Ponte, João Pedro da, 1953-Silva, José Manuel Varandas de Carvalho da, 1953-2020-12-022020-12-022000http://hdl.handle.net/10451/45093Tese de mestrado em Educação, Especialidade de Didáctica da Matemática, apresentada ao Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2000Este estudo tem por objectivo estudar o processo de avaliação dos alunos do ensino secundário na realização de investigações matemáticas na sala de aula. Para isso foram definidas três questões: (a) De que modo professores com experiência na realização de tarefas de investigação na sala de aula encaram a sua integração num sistema coerente de avaliação formativa e sumativa? (b) De que modo estes professores valorizam e utilizam diferentes instrumentos e metodologias de avaliação? e (c) Qual a reacção dos alunos a diferentes instrumentos e metodologias de avaliação e qual a sua relação com as suas concepções relativamente à Matemática? O estudo envolveu duas turmas de 10- ano e as respectivas professoras que trabalharam de uma forma colaborativa com o investigador. A metodologia de investigação, de natureza qualitativa, revestiu-se da forma de estudo de caso tendo por objecto os quatro modos de avaliação experimentados: (a) trabalho em grupo e relatório em grupo; (b) trabalho em grupo e relatório individual; (c) trabalho em grupo e apresentação oral; e (d) trabalho individual e relatório individual, em tempo limitado. Foram recolhidos dados junto dos alunos — questionário a todos os alunos e entrevista a três alunos de cada turma — e das professoras — duas entrevistas a cada professora e reflexões individuais sobre cada modo de avaliação experimentado. O investigador realizou, também, um diário de bordo onde registou aspectos das sessões de trabalho da equipa. A análise dos dados foi realizada em dois momentos. Uma primeira análise, no decorrer do estudo, serviu para organizar e interpretar os elementos à medida que iam sendo recolhidos e uma segunda análise, no final do estudo e mais detalhada, teve a finalidade de procurar respostas para o problema em estudo. As professoras mostraram necessidade de percorrer todas as etapas que a proposta de tarefas de investigação sugerem. Além disso, privilegiaram a modalidade de avaliação formativa em detrimento da sumativa e envolveram-se com alguma expectativa na adaptação da tabela de descritores que serviu de suporte à avaliação. Foi com base nesta tabela que comentaram de forma oral e escrita os relatórios e as apresentações orais dos alunos. Seguiram metodologias diferentes de avaliação/classificação, que não sofreram grandes alterações com o envolvimento no estudo. Um traço comum às duas professoras é que ambas indicam criar "imagens" dos alunos, que se vão tornando mais "claras" com os dados recolhidos das formas diversificadas de avaliação, razão pela qual os apreciam muito. As duas professoras valorizam de forma diferente cada um dos modos de avaliação, o que parece estar relacionado com os propósitos dessa mesma avaliação. Assim, uma delas afirmou que o 4º modo de avaliação (trabalho individual e relatório individual em tempo limitado) foi o que lhe permitiu avaliar melhor o processo investigativo de cada aluno. Contudo, para uma avaliação global do trabalho da turma, a sua escolha recaiu sobre o 3º modo (trabalho em grupo e apresentação oral). Segundo ela, a apresentação oral nas condições que foi implementada — participação obrigatória de todos os alunos do grupo — permitiu-lhe ter acesso a dados dos alunos dificilmente observáveis de outro modo, orientar a fase de discussão da tarefa e combater a influência de terceiros nos trabalho realizados em casa. A outra professora referiu-se à valorização dos modos de avaliação experimentados segundo dois aspectos. Por um lado, considerando a avaliação como parte integrante do processo de ensino-aprendizagem, valorizou sobretudo a diversidade das situações apresentadas. Revelou ainda que a forma como os vários modos de avaliação foram surgindo lhe pareceu a mais indicada. Por outro lado, considerando a avaliação na perspectiva de obter uma classificação para os alunos, a sua preferência seria o 4° modo — trabalho individual e relatório individual, em tempo limitado. A forma como os alunos encararam e valorizaram o trabalho investigativo foi diferente nas duas turmas. Na turma A os alunos aderiram de uma forma mais favorável ao trabalho investigativo do que os seus colegas da turma B. A valorização dos modos de avaliação pelos alunos foi fortemente influenciada pelas suas concepções acerca da Matemática, e pelo que, no seu entender, os professores valorizam em termos de avaliação. Assim, considerando que na Matemática o mais importante não é encontrar a "resposta certa" e que nas investigações podem chegar a conclusões diversificadas, consideram o trabalho de grupo como forma privilegiada para a actividade investigativa. Contudo, defendem a apresentação individual das suas investigações, por acreditarem que em avaliação os professores apenas valorizam o que é produzido individualmente. Há ainda três aspectos a evidenciar. Primeiro, a forte influência que o sistema de ensino exerce, quer nas professoras, quer nos alunos, é sentida, naturalmente, de forma diferente por cada um deles. O cumprimento do programa foi, sem dúvida, a principal condicionante nas professoras, influenciando tanto a natureza das tarefas como a sua calendarização. Mas o seu trabalho de avaliação também foi influenciado pelas regras desse mesmo sistema. Acreditando fortemente na vertente formativa da avaliação mas "obrigadas" a realizar uma avaliação sumativa, as professoras criam o seu próprio sistema de avaliação, que nem sempre resulta suficientemente claro para os alunos mesmo quando elas disponibilizam ocasiões 'para explicar o seu modo de avaliação. Um segundo aspecto respeita aos instrumentos utilizados de modo experimental durante o estudo. De facto, e segundo estas professoras, embora com características e potencialidades diversas, todos os instrumentos provaram ter valor como fonte de informação, contribuindo para a clarificação da imagem que formam dos seus alunos. Finalmente, os descritores que foram usados em conjunto com cada um dos quatro instrumentos, revelaram-se de muito interesse na avaliação do trabalho investigativo e na elaboração dos comentários que serviram para dar feedback aos alunos. Além de uma visão global sobre a forma como os alunos realizaram a investigação, permitiram uma avaliação sobre aspectos específicos tais como o conhecimento matemático, o conhecimento das estratégias e as competências de comunicação.porMatemáticaEnsinoAvaliaçãoInvestigaçãoTeses de mestrado - 2000Avaliação de investigações matemáticas : uma experiênciamaster thesis