Costa, Quirina dos SantosRodrigues, Joana Filipa Batista2018-12-132018-12-132016-11-02http://hdl.handle.net/10451/35865Trabalho Final de Mestrado Integrado, Ciências Farmacêuticas, Universidade de Lisboa, Faculdade de Farmácia, 2016A strongiloidose, infeção causada pelo parasita Strongyloides stercoralis, representa um perigo para a saúde pública estimando-se que 30-100 milhões de pessoas são infetadas a nível mundial. A doença é transmitida através da penetração direta na pele humana pelas larvas quando em contato com o solo contaminado. A peculiaridade deste parasita é que algumas das suas larvas não são excretadas, mas reinvadem o intestino ou a pele perianal para perpetuar a infeção, este processo designa-se como ciclo de autoinfeção. O processo de autoinfeção em indivíduos com o sistema imunitário comprometido pode resultar em hiperinfeção e infeção disseminada estando associados a uma elevada mortalidade. A infeção pelo HIV compromete o sistema imunitário, sendo um dos grandes problemas da saúde pública, aproximadamente 36.7 milhões de pessoas vivem com o vírus mundialmente. Aliando a strongiloidose ao HIV seria expectável uma epidemia, embora muitos casos possam não ter sido reconhecidos, poucos casos foram descritos na literatura médica. Uma das causas poderá ser a resposta das Th2 na infeção por HIV. Normalmente, em doentes co-infectados com strongiloidose, a resposta das Th2 diminui, o que agrava a doença. Como na infeção por HIV esta resposta está conservada tal não se verifica. Como o vírus não prejudica especificamente a imunidade dos Th2, as causas de morte associada a esta co-infeção podem ser outras patologias concomitantes ou terapêuticas com fármacos que diminuem o bom funcionamento do sistema imunitário. Outro desafio é o diagnóstico da strongiloidose pois este não está padronizado. O procedimento mais comum envolve uma análise direta de amostras de fezes (métodos parasitológicos), porém nem sempre origina resultados positivos mesmo quando a doença está presente. Existindo métodos mais sensíveis e específicos como métodos imunológicos ou moleculares, não estando disponíveis onde o parasita é endémico dificulta o processo de identificação da doença. Para o tratamento da strongiloidose os fármacos disponíveis incluem a ivermectina, fármaco de eleição, albendazol e tiabendazol. Quando existe co-infeção com HIV é necessário ter atenção a possíveis interações entre a ivermectina, albendazol e tiabendazol com a terapêutica antirretroviral.The strongyloidiasis, infection caused by the parasite Strongyloides stercoralis, is a hazard to public health and it is estimated that 30 to 100 million people are infected worldwide. The disease is transmitted through direct penetration in human skin by larvae when in contact with contaminated soil. The peculiarity of this parasite is that some of the larvae are not excreted but reenter the intestine or the perianal skin to perpetuate the infection. This process is referred to as autoinfection cycle. The autoinfeccion in patients with a compromised immune system can result in disseminated infection and hiperinfection, both associated with a high mortality. HIV is a major public health issue, with approximately 36.7 million people living with the virus worldwide. When strongiloidose and HIV are combined, an epidemic would be expected. Although many cases may not have been recognized, few have been reported in medical literature. One reason may be the response of Th2 in HIV. Normally, co-infection with strongyloidiasis decreases the response of Th2 cells, aggravating the condition. As in HIV this response is conserved, the disease is kept in check. Because HIV does not specifically affect the immunity of Th2, the causes of death associated with this co-infection may be other concomitant diseases or therapies with drugs that decrease the normal functioning of the immune system. Another challenge is the absence of standardized diagnostic criteria. The most common procedure involves direct analysis of stool samples (parasitological methods), but this often does not yield positive results even when the disease is present. Although more sensitive and specific methods as immunological and molecular methods exist, they are not available where the parasite is endemic, which makes it tricky to identify the disease. For the treatment of strongyloidiasis, available drugs include ivermectin, first-line therapy, albendazole and thiabendazole. When co-infection with HIV occurs, it is essential to pay attention to possible interactions between the drugs and antiretroviral therapy.porStrongiloidoseHIVStrongiloides strecoralisImunologiaDiagnósticoTratamentoFatores de riscoHiperinfeçãoInfeção disseminadaMestrado Integrado - 2016A strongiloidose em indivíduos infetados com HIV: influência da patogénese na clínica, imunologia, tratamento e prevençãomaster thesis