Melo, Ryan Eduardo Costeloe de Gouveia eAsseiro, Joana Matilde Serra de Pires2024-03-272024-03-272023-06http://hdl.handle.net/10451/63826Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2023Introdução: Os aneurismas da aorta abdominal complexos (que envolvem as artérias renais e mesentéricas) e toracoabdominais revelam alguns desafios na sua abordagem cirúrgica. As técnicas endovasculares de reparação de aneurismas, que utilizam endopróteses fenestradas ou ramificadas, vieram revolucionar o tratamento destes aneurismas aórticos complexos, com resultados muito benéficos e com a possibilidade de abranger cada vez mais doentes. Objetivos: Neste estudo retrospetivo, unicêntrico, pretendemos comparar os resultados de dois tipos de endopróteses de diferentes perfis, normal versus reduzido, numa coorte de doentes tratados cirurgicamente a aneurismas da aorta toracoabdominal e abdominais complexos. Métodos: Foi realizado um estudo coorte, unicêntrico baseado numa análise retrospetiva de doentes admitidos para o tratamento endovascular de aneurismas da aorta toracoabdominal e abdominais complexos, utilizando endopróteses fenestradas e/ou ramificadas (2013-2022). Os diferentes resultados analisados, dos dois tipos de perfis das endóproteses utilizadas, perfil normal versus reduzido, compreendiam características do procedimento, sucesso da técnica, complicações clínicas, complicações associadas aos acessos periféricos utilizados, sobrevida global, problemas relacionados com a integridade da endoprótese, intervenções cirúrgicas secundárias, aumento do saco aneurismático e patência primária dos vasos-alvo cateterizados. Resultados: No total, foram incluídos 135 doentes com média de idade de 72 anos (±8anos), sendo 87.4% do sexo masculino. Foram tratados 72 aneurismas da aorta toracoabdominal e 63 aneurismas da aorta abdominal complexos, com uma mediana de vasos cateterizados por doente de cerca de 4 (IIQ:4-4) vasos. As endopróteses de perfil reduzido foram utilizadas em 23 doentes (17%) e as de perfil normal em 112 doentes (83%). As endopróteses de perfil reduzido foram utilizadas em maior proporção em doentes tratados com técnicas endovasculares toracoabdominais e em doentes com história pessoal de cirurgia prévia à aorta, nomeadamente cirurgias com técnicas endovascular toracoabdominais e cirurgias abertas para reparação de aneurismas da aorta abdominal. Os endografts de perfil reduzido foram apenas usados em endopróteses custom-made. Os doentes tratados com endopróteses de perfil reduzido demonstraram maior taxa de sucesso técnico (95.7% vs 91.1%, para perfil normal), no entanto não se demonstrou ser estatisticamente significativo, p=0.47. Apesar disso, os doentes tratados com perfil reduzido tiveram maiores taxas de isquemia medular e de arritmia cardíaca pós-operatória, quando comparados com os doentes tratados com endopróteses de perfil normal (p<0.05). Relativamente a outras complicações clínicas, não se demonstrou haver diferenças entre os dois perfis. Em termos de mortalidade nos primeiros 30 dias, esta ocorreu em 7.4% (n=10; LP: n=3 versus SP: n=7, p=0.26). Relativamente à necessidade de reintervenções imediatas, estas ocorreram em 5.9% (n=8), em 13% dos doentes tratados com endopróteses de baixo perfil (n=3) versus 3.6% nos doentes tratados com endopróteses de perfil normal (n=5), p=0.16. No global, a mediana de período de follow-up foi de 18.4 meses (IIQ:2.4-46.1), 13.3 meses (IIQ:1.2- 28.9) no grupo de perfil reduzido e 21.1 meses (IIQ: 3.2-46.1) no grupo de perfil normal, p=0.21. A sobrevida global e a patência primaria dos vasos-alvo cateterizados foi semelhante entre os dois grupos aos 12 e aos 36 meses (3 anos). Relativamente a endoleaks do tipo I e/ou III persistentes ou tardios e a reintervenções tardias, não se verificou diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos. Conclusão: O estudo demonstrou que, independentemente do perfil utilizado, as técnicas endovasculares de reparação de aneurismas foram realizadas com altas taxas de sucesso técnico e baixas taxas de mortalidade. Os doentes tratados com endopróteses de baixo perfil apresentavam casos mais complexos e com extensões aneurismáticas maiores. Considerando resultados a longo-prazo, os dois perfis mostraram-se semelhantes, demonstrando a segurança da utilização de endopróteses de baixo perfil quando comparadas com as de perfil normal.Introduction: Complex abdominal aortic and thoracoabdominal aortic aneurysms are challenging to manage. Endovascular repair with fenestrated and branched endografts has revolutionized the treatment of these complex aneurysms, with optimal results and the ability to expand treatment to more patients. Objective: In this retrospective, single-center study we aimed to compare the outcomes of standard-profile (SP) stent grafts versus low-profile (LP) stent grafts in a cohort of patients treated for complex abdominal and thoracoabdominal aortic aneurysms. Methods: A single-center cohort study based on a retrospective analysis of consecutive patients admitted for treatment of thoracoabdominal and complex abdominal aortic aneurysms using fenestrated and/or branched endografts (2013-2022) was performed. Outcomes were compared in patients treated with low-profile versus standard-profile fabric devices including procedural metrics, technical success, clinical complications, access-related complications, overall survival, stent-graft integrity issues, secondary interventions, sac enlargement and primary patency of target vessels. Results: A total of 135 patients were included in the study, with a mean age of 72 years (±8years) and 87.4% were male. There were 72 TAAAs and 63 CAAAs, with median of 4 (IQR:4-4) vessels catheterized per patient. LP devices were used in 23 (17%) patients and SP devices were used in 112 (83%) patients. LP devices were used in a higher proportion in TAAAs and in patients with previous aortic surgery, especially previous TEVAR and abdominal aortic aneurysms open surgical repairs. Low-profile stent grafts were only used among custom made devices. Patients treated with LP devices had higher technical success (95.7% vs 91.1% for SP devices) than SP devices, but with no statistically significant difference (p=0.47). However, there was higher rates of spinal cord ischemia (SCI) and postoperative arrhythmia (POA) among patients treated with LP stent grafts (p<0.05). There was no difference in rates of other clinical complications, access-related complications, and procedural metrics. 30-day mortality occurred in 7.4% (n=10; LP: n=3 versus SP: n=7, p=0.26). Immediate re-intervention occurred in 5.9% (n=8), being 13% for LP devices (n=3) versus 3.6% for SP (n=5), p=0.16. Overall, median follow-up period was 18.4 months (IQR: 2.4-46.1), being 13.3 months (IQR: 1.2-28.9) in the LP group and 21.1 months (IQR:3.2-46.1) in the SP group, p=0.21. Overall survival and primary patency of target vessels were similar between the two groups, at 12 months and at 36 months (3 years). Regarding persistent or any late endoleak type I and/or III and any reintervention, there were no statistically significant differences between LP stent grafts and SP stent grafts. Conclusion: FB-EVAR was performed with high rates of technical success and low rates of mortality, irrespective of device profile. LP devices were used in more complex cases and extensive repairs. Considering long term outcomes, the two devices were similar, showing safety of LP compared to SP.engEndopróteses de perfil reduzidoEndopróteses de perfil normalEndopróteses fenestradas e/ou ramificadasAneurismas da aorta toracoabdominal e abdominal complexosCirurgia vascularLow profile endograft versus standard profile endograft for thoracoabdominal and complex abdominal endovascular aortic repairmaster thesis203403975