Vasconcelos, João, 1968-Houseman, MichaelToldo, Federica2018-07-112018-07-1120172017http://hdl.handle.net/10451/34137Tese de doutoramento, Antropologia (Antropologia da Religião e do Simbólico), Universidade de Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, Université Paris Nanterre, 2017Esta tese foca as lógicas relacionais que emergem em três danças praticadas na Ilha de Luanda, uma restinga que, da margem norte do rio Kwanza, vai até em frente ao porto da cidade de Luanda. A Ilha, um tempo maioritariamente habitada por uma população de pescadores, encontra-se hoje englobada pela cidade. No contexto local, o termo dança não se refere à prática de um corpo singular, mas antes a um grupo. Este uso linguístico local leva a considerar a dança segundo uma dupla perspetiva: a da representação e a da participação. Duas das três danças têm uma finalidade recreativa: a dança carnavalesca e a dança em roda de combinação de casais chamada rebita. A terceira é uma dança ritual praticada em ocasião das oferendas para a sereia, cuja insatisfação se traduz em marés violentas chamadas kalembas que ao longo do tempo reduziram a superfície da Ilha. Da análise das três danças emerge a preeminência axiológica do campo da afinidade, da conjugalidade e do casal. Este campo relacional associado à territorialidade contrapõe-se ao campo genealógico, dominado pela transmissão de doenças espirituais. A sobreposição sociológica dos três grupos de dança (isto é, o fato de algumas mulheres pertencerem simultaneamente aos três) levou a considerar o papel das práticas dançadas na densificação do campo relacional da Ilha. Essa densidade implementada, entre outras coisas, pela dança traz uma nova perspetiva para abordar a vexata quaestio da identidade da população da Ilha e da sua especificidade no contexto luandense.Ma thèse porte sur les logiques relationnelles qui émergent de l’analyse de trois danses pratiquées sur l’Île de Luanda, un cordon littoral situé face à la ville du même nom, autrefois habité uniquement par des pêcheurs, aujourd’hui largement urbanisé. Dans le contexte local, le mot « danse » (« dança » en portugais ou « kizomba » en kimbundu) ne désigne pas une pratique propre au corps singulier, mais plutôt une configuration sociale. « Danse » signifie « groupe ». Cet usage local m’a conduite à appréhender la danse sur deux plans : celui de la représentation et celui de la participation. Deux des trois danses analysées sont des danses récréatives : la danse carnavalesque et la danse en cercle – rebita – à partir duquel des couples se forment. La troisième est une danse rituelle pratiquée lors des offrandes à la sirène, laquelle exprime son mécontentement par de violentes marées qui, au fil du temps, ont drastiquement réduit la surface émergée de l’île. L’analyse de ces trois danses révèle la prééminence axiologique du domaine de l’affinité, de la conjugalité et du couple. Ce domaine relationnel associé à la territorialité s’oppose à la généalogie – champ dont la transmission de maladies spirituelles vient traduire son caractère problématique. Le fait que ces trois groupes se chevauchent (les gens, et notamment les femmes, circulent entre l’un et l’autre) m’a amenée à aborder la contribution des pratiques dansées à la saturation relationnelle de l’île. Cette densité relationnelle implémentée, entre autres, par les pratiques dansées apporte alors une nouvelle perspective à la vexata quaestio de l’identité de la population de l’île et de sa spécificité dans le contexte luandais.porTeses de doutoramento - 2017DançaCarnavalAntropologia da religiãoRituaisLuanda (Angola)"Da geração" e "da simpatia" : relacionalidade em prática em três danças da Ilha de Luanda (Angola)doctoral thesis101436955