Reimão, SofiaNeto, Lia LucasFerreira, Matilde Vieira2023-07-202023-07-202022-07http://hdl.handle.net/10451/58684Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2022Introdução Há evidência que a infeção por SARS-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2) tem um impacto significativo no Sistema Nervoso Central (SNC), tendo sido reportadas diversas alterações neurológicas e cardiovasculares ao longo do curso da doença. Desde o início da pandemia, foram reportados diversos casos de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) em doentes com esta infeção. Métodos Realizou-se um estudo retrospetivo de doentes submetidos a Trombectomia por AVC isquémico agudo do território anterior, com diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2 até 48h de internamento pós-intervenção terapêutica, com análise dos dados clínicos, descrição das características de imagens e do procedimento de trombectomia. O estudo reflete o primeiro ano de pandemia, desde 1 de março de 2020 a 31 de março de 2021, no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, EP (CHULN) - Hospital de Santa Maria. Resultados Encontrou-se uma incidência de 3% de infeção COVID-19 nos doentes com AVC isquémico submetidos a trombectomia nesta instituição. A mediana das idades dos doentes com AVC e infeção COVID-19 foi de 61.5 anos e sendo a maioria dos doentes do sexo feminino. Na altura do diagnóstico de AVC, o valor mediano do score NIHSS foi de 18.5 e do score ASPECT de 8. Cerca de 17% dos doentes atingiu taxas de reperfusão TICI 3. O valor mediano de score ASPECT às 24h pós procedimento foi de 4.5. Cerca de 50% dos doentes com AVC isquémico submetido a trombectomia desenvolveu complicações hemorrágicas e a mortalidade intra-hospitalar foi de 33%. Discussão A incidência de infeção por SARS-CoV-2 entre os doentes com AVC isquémico ainda é desconhecida, com vários centros a nível mundial a reportar incidências diferentes. No nosso estudo, obtivemos uma incidência de 3% de infeção COVID-19 nos doentes submetidos a trombectomia por AVC isquémico com oclusão de grande vaso da circulação anterior, o que diferiu aos dados publicados na literatura. Estes doentes eram mais jovens e com maior prevalência no sexo feminino relativamente aos dados de doentes sem infeção, o que está em consonância com dados reportados em outros centros. Os valores medianos NIHSS e ASPECTs foram semelhantes aos doentes sem infeção COVID-19, contudo menos doentes foram elegíveis para tratamento com rTPa endovenoso, por estarem fora da janela terapêutica. Durante o procedimento, identificou-se maior frequência de embolização distal e fragmentação de coágulos comparativamente aos doentes não COVID-19, refletindo-se em baixas taxas de reperfusão completas, o que pode estar relacionado com o estado pró-coagulante e inflamatório associado à infeção COVID-19. A elevada taxa de mortalidade destes doentes foi igualmente reportada em outros centros. Conclusão A infeção COVID 19 parece ter influenciado os aspetos imagiológicos e os resultados do procedimento de revascularização dos AVCs isquémicos com aumento das complicações hemorrágicas e da mortalidade. Alterações da parede vascular e da coagulação condicionados pela infeção podem estar subjacentes a estas alterações. Estudos adicionais com maior número de doentes e avaliação das diferentes variantes do vírus são necessários para estudar os AVCs na infeção COVID-19.Background and purpose | There is evidence that SARS-CoV-2 infection has a major impact in Central Nervous System with neurological and cardiovascular complications, such as strokes but data regarding the outcomes of COVID-19 patients with acute ischemic stroke are lacking. Methods | The study is about a retrospective review at the Hospital de Santa Maria between March 1, 2020 and March 31, 2021, including the patients with COVID-19 who underwent mechanical thrombectomy for acute ischemic stroke. We report the clinical and imaging characteristics of our patients. Results | We identified 12 cases, representing 3% of thrombectomies performed during this period. The median age was 61.5, affecting predominantly women. The median NIHSS was 18.5 and median ASPECTs was 8. About 17% of patients achieved TICI 3. The median 24h ASPECTs was 4.5. About 50% of patients developed haemorrhagic complications and the in-hospital mortality was 33%. Conclusion | Although there was a low incidence rate, we observed younger patients and more women, with longer procedure time metrics. We verified difficult recanalization procedure because of clots fragmentation and distal migration, with poor imaging outcomes and increased mortality.engCOVID-19SARS-CoV-2AVC isquémicoTrombectomiaImagiologiaStroke thrombectomy in patients with COVID-19 : 1 year of pandemic at Hospital de Santa Mariamaster thesis203141466