Peralta, ElsaGamito, Tânia2016-03-092016-03-092013Peralta, E. & Ganito, T. (2013). Memória e violência. In Graebin, C. M. G. & Santos, N. M. W. (orgs), Memória social: questões teóricas e metodológicas (Série Memória e Património 5), (pp. 185-205). Canoas: Unilasalle978-85-89177-20-7http://hdl.handle.net/10451/22967Theodor Adomo declarou, numa famosa citação, que "escrever poesia depois de Auschwitz é um ato bárbaro" (1967 [1955]), p.34). A questão que aqui está implícita é a da irrepresentabilídade da experiência violenta e, correlatamente, a da possibilidade mesma de uma memória da violência.Amemória é feita tanto de recordação quanto o é de esquecimento. Para recordar, é preciso esquecer. A memória não é apenas a reprodução do passado e muito menos do passado tal como acollteceu. A memória é o passado seletivamente esquecido e integrado no presente e pelo presente através de uma recriação seletiva investida de significado e na qual estão implicados tanto o indivíduo que recorda, quanto o contexto social mais vasto onde a recordação efetivamente acontece (HUYSSEN, 1995). Só quando seletivamente esquecido pode o passado servir de novo como referente para moldar a experiência subjetiva do indivíduo ou significativa de um gmpo social ou comunidade. O esquecimento é operado por meio de imagens, de representações, de sentidos, de linguagens, de rituais, que permitem mediar o acesso ao passado a paliir do presente, tornando-o cognoscível e significativo. Noutros casos, é o corpo que esquece, e a experiência passada é feita memória habitual pelo efeito da continuidade indivisível do tempo duracional (BERGSON, (2007 [1912]).porMemóriaViolênciaMemória e violênciabook part