Ferreira, Mário Augusto Boto, 1967-Reis, Joana, 1982-Gonçalves, Patrícia Ferreira2022-12-292022-12-2920212021-06-27http://hdl.handle.net/10451/55548Dissertação de mestrado, Psicologia (Área de especialização em Cognição Social Aplicada), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2021Research in in judgment and decision making has typically treated the individual as an “isolated information processor” (i.e., thought and action are modeled as products of the cognitive operations of the individual thinker, rather than as an outcome of the social environments in which the individual is ingrained). However, people usually make their decisions in social settings (i.e., in the presence of others and having access to others’ responses), rendering judgments and decision making as fundamentally social. Therefore, there is a need to broadened research, so as to take into consideration the impact of social influence on decision making processes. This thesis addresses this issue by combining a classic paradigm of the social influence field – Asch paradigm (Asch, 1956) – with classic reasoning tasks often used in judgement under uncertainty research – base-rate problems – in the same experiment. Participants were asked to solve a series of base-rate problems, alone (pre-test phase and posttest phase) and in group with five other alleged participants (experimental phase). In the experimental phase, the pattern of others’ answers was manipulated. It could be a fully intuitive majority; a fully deliberate majority; a deliberate majority with an intuitive dissident; or an intuitive majority with a deliberate dissident. Results showed that intuitive participants seemed more susceptible to social influence than deliberate participants. This trend was in line with our expectations. In particular, they showed a marginal tendency to give less intuitive answers when faced with a fully deliberate majority than when faced with a deliberate majority with an intuitive dissident (i.e., ally). These initial results suggest that others’ judgements may indeed alter to a certain extent the way we solve reasoning problems. Limitations and follow up studies are discussed.De entre as diversas abordagens que se dedicaram ao estudo de julgamento e tomada de decisão, a mais proeminente será talvez a investigação em heurísticas e vieses de Tversky e Kahneman (Tversky & Kahneman, 1974; Kahneman et al., 1982; Gilovich et al., 2002), segundo a qual os nossos julgamentos e decisões são o produto de atalhos cognitivos (heurísticas) que nos permitem transformar tarefas complexas em julgamentos simples. Mais recentemente, este programa tem dado lugar às teorias de processamento dualistas (Evans 2003, 2007; Evans & Curtis-Holmes, 2005; Evans & Stanovich, 2013; Frankish, 2010; Kahneman 2011, Kahneman & Frederick, 2002; Reyna, 2004; Sunstein, 2002) que propõem que temos dois sistemas de raciocínio distintos – Sistema 1 e Sistema 2 –, cada um recorrendo a tipos de processos diferentes – Tipo 1 (T1) e Tipo 2 (T2), respetivamente. Processos T1 são vistos como mais heurísticos e intuitivos, enquanto os processos T2 são vistos como mais analíticos e refletivos. Embora investigação neste ramo tenha feito grandes contributos para o aprofundamento do nosso conhecimento acerca do julgamento humano, esta tem tratado o processo de tomada de decisão como altamente individual, feito num relativo isolamento social (Larrick, 2016). Pelo contrário, a maioria das decisões que tomamos são feitas em contextos sociais e organizacionais, onde nos sentimos pessoalmente responsáveis pelas nossas escolhas (Plous, 1993; Tetlock, 1985). Assim, torna-se necessário tomar em consideração o impacto que estes contextos sociais e organizacionais podem ter, aquando o estudo da tomada de decisão e julgamentos (Larrick, 2016; Plous, 1993; Strough et al., 2011; Tetlock, 1985), assim como os fenómenos de influência social decorrentes de fazer julgamentos na presença de outros e tendo acesso às respostas dos outros. A presente dissertação tem como objetivo ajudar a esclarecer este problema, juntando, no mesmo contexto experimental, um paradigma clássico da investigação em influência social – paradigma de Asch (Asch, 1956) – e problemas de raciocínio tipicamente utilizados na investigação em julgamento e tomada de decisão – problemas de base-rate – com o propósito de explorar como é que os julgamentos de outros podem influenciar a forma como resolvemos estes problemas de raciocínio. Em primeiro lugar, Asch (1956) denotou que, embora o efeito da maioria tenha sido considerável, grande parte dos participantes resolveu a tarefa percetiva simples – comparação do comprimento de linhas – de forma independente da maioria (que escolhia ostensivamente a resposta errada). Embora não tenha sido elaborada nenhuma hipótese neste sentido, os resultados do presente estudo estão em linha com os resultados de Asch – i.e., participantes responderam, em larga parte, de forma independente da maioria. Ainda assim, nas suas experiências, Asch (1956) verificou que, quando confrontados com uma maioria opositora, apenas 25% dos participantes críticos resolviam a tarefa de comparação de linhas sem cometer qualquer erro. De facto, de acordo com o esperado, participantes intuitivos revelaram uma tendência para serem menos intuitivos quando face a uma maioria deliberada do que quando confrontados com uma maioria intuitiva, , embora as análises não tenham sido significativas. Ao introduzir um aliado do participante no seu paradigma, Asch (1951) observou que, ao quebrar o consenso da maioria, este aliado (independentemente de resolver a tarefa corretamente ou não) foi capaz de reduzir drasticamente o conformismo, quase nulificando o efeito da maioria. Em linha com este efeito do aliado, observou-se que, no presente estudo, participantes intuitivos ofereceram respostas mais intuitivas quando face a uma maioria deliberada e um dissidente intuitivo do que quando face apenas a uma maioria deliberada embora a diferença seja apenas marginalmente significativa. Moscovici, por outro lado, observou que uma minoria era capaz de produzir influência social latente, defendendo que o confronto com uma minoria opositora consistente desencadeia um processo de validação que tem como propósito entender a divergência da mesma, o que pode conduzir a uma aceitação privada do julgamento da minoria (Garcia-Marques, Ferreira & Garrido, 2012; Moscovici, 1980; Moscovici & Lage, 1976). No entanto, embora se tenha esperado que participantes intuitivos após confrontados com um dissidente deliberado e uma maioria intuitiva fossem menos intuitivos do que após confrontados com uma maioria intuitiva, esta hipótese não se confirmou. Apesar de os efeitos encontrados terem surgido apenas entre os participantes intuitivos, isto vai também de acordo com o esperado, visto que investigação passada sugere que os participantes deliberados possuem uma vantagem metacognitiva (Mata et al., 2013) – i.e., têm noção de que há um output intuitivo mas errado, que é contudo difícil de inibir e, portanto, uma resposta comum entre a maioria dos (outros) participantes – e, como tal, os efeitos de influência social (de uma maioria intuitiva) nestes participantes deliberados devem ser atenuados, ou até nulos. Os resultados serão discutidos à luz das teorias dominantes em influência social. Serão ainda discutidas as implicações dos presentes resultados, bem como as principais limitações do presente estudo e propostas de estudos futuros para ultrapassar estas limitações.engInfluência socialTomada de decisãoConformismoDissertações de mestrado - 2021Sheeps and lone wolves : social influence in reasoning tasksmaster thesis203270835