as ligações da geografia à análise ambiental são particularmente oportunas devido ao incremento do interesse da sociedade contemporânea na expressão espacial das suas contingências, incertezas e complexidade. Numa tentativa de sumariar e sistematizar tendências recentes da abordagem aos problemas ambientais, procurei trabalhar a trajectória da política de ambiente em Portugal no contexto europeu. Trata-se, afinal, de uma pesquisa sobre as dinâmicas de uma sociedade que se depara com o compromisso assumido do desenvolvimento sustentável e que se confronta, simultaneamente, com as deficiências relativas às condições básicas de vida e os desafios da competitividade. […]porAmbienteTerritórioSustentabilidadeDesenvolvimento sustentávelPolítica de ambientePortugalO desafio ambiental: as políticas e a participação dos actoresdoctoral thesis