Silva, Adelina Lopes da, 1945-Frasquilho, Maria Antónia2019-07-042019-07-041994http://hdl.handle.net/10451/38959Tese de Mestrado em Ciências da Educação (Pedagogia da Saúde) apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 1994Conheci o Quim há dois anos. Franzino, humilde no trato e com um estranho brilho no olhos, se acaso os encontrávamos de tão cingidos ao chão. Acompanhava o irmão, três anos mais velho, a sua antítese em compleição, fácies meia bravia meia acossada, invadido da trágica ânsia de heroína. " Dª. ajude -nos, que ele está na última e não sei que faça." Eram quatro irmãos que durante a infância só souberam o que era amargura e estar só. O pai alcoólico, a mãe que uma noite tragou de casa; anos depois que será dela? "Não gostei nada quando a Isa foi viver com o nosso pai. Comecei a ver um pesadelo no sorriso de desdém de quem chegou para mandar. Dia atrás de dia os insultos, o cinto familiar atrás da porta. Mas eu defendia-me, gritava e arranhava". À medida que ia crescendo, começava a perceber melhor as restrições a que estava sujeita uma família que vive em dois quartos só. Era tudo para todos ao mesmo tempo: as iras, os amores, o pó que foi tomando conta dos outros três irmãos, e até os companheiros de ocasião da mais nova,dita leviana. Falavam-se de uma maneira brusca, ou não se falavam sequer. " No meu caso vivia num mundo de fantasia e gostava de sonhar acordado. Aborrecia-me que me interrompessem os sonhos. Desenhava-me sempre fora dali com um padrinho rico de mimos. Um dia, frente ao espelho, assustei-me com o que vi. Fiz-lhes saber que havia de ser engenheiro, construir uma casa com quintal e tirar os miúdos daquele inferno,embora eu fosse quase dos últimos. Aos 24 anos o Quim é empregado de mesa, tem uma namorada, um quarto alugado, à noite vai acabando o 12° ano e o curso de engenharia continua à espera. "No princípio, quando pensava na minha família ficava azedo de serem o que são." Agora é o alicerce da mesma, o primeiro tijolo da tal casa que a mente, há tempos, construiu. Nascido em terreno hostil, cresceu e resistiu, "O pior de tudo é esperar piedade e consolação na própria dor". Há várias décadas que as ciências sociais e humanas principiaram a desenvolver um importante trabalho de pesquisa acerca dos factores que ameaçam o bem-estar das populações. Se um modo de avaliar o sucesso duma área científica é examinar o seu impacto na literatura, pode-se avançar que o estudo do risco, das situações em que ocorre e dos factores que o provocam é um dos tópicos principais. Contudo, o progresso no conhecimento nem sempre se traduziu em medidas que banissem esses riscos. Na totalidade nem tal seria possível suceder. A criação dum ambiente estéril restringe-se a condições de laboratório e está portanto distanciada da vida quotidiana. Assim continuam a existir poluentes ambientais, os microorganismos que provocam as doenças infecciosas não foram totalmente extintos, as pessoas, as famílias e as organizações mantém comportamentos que em nada contribuem para a saúde. Um dos problemas de grande actualidade, magnitude e transcendência é o do abuso e dependência de tóxicos. Tanto técnicos de saúde como de educação, os cientistas sociais, os economistas, os políticos e as populações em geral, todos têm acordado que urge resolvê-lo. É um problema que indiscutivelmente transcende as esferas da saúde. (...)porTeses de mestrado - 1994Tratamento e prevençãoPsicoterapiaAconselhamentoToxicomaniaAdolescênciaPedagogia da saúdeFactores protectores da toxicodependência : estudo comparativo entre irmãosmaster thesis