Romão, Vasco Madeira CrispimRaimundo, Diana Marcelino Belchior2022-03-222022-03-222021-07http://hdl.handle.net/10451/51890Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2021A arterite de células gigantes (ACG) é a vasculite primária sistémica mais prevalente no mundo ocidental, afetando predominantemente indivíduos ≥50 anos. Esta doença envolve preferencialmente a aorta e os seus ramos, provocando, pelo processo inflamatório, uma obstrução parcial ou completa do fluxo, o que resulta num risco aumentado de eventos isquémicos graves, particularmente perda visual irreversível, acidentes vasculares cerebrais e isquémia aguda coronária ou de membros. Este envolvimento sistémico explica o amplo espetro clínico da doença e o processo inflamatório sistémico subjacente é responsável pelas manifestações constitucionais típicas da doença. As manifestações clínicas mais frequentes de ACG são altamente inespecíficas, o que dificulta o diagnóstico e pode atrasar o início do tratamento. Neste estudo, analisámos as caraterísticas de 114 doentes com este diagnóstico seguidos no nosso centro. Vários parâmetros demográficos, clínicos, laboratoriais, comorbilidades e terapêuticas concomitantes foram analisados. A idade média ao diagnóstico foi 74,4 ± 8,7 anos, com um rácio de género 2,08:1 a favor das mulheres. As manifestações clínicas mais comuns foram: cefaleia, manifestações tipo-polimialgia reumática, claudicação mandibular, alterações visuais e sintomas constitucionais. Globalmente, as caraterísticas desta coorte têm uma boa correspondência com outros estudos do Sul da Europa mas verificámos uma maior prevalência de perda de visão irreversível e certas comorbilidades (doença coronária, obesidade, doença cerebrovascular, diabetes mellitus, doença renal crónica, hipercolesterolemia e doença arterial periférica) e terapêuticas (antiagregantes, estatinas e anti-hipertensores) nos nossos doentes. Analisámos também as diferenças entre indivíduos diagnosticados com <75 anos e mais velhos. O grupo com ≥75 anos ao diagnóstico apresentou maior mortalidade nos primeiros três anos e menor tempo de doença, bem como índice de massa corporal mais baixo. Este grupo tinha também maior prevalência de manifestações oculares em geral, perda de visão irreversível e eventos isquémicos agudos (quer no global quer com envolvimento oftalmológico), sendo também mais frequentemente medicados com pulsos de metilprednisolona em alta dose.Giant cell arteritis (GCA) is the most prevalent primary systemic vasculitis in the western world, affecting essentially individuals ≥50 years old. GCA preferentially affects the aorta and its main branches, where the inflammation leads to partial or total blockage of blood flow resulting in a high risk of ischaemic events, specifically irreversible vision loss, stroke, coronary and acute limb ischaemia. This systemic involvement results in a broad clinical spectrum of disease and the underlying inflammation produces the common constitutional symptoms. The most prevalent manifestations of GCA are unspecific, which delay the diagnosis and adequate treatment. In this study, we described the clinical features of a series of 114 patients diagnosed with GCA followed in our centre. Demographic features, clinical manifestations, laboratory values, comorbidities and concurrent medications were reviewed. The mean age at diagnosis was 74.4 ± 8.7 years, with a female to male ratio of 2.08:1. The most prevalent symptoms were headache, polymyalgia rheumatica features, jaw claudication, visual symptoms and constitutional symptoms. Overall, this cohort presented similar characteristics to other studies from Southern European countries, but with a substantially higher prevalence of permanent vision loss and certain comorbidities (ischaemic heart disease, obesity, cerebrovascular disease, diabetes mellitus, chronic kidney disease, hypercholesterolemia and peripheral artery disease) and medications (antiplatelets, statins and antihypertensive drugs). A group analysis was performed, comparing patients diagnosed before and at 75 years or older. The group of patients diagnosed at ≥75 years old had a higher 3-year mortality and overall shorter disease duration, as well as lower body-mass index. Clinically, this group also had a higher prevalence of ocular symptoms overall, permanent vision loss and of ischaemic events (both in general and with ophthalmologic involvement), along with more frequent treatment with high-dose intravenous methylprednisolone.engArterite de células gigantesArterite temporalVasculite de grandes vasosVasculiteEstudo retrospetivoReumatologiaGiant cell arteritis : characterization of a single-centre cohortmaster thesis202903001