Carvalho, Cristina Maria Leitão deBatoréu, Maria Camila Canteiro, 1948-Nunes, Elizabete Valente2011-03-042011-03-042010http://hdl.handle.net/10451/2617Tese de mestrado, Controlo da Qualidade e Toxicologia dos Alimentos, Universidade de Lisboa, Faculdade de Farmácia, 2010Sendo Portugal um país caracterizado por uma dieta típica mediterrânica, o peixe tem um importante papel na alimentação da população. O peixe é rico em ácidos gordos ómega-3 importantes para a saúde de adultos e crianças, por actuarem em múltiplos sistemas do corpo humano. Contudo, o metilmercúrio representa a forma mais tóxica e abundante de exposição ao mercúrio (Hg) ambiental do homem e ocorre principalmente através do consumo de peixe. Em populações com um elevado consumo de peixe, a exposição pré-natal e na infância ao metilmercúrio parece estar associada a danos neurológicos no feto e na criança e comprometimento do seu desenvolvimento psico-motor. O objectivo principal deste estudo é descrever o padrão usual de consumo de peixe durante a gravidez e infância em Portugal, estimar a exposição de Hg a partir da ingestão de peixe e calcular o índice de risco (IR). Outro objectivo é avaliar os níveis de Hg nas mulheres grávidas, medindo os níveis de Hg total, quer no sangue, quer no cabelo. A amostra do estudo consistiu em gestantes recrutadas em unidades de cuidados pré-natais em Lisboa e alunos que frequentam escolas primárias em Lisboa, Amadora e Sesimbra. As informações sobre o consumo alimentar habitual das crianças foram obtidas através de um diário alimentar efectuado durante duas semanas. Um questionário detalhado foi aplicado para avaliar a exposição pré-natal. A avaliação da exposição e IR foram calculados para cada participante. Os indivíduos foram classificados de acordo com o consumo semanal e o IR também foi analisado por grupo. O nível de Hg total no sangue e no cabelo foi analisado pelo método de absorção atómica, utilizando um espectrómetro AMA 254. O valor médio encontrado para o consumo semanal foi de cerca de 5 refeições de peixe para crianças e cerca de 3 para as grávidas. Apenas o IR das crianças é superior a 1, demonstrando a existência de risco para uma parte da população. O nível médio de Hg foi de 1,26 ppm (0,07-5,30 ppm) no cabelo e de 4,6 mg/L (1,1-7,3 mg/L) no sangue total. As mulheres que consumiram mais refeições de peixe por semana tiveram níveis médios de Hg no cabelo superiores do que aquelas que raramente consumiram peixe. A exposição diária ao metilmercúrio revelou-se condicionada essencialmente pela ingestão de peixes predadores, com um resultado estatisticamente significativo. É desejável e necessário que se faça a monitorização dos níveis de Hg em grávidas e crianças e as populações em risco devem ser aconselhadas relativamente às espécies de peixe com tendência a causar biomagnificação do metilmercúrio. É importante incentivar o consumo de peixe pelos seus benefícios, mas reduzir os riscos evitando as espécies de peixe com a maior concentração média de metilmercúrio.Portugal is a country characterized by a traditional Mediterranean diet and fish has an important role on daily diet. Fish is rich in omega-3 which has beneficial effect on adults and children, since they act on multiple body systems. However, methylmercury represents the most toxic and abundant form of environmental mercury (Hg) exposure to humans and primarily occurs through fish consumption. In communities with a high level of fish intake, the prenatal and childhood exposure to methylmercury is believed to be linked to fetal/child neurodevelopment and behaviour impairment. The objective of this study is to describe the usual pattern of fish consumption during childhood and pregnancy in Portugal to estimate the intake of Hg from fish and calculate the risk indexes. Another aim is the monitoring of Hg levels in pregnant women by measuring the total Hg levels in blood and hair. The study sample represents pregnant women which were recruited at their visit to antenatal care units in Lisbon and students attending schools in Lisbon, Amadora and Sesimbra. Information about infant habitual food intake was collected in a questionnaire fulfilled day-by-day during two weeks. A detailed questionnaire was applied to assess prenatal exposure. The exposure assessment and risk index were calculated for each participant. Individuals were classified accordingly to weekly intake, and risk index was also analyzed per group. Total Hg level in whole blood and hair was analyzed by the method of atomic absorption, using the AMA 254 spectrometer. The mean value found for weekly consumption was approximately 5 fish meals for children and approximately 3 for women. The risk index calculated for children was above 1, demonstrating that part of the population is exposed to the risk factor. The mean level value was 1.26 ppm (0.07 to 5.30 ppm) and 4.6 µg/L (1.1 to 7.3 µg/L) on hair and whole blood, respectively. Women who consumed fish more times per week showed a mean Hg level on hair higher than those who rarely or never consumed fish. Statistically significant data demonstrates that predatory fish are primarily responsible for daily Hg intake. The monitoring of Hg levels in pregnant women and children is mandatory and advice should be provided to at risk population. It is important to encourage the fish consumption but it is also important to prevent the risk of Hg exposure. Thus, it is crucial to elucidate the population concerning commonly eaten fish, clarifying which of those have low levels of Hg and, thus, elucidating how to avoid fish species with the highest average amounts of methylmercury.porTeses de mestradoToxicologiaQualidade alimentarAlimentação infantilAvaliação da exposição ao metilmercúrio por consumo de peixe em Portugal: relação benefício-risco para a saúde infantilmaster thesis