Estrela, Albano, 1933-Silva, Maria da Conceição Mourão Vieira da, 1950-2018-04-182018-04-181998http://hdl.handle.net/10451/32894Tese de Mestrado em Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, 1998A Pertinência do Estudo Hoje, a planificação é consensualmente aceite como fundamental para uma boa condução da acção pedagógica e contribui para que o professor clarifique os factores que influenciam o processo de ensino-aprendizagem, permitindo-lhe exercer um maior controlo sobre essas variáveis. O acto de planificar desenvolve no professor capacidades de estruturação e de descoberta de diferentes estratégias para os contextos sócio-educativos onde intervém, permitindo-lhe proporcionar ao aluno experiências de aprendizagem significativas e integradoras com a incorporação dos seus interesses e necessidades e, ao mesmo tempo, oferecer continuidade ao processo de ensino-aprendizagem. Planificando, o professor prepara a sua prática e toma decisões, atribuindo um sentido ao processo de ensino-aprendizagem, quer na sua organização, quer nos seus objectivos e metas. Como refere Huerta (citado por Zabalza, 1987), "fazer didáctica não é, senão, tomar decisões. Todo o acto didáctico (objectivos, conteúdos, gestão da aula, avaliação, construção ou manipulação de materiais...) constitui um complexo e encadeado processo de tomada de decisões pré-instrutivas e/ou instrutivas, por parte da comunidade escolar ou, no mínimo, por parte do professor". Na verdade, ao professor, enquanto agente activo, cabe o papel de adaptar as propostas curriculares, mais do que as adoptar. Dentro da sua margem de autonomia, o professor toma decisões explicitas e realiza um processo que se pode caracterizar como um dos mais conscientes do ensino - a planificação. Ao fazê-lo o professor faz opções, faz escolhas que reflectem valorações epistemológicas e é na sala de aula que ele transforma o plano de estudos escrito num plano de estudos activo, sendo a interpretação que faz do currículo entendida como crucial na escolha do que é ensinado. A planificação como fase prévia, explicitamente traçada como momento em que se pensa e se decide, nem sempre é um hábito profissional que se actualiza em cada momento ou período de ensino. Em muitos casos, trata-se da simples continuidade de um estilo adquirido com o tempo que foi, talvez num primeiro momento, objecto de reflexão e de contraste na prática. Clark & Elmore (1979) referem que "boa parte da aprendizagem e da interacção social que tem lugar nos meses seguintes ao inicio do curso podem-se delinear, directa ou indirectamente, pela forma em que o sistema de instrução e o sistema social da classe se traçaram na primeira semana do curso”. Shavelson (1983) ressalta o efeito de continuidade dos primeiros desenhos do professor, que têm uma influência importante no que ocorre depois, na aula. Marx (1981) refere que o número de decisões que os professores tomam decresce à medida que avança o desenvolvimento da unidade, o que explica por que a prática fica regulada, de alguma forma, nas primeiras decisões. Segundo Walker (1989) "a planificação que fazem os professores a longo prazo, no começo do curso, tem um impacto importante sobre o que decidem no resto do curso. Estas decisões afectam o conteúdo, as actividades, o agrupamento dos alunos, os projectos gerais e as normas para os estudantes”. A planificação parece ser um instrumento que estabiliza, de alguma forma, os modelos gerais pelos quais decorre a acção, dando igualmente coerência ao curso fluido dos acontecimentos que, à vista desarmada, parecem ser espontâneos, por vezes anárquicos. (...)porTeses de mestrado - 1998Organização curricularDesenvolvimento curricularPlaneamento da educaçãoSistemas de ensino - PortugalUma incursão no pensamento e na prática de planificação de professores do 1º ciclo do ensino básicomaster thesis