Valadas, EmíliaFernandes, JoanaLuís, Guilherme Miguel Alvito dos Santos2023-03-312023-03-312022-07http://hdl.handle.net/10451/56957Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2022A diarreia do viajante é a doença mais frequente em viajantes, estando associada a importantes comorbilidades médicas, como síndrome do intestino irritável, síndrome de Guillain-Barré e artrite reativa, e a considerável impacto tanto a nível laboral como turístico. Ao longo dos últimos 30 anos, verificou-se um aumento global da incidência de diarreia do viajante resistente aos antibióticos, sendo alarmante a taxa de resistência às fluoroquinolonas e aos macrólidos. A profilaxia antibiótica não está recomendada por rotina, estando reservada apenas para doentes imunocomprometidos, com patologia intestinal de base ou com comorbilidade importante que agrave com a clínica da diarreia do viajante. Na profilaxia da diarreia do viajante devem ser considerados o subsalicilato de bismuto e a rifaximina. No tratamento da diarreia do viajante estão indicadas as terapias de rehidratação oral. A utilização de loperamida está indicada no tratamento de diarreia do viajante aguda aquosa, podendo ser administrada, nos casos de diarreia moderada a grave, em associação aos antibióticos. Os antibióticos podem ser usados no tratamento da diarreia moderada a grave, estando recomendadas as fluoroquinolonas (ciprofloxacina ou levofloxacina), a azitromicina, a rifaximina ou a rifamicina SV MMX®. A loperamida, a rifaximina e a rifamicina SV MMX® não estão indicadas nos casos de diarreia do tipo inflamatória/invasiva. Nos casos de diarreia do viajante persistente, o tratamento deve cobrir parasitas e causas não-infecciosas. Existem vários mecanismos de resistência às quinolonas e aos macrólidos utilizados pelas bactérias, sendo alguns destes transferíveis, pelo que é necessário o uso criterioso dos antibióticos, dar preferência a agentes de antimotilidade e o reforço de medidas preventivas, para que seja possível preservar os antibióticos atualmente disponíveis.Traveler’s diarrhea is the most common disease in travelers, associated to important complications, such as irritable bowel syndrome, Guillain-Barré syndrome and reactive arthritis, and considerable impact both in professional and leisure settings. During the last 30 years, we have experienced an increase in the global incidence of antibiotic-resistant traveler’s diarrhea, especially to fluoroquinolones and macrolides, both at an alarming rate. Antibiotic prophylaxis is not routinely recommended, although it can be used in patients that are immunocompromised, that have a known intestinal disease or that have a serious disease that can complicate with traveler’s diarrhea’s known clinical course. Regarding traveler’s diarrhea prophylaxis, bismuth subsalicylate and rifaximin must be considered. Oral rehydration therapies are indicated in the treatment of traveler’s diarrhea. Loperamide is indicated for the treatment of acute watery traveler’s diarrhea and can be administered with antibiotics in moderate to severe diarrhea. Antibiotics can be used for the treatment of moderate to severe diarrhea; the available options are fluoroquinolones (ciprofloxacin and levofloxacin), azithromycin, rifaximin and rifamycin SV MMX®. Loperamide, rifaximin and rifamycin SV MMX® should not be used in inflammatory/invasive diarrhea. In persistent traveler’s diarrhea, treatment should cover parasites and non-infectious causes. There are many mechanisms for quinolone and macrolide resistance shared by bacteria, some of which are transferable. The cautious use of antibiotics, the preference for antimotility agents and the reinforcement of preventive measures are necessary for the preservation of the currently available antibiotics.porDiarreia do viajanteResistência aos antimicrobianosTratamentoProfilaxiaDoenças transmissíveisDiarreia do viajante : profilaxia e tratamentomaster thesis203140117