Gomes, Jorge Vaz2026-01-272026-01-272025-10-31http://hdl.handle.net/10400.5/116831Tese de doutoramento, Belas-Artes, na especialidade de Arte Multimédia, 2026, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-ArtesO ponto de partida para a construção do filme documentário em construção neste doutoramento em pesquisa-criação, tinha como alicerce a ideia de que é possível contar uma história sobre a própria família a partir de um ponto de vista externo. No caso, trata-se de relatar a forma como a minha família viveu o fenómeno histórico e social que foi a emigração portuguesa para França nos anos 1960. Depois de sentir um impulso inexplicável para filmar esta história (e como filmar uma história que já passou?), colocou-se a questão de como construir um filme que extravasa a esfera da partilha íntima e familiar das memórias do passado, e adquire uma universalidade partilhável com terceiros. Apesar das motivações muito pessoais para construir esta história, o segredo parecia ser precisamente remover o lado íntimo e pessoal e procurar de que forma a história desta família se cruza com a história daquele momento do passado. Foram então as condições materiais, sociais, económicas, geográficas que orientaram inicialmente a construção desta história familiar, mais do que questões pessoais, íntimas ou biográficas. A micro-história, disciplina histórica que trabalha em torno de uma análise microscópica do passado, a partir de uma microescala, foi relevante desde o início deste processo. Analisando com detalhe a história desta família para este período histórico, o que podemos saber? Talvez mais importante, uma vez que este é um filme e não uma obra historiográfica clássica, o que podemos ver? Ver ou saber é precisamente uma dicotomia que irá orientar e levantar muitas questões nesta tese. Um filme que nos fala de um momento do passado - um momento que faz parte de um período histórico - deve dar-nos conhecimento? Ele pode fazê-lo? Ou basta que nos dê a ver? Seria a sua função apenas dar a ver e não ocupar o lugar do conhecimento produzido pelo processo historiográfico, aquele que dá a conhecer? Mas como se manifesta esta tensão de que falamos, de olhar para o passado ou de saber sobre o passado, através das imagens? Antes de responder às questões sobre a ligação entre os indivíduos e o seu contexto histórico, e sobre o gesto historiográfico presente na construção fílmica, tentamos compreender quais são as forças e dinâmicas que existem no processo de criação do filme e da narrativa familiar. Uma questão fundamental neste tipo de narrativas é a dicotomia distância versus proximidade, seja ela ontológica, temporal, espacial ou sentimental. Onde se situa o ponto de vista a partir do qual o filme é construído? O que é que os artistas que trabalham sobre o seu próprio passado, ou seja, o passado familiar, querem mostrar - ou dar a conhecer? (…)Based on a practice-based research approach, this thesis explores the possibilities of representing family history within a cinematic context. Through the perspective of a Portuguese family's migration to France in the 1960s, the work examines the tension between personal narrative and collective dimension. The journey of Cecília Nobre Vaz, the eldest sister in this family, is investigated not only as a personal story but as a way to address broader issues associated with Franco-Portuguese immigration. Drawing on the micro-history method and influenced by the work of Siegfried Kracauer, Carlo Ginzburg, Giovanni Levi, and Jacques Revel, the project adopts a dual perspective, addressing both family history (the private sphere) and collective history. Personal archives—Super 8 films, photographs, letters, and more recent video recordings—served as primary material for constructing a cinematic narrative. The use of these sources raised several questions, particularly regarding the conflict between family films and the memory of the past they capture, a reinterpretation of this past through intimacy and sensibility, and the distance between the creator and the subject. Focusing on Cecília from a perspective aligned with these questions, the film reveals more personal, sensitive, and intimate dimensions that contrast with the initial objective of addressing migration as a collective theme. The thesis concludes that the filmmaker's subjectivity, combined with personal archives, enhances the understanding of this shared past, allowing the film to serve as a tool for both historical and emotional reflection for the audience.application/pdfimage/pngfraDocumentaryFamily filmPortuguese-french emmigrationMicro-historyPractice based researchDocumentárioFilme familiarEmigração Luso-francesaMicro-históriaPesquisa-criaçãoRéflexion autour de la réalisation d'un film sur l'immigration portugaise dans le années 1960 : les enjeux de la répresentation de l'histoire intime et familiale au cinémaReflexões em torno da realização de um filme sobre emigração luso-francesa nos anos 1960os desafios da representação da história íntima e familiar no cinemadoctoral thesis101703945