Pereira, Matheus2021-06-112021-06-112021Pereira, M. S. (2021). Ngodo e marrabenta: disputas, apropriações e ressignificações musicais no sul de Moçambique (1940-1975). In Reginaldo, Lucilene e Ferreira, Roquinaldo (Eds.). África, Margens e Oceanos: Perspectivas de História Social, pp. 423-461. Campinas: Editora Unicamp978-6586-253-665http://hdl.handle.net/10451/48458Ngodo e marrabenta são palavras que, Para um público não familiarizado com a história e as práticas culturais moçambicanas da região sul do país, soam bastante misteriosas. Não é possível explica- -las em apenas um parágrafo. Seus significados cambiantes ao longo do século XX, assim como a complexidade das relações sociais, políticas e culturais que rodeiam o ngodo e a marrabenta, serão explorados ao longo do texto. Porém, cabe apresentar, de antemão e minimamente, o que ambas significam. A mbiÌa (no plural, timbila) é uma espécie de xilofone, denominada corriqueiramente pelos Portugueses ao longo do século XX como marimba, muito comum no grupo étnico chopi, que ocupa, principalmente, a região de ZavaIa. Possui diferentes tamanhos e afinações. A mbila foi usada em orquestras, compostas também por tambores e bailarinos, financiadas pelos chefes chopi, e funcionavam, desde pelo menos meados da primeira metade do século XIX, como um importante demarcador de pertencimento cultural empregado nas apresentações do ngodo (no plural, migodo). O ngodo é "um conjunto de canções e instrumentos organizados em uma composição".3 A apresentação de um ngodo, com seus diferentes movimentos, compostos por dança, canções (chamadas de mzeno) e instrumentos, era previamente elaborada Por um compositor, que a coordenava e comandava.porNgodo e marrabenta: disputas, apropriações e ressignificações musicais no sul de Moçambique (1940-1975)book part